Gênero e sexualidade

CARTA DO GRUPO DE MULHERES PÃO E ROSAS

Para Pauliane Amaral, irmã de Mayara: foi feminicídio, sim!

Carta do grupo de mulheres Pão e Rosas a Pauline Amaral, irmã de Mayara Amaral, morta aos 27 anos, vítima do machismo, vítima de feminicídio.

terça-feira 1º de agosto| Edição do dia

Hoje, ao lermos sua comovente carta, uma carta de combate, oferecemos nossa solidariedade e temos certeza que Mayara Amaral morreu por ser mulher. Simples e cru, mata-se hoje e há mais de mil anos mulheres porque são mulheres. Estupram seus corpos, como objetos sexuais, porque são mulheres. Castigam suas almas, sua reputação, porque são mulheres.

A polícia fala em latrocínio. A polícia machista, que agride mulheres todos os dias seja nos morros, nas favelas, seja nas delegacias especializadas para atender mulheres vítimas de violência nunca fala a verdade. Não fala que bateram nela porque era mulher, estupram porque se tratava de uma mulher.

O bandido vil que matou Mayara a conhecia. E aproveitando da confiança dela, a mata porque acha que uma mulher é sempre uma posse. É sua e a estupra e a mata. Ele já havia agredido outra antes. Na maioria dos casos de estupro, violência doméstica e feminicídio é um conhecido, um parente, um namorado. Muitas vezes é na vida privada que o machismo mostra sua cara, mas é na vida pública, pelas mãos do Estado ou da mídia que ele é gestado. Ao se calar diante de um feminicídio, a mídia, a polícia finge não existir a violência machista. E se não existe o patriarcado, o machismo, não se combate, não se luta pela emancipação dos mulheres.

A cada 11 minutos uma mulher é estuprada. A cada uma hora e meia uma mulher é morta. Mayara encontrou seus onze minutos, sua hora e meia. A violência contra a mulher parece não ter saída. Só neste ano fora centenas de Mayaras, Fernandas, Selmas, Jessicas e um sem fim de mulheres que não sabemos seu nome, seus rostos, mas sabemos a última linha da história das suas vidas, foram mortas por serem mulheres.

Toda morte é uma tragédia. Mas quando ela se dá de tal forma antinatural, a dor só pode se transformar em luta. Porque quando nos roubam a vida assim, aos 27 anos, o grito contido na garganta tem que ecoar em cada casa, em cada canto do país, do mundo. Em cada escola, fábrica, escritório. Nas ruas, em cada beco, temos que gritar que não aceitaremos mais NEM UMA MULHER MORTA PELO MACHISMO! NEM UMA A MENOS ENTRE NÓS!

Sabemos que foi feminicídio, que foi estupro. E vamos lutar por justiça para Mayara! Contra esse sistema que oprime, explora e mata as mulheres.

Nas palavras de Louise Michel, revolucionária do século XIX, “Cuidado com as mulheres quando sentirem nojo por tudo que as rodeiam e se levantarem contra o velho mundo. Nesse dia, nascerá o novo mundo!”. Temos que sentir ódio do patriarcado, nojo do capitalismo que lucra com o machismo para oprimir e explorar as mulheres

Nos levantemos para lutar por um mundo novo, pela emancipação das mulheres e dos explorados e oprimidos do mundo. Nos levantamos contra o assassinato de Mayara é para transformar nossa revolta em luta contra a violência as mulheres!

Leia aqui: Carta da irmã de Mayara Amaral: Minha irmã, que o machismo matou




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