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Papa Francisco sai em socorro de Piñera, pede diálogo e condena “as manifestações violentas”

Na Praça de São Pedro, o Papa se mostrou preocupado com as manifestações no Chile, deixando de mencionar o presidente chileno Sebastián Piñera e a brutal repressão que custou pelo menos 18 mortes, centenas de feridos e detidos.

quarta-feira 23 de outubro de 2019| Edição do dia

“Acompanho com preocupação o que vem ocorrendo no Chile. Desejo que, se ponha fim às manifestações violentas, através do diálogo se trabalhe para encontrar uma solução à crise e sejam enfrentadas as dificuldades que foram geradas, pelo bem de toda a população”, disse ao finalizar a audiência geral de toda quarta na praça de São Pedro.

O discurso de Bergoglio nada diz sobre as cifras reais e que a violência parte principalmente da repressão. O Instituto Nacional de Direitos Humanos estimulou em “84 o número de pessoas que foram feridas por armas de fogo entre o dia 17 e 21 de outubro”.

Crianças, trabalhadores, e estudantes, se somaram a lista de vítimas da brutal repressão por parte dos militares que respondem ao Governo, deixando um saldo até esta quarte de 18 falecidos, segundo o último balanço do Governo.
Após os anúncios do presidente Sebastián Piñera oferecendo algumas concessões momentâneas como forma de esvaziar a pressão social, está se desenvolvendo a primeira jornada de greves e mobilizações convocadas pelas centrais sindicais, estudantis e organizações sociais.

Veja mais: [Videos] Jornada de paralisação e mobilização no Chile

Após mais de dez dias de mobilizações hoje está em curso uma greve geral no Chile e concentrações em distintos pontos do país. Como analizamos nesta materia aquí”após uma serie de reuniões com os partidos da direita de Chile Vamos e da velha Concertación, além da Democracia Cristã (DC), do Partido pela Democracia (PPD) e o Partido Radical (PR), Piñera apresentou em cadeia nacional uma série de reforma mínimas que buscam salvar seu rechaçado governo e que colocaram, nas entrelinhas, sob ameaça inclusive a cabeça do próprio presidente do país. Entregam pequenas concessões mantendo o fundamental das heranças do regime herdeiro da ditadura, em troca de não perderem tudo”.

Veja mais: As migalhas de Piñera e as armadilhas do regime para não perderem tudo

No país andino a Igreja Católica está fortemente questionado por todos os casos de abuso sexuais e também por sua postura reacionária diante das demandas e direitos exigidos pelas mulheres, e da diversidade sexual. Será o ressentimento que faz com que Francisco fale desta maneira?

Esta instituição inimiga que responde aos intereses econômicos da burguesia tampouco escuta a reivindicação dos povos chilenos. Por trás do aumento da tarifa do transporte público há uma problemática de fundo que se acentua nos últimos anos devido a uma acentuada desigualdade.

O papa falou do Vaticano mas é argentino. O papel que desempenhará Francisco na nova etapa política que se abre na Argentina será o de sempre: conter o descontentamento. A mensagem que envia às e aos chilenos vai nesse sentido, frear uma explosão social sem denunciar aqueles que a provocaram e porque a violência não pertence aos manifestantes mas sim aos militares que são férreos defensores de um regime neoliberal.




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