Política

VELHA POLÍTICA

Para acabar com nossa aposentadoria, Bolsonaro irá recriar dois ministérios em aceno ao Congresso

Sob o discurso demagógico de fim da "velha política", Bolsonaro entrega todas as exigências dos parlamentares com vistas à assegurar a aprovação da Reforma da Previdência. Além das emendas extras, agora o presidente irá recriar dois ministérios para atender ao Congresso.

quinta-feira 9 de maio| Edição do dia

Contrariando seu próprio discurso eleitoral, de redução dos ministérios, Bolsonaro irá recriar duas pastas: das Cidades e da Integração Nacional. A decisão tem como intuito “facilitar o diálogo” entre o poder executivo e legislativo e, assim, assegurar o andamento de suas reformas, tanto a da Previdência quanto a dos Ministérios.

Existem ainda disputas em relação a quem baterá o martelo da nomeação dos novos ministros - o governo ou os deputados e senadores - mas a unidade em relação ao objetivo central de aprovação da reforma da previdência é inegável.

Outra disputa que prevalece em relação a reforma dos ministérios, é em torno do destino do Coaf, se seguirá nas mãos de Moro e do ministério da Justiça ou irá para a tutela de Paulo Guedes na Economia. O desejo dos parlamentares mais próximos à casta política é de que seja retirado do controle de Moro, afastando assim a ameaça do presidencialismo de coerção e do autoritarismo judiciário que esse órgão representa nas mãos do ex-juiz da Lava Jato.

O braço de ferro entre o autoritarismo de Moro e a casta política permanece em meio à posição ambígua de Bolsonaro, que até chegou a acenar com a retirado do Coaf, o que após protestos de seu ministro mais popular voltou atrás.

Diferente do Coaf, a recriação dos ministérios foi ponto pacífico da barganha entre o legislativo e o executivo para assegurar os 308 votos necessários para a reforma da previdência. Com a recriação dos ministérios se abrirão novos cargos para serem nomeados e distribuídos, num movimento de compra de votos igual a promessa de entrega de R$ 40 mi em emendas para deputados que votarem pela reforma.

É assim que Bolsonaro - o mesmo que tentou aparecer como a negação da velha política - irá negociar a reforma: através de um grande acordo de bilhões com o congresso nacional.

O Esquerda Diário já se manifestou em todas as oportunidades contra essa reforma nefasta que vem para acabar com a vida da população idosa e com o futuro da juventude.

No dia 15 foi chamado pela CNTE um dia nacional de paralisação pela educação, que deve ser construído em cada local de trabalho e estudo com assembleias e espaços de organização dos trabalhadores e estudantes. A batalha contra os cortes da educação não pode se dar por fora da luta contra a reforma da previdência, aceitando a chantagem que o governo Bolsonaro busca impor. A CNTE e as centrais buscam isolar a data ao invés de transformar no pontapé para a greve geral do dia 14/06.

Na prática o que temos visto é um chamado das centrais sindicais à construção desse dia por fora de uma organização pela base, o que é fruto de sua política de utilizar de dias de luta nacional para negociar com o congresso a MP 837 que diz respeito à contribuição sindical. A estratégia das centrais sindicais foi exposta por Paulinho da Força em seu discurso do 1º de Maio, quando disse que não havia mobilização nas ruas para barrar a reforma, somente para negociá-la.

É preciso dar um basta nessas burocracias que negociam nosso futuro em troca de seus próprios privilégios. O próximo dia 15 deve ser forte dia de luta que não se encerre em si mesmo, mas sirva de ponta pé de um verdadeiro plano de lutas contra a reforma da previdência e os ataques à educação pública, que batalhe por uma saída de fundo à crise econômica, exigindo o não pagamento da dívida pública, uma dívida fraudulenta que tem como único objetivo enriquecer os bolsos dos bancos enquanto a população morre sem poder se aposentar.




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