GOVERNO BOLSONARO

Para General Heleno foi “falta de sorte” o avião ser usado para transporte de cocaína

O general Augusto Heleno, hoje ministro do Gabinete de Segurança Institucional, teve coragem de dizer que o caso do tráfico de cocaína transportado no avião da FAB pelo do segundo-sargento da Aeronáutica, Manoel Silva Rodrigues, foi "falta de sorte".

sexta-feira 28 de junho| Edição do dia

"Podia não ter acontecido, né? Foi uma falta de sorte acontecer exatamente na hora de um evento mundial e acaba tendo uma repercussão mundial que poderia não ter tido. Foi um fato muito desagradável" afirmou o general em referência à participação do presidente Bolsonaro no G-20 e BRICS.

Ficou evidente no discurso do general como o governo trata com pesos e medidas diferentes os casos de tráfico. Quando acontece por oficiais e dentro de um avião da FAB, basta ter a “sorte” de passar despercebido, por outro lado, o discurso de Bolsonaro coloca um endurecimento ainda maior em relação ao tráfico de pequenas quantidades de drogas apoiado pelo pacote anti-crime de Moro que, além de intensificar o encarceramento sem direito a defesa, dá aval para polícia matar com a certeza ainda maior de impunidade que já existe hoje.

Acompanhado do presidente Jair Bolsonaro, em Osaka, no Japão, Heleno respondendo os repórteres sobre as consequências do caso para a “imagem” do Brasil continuou: "Se mudar a imagem do Brasil por causa disso, realmente, só se a gente não estivesse sabendo da quantidade de tráfico de droga que tem no mundo"

O caso do avião das Forças Aéreas Brasileiras que transportava uma mala de 39kg de cocaína aconteceu na última terça (25), com a detenção do segundo-sargento Manoel Silva em Sevilha (Espanha).

Indagado sobre a existência de “falhas” no sistema de segurança relacionado ao transporte de oficiais do governo, o general apresentou uma postura e resposta defensivas: "Todo mundo tem a sua mala revistada, inclusive nós, a do presidente da República, a do ajudante de ordem. O que vocês têm que entender é que esse sargento era da comissária, ele chega muito antes. Você não tem efetivo para manter todo tempo um esquema de vigilância".

Se por um lado o caso expressa uma falha muito mais relacionada com a falta de garantir o transporte da cocaína em sigilo do que sobre a segurança do presidente, por outro, ele expressa a naturalização que a mídia burguesa noticiou o fato e a blindagem do governo ao dizer, nas palavras do Heleno, que isso “não é normal” e já ser o suficiente para livrar o Bolsonaro de qualquer responsabilidade sobre o caso.

Para “tirar o corpo fora”, o general Heleno “orientou” os jornalistas a lerem a nota da FAB: “ a Força Aérea diz ali que vai aperfeiçoar o seu esquema de segurança. Claro que isso aí não é uma coisa normal, então houve um problema, que escapou. (...) Cada um tem o seu cada qual. A revista de passageiros, de malas, para os aviões da FAB são encargo da FAB, que não é subordinada a mim. Então, o GSI não tem nada que ver com isso, zero"

Além disso, o general também tentou justificar a falta de explicação e nítida irritação que Bolsonaro apresentou na mesma noite: "Ele, de longe, sempre é mais difícil tomar conhecimento exatamente do que está acontecendo. Ele está preocupado, mas não está aborrecido, não", afirmou.




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