Opinião

Para apoiar privatização da CEDAE e Pezão, cobertura da Globo criminaliza manifestantes

O professor da rede estadual do Rio de Janeiro, Ronaldo, escreve sobre a tentativa da Rede Globo de criminalizar as manifestações contra a privatização da CEDAE e o pacote do Pezão.

Ronaldo Filho

Professor da rede estadual do RJ

quinta-feira 9 de fevereiro de 2017| Edição do dia

Sou professor da rede estadual do Rio e hoje, por motivos de saúde, não pude participar do ato dos servidores públicos do Rio contra a venda da CEDAE na ALERJ. Fiquei em casa e pude assistir a cobertura da rede globo sobre o conflito iniciado a tarde entre a polícia e os manifestantes.

Como de costume, a cobertura da globo foi claramente um recorte dos fatos que justificava a ação violenta da polícia, invertendo os valores em jogo. No recorte mostrado pela globo a população massacrada vira algoz da polícia e do Estado que estão fazendo o possível para resolver o problema da crise de forma pacífica e que vândalos aproveitam o momento para depredar o patrimônio público e privado. Balela!

Maldita emissora que não para de nos massacrar, que apoia a venda da CEDAE e está cumprindo seu papel de auxiliar deste governo criminalizando os manifestantes através de sua cobertura pelo G1 e pela TV. O que de fato ocorre é mais um massacre das forças repressivas de Pezão e Picciani contra trabalhadores da CEDAE, UERJ e demais setores do funcionalismo que resistem como podem, para garantir sua integridade física.

Estamos sendo roubados em nossos direitos. Tiram nosso alimento, nossa dignidade, nos massacram física, mental e moralmente e agora querem tirar nosso direito mais básico, água! Tudo com apoio desta emissora que diante de todos os ataques que os trabalhadores vêm sofrendo, tenta passar um ar de normalidade e de que os governos do PMDB estadual e federal estão trabalhando para o bem de todos. Todos quem? Até agora quem mais ganhou foi a própria globo com o aumento dos gastos com propaganda do governo federal e a empresa Condor que vende bombas e balas de borracha e que nesta semana efetuou mais uma venda de quase 2 milhões de reais para o governo do Estado em armamentos para serem usados contra os trabalhadores. Isso a globo não mostra. Tem dinheiro para a repressão, mas não tem para pagar os salários?

Em sua cobertura nesta tarde passou todo o tempo dizendo que as pessoas que tentavam resistir ao ataque da polícia “não eram manifestantes” e sim vândalos, ”mascarados”. Que havia policias feridos, agências bancárias vandalizadas e barricadas pelas ruas. E quanto as dezenas de pessoas feridas, manifestantes ou apenas transeuntes. Diz que manifestantes usaram rojões. E as centenas de balas de borracha disparadas a “queima roupa”, bombas de gás e de fragmentação que ferem gravemente e de “não letal” não tem nada.

Passou todo o tempo mostrando jovens que tentavam resistir e fugir do ataque da polícia como marginais. Esses ditos “marginas“ que a globo tenta criar em sua transmissão, são meus companheiros de trabalho, alunos e amigos. Me encontro acamado por uma forte crise respiratória e não pude estar ao lado de meus camaradas para ajudar a resistir a mais esse ataque que sofremos na porta da ALERJ. O que me causa ainda mais dor e revolta, pois vendo a cobertura mentirosa da globo, me sinto impotente diante de tamanha barbárie contra nós.

Esse discurso, de chamar de vândalo e baderneiro, a globo aprendeu a fazer bem desde 2013. Criminaliza e torna marginal qualquer um que vá contra o poder estabelecido, do qual ela faz parte.

Na mesma cobertura, para justiçar a ação da polícia e o ar de normalidade que tenta imprimir na postura do governo, ela anuncia que dentro da ALERJ os nobres deputados continuam costurando seus acordos, mas sem a participação dos principais interessados e afetados, nós trabalhadores. Não podemos mais aceitar os desmandos deste governo e as mentiras desta emissora golpista, que joga o tempo todo contra os trabalhadores e a juventude.




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