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Pablo Iglesias triunfa sobre Errejón e reafirma seu poder no Podemos

O Secretário Geral conseguiu 37 cargos no CC, frente a 2 que têm Errejón e 2 para o Anticapitalistas.

quinta-feira 16 de fevereiro| Edição do dia

Foto: EFE/Chema Moya

Pablo Iglesias saiu triunfante do Vistalegre II, renovando seu cargo como Secretário Geral do Podemos com 89% dos votos, ganhando 60% dos cargos do novo Conselho Cidadão, frente a 37% que cai nas mãos da corrente errejonista e 3% para os Anticapitalistas, dos quais se prejudicam com a negociação do sistema eleitoral projetado pelo setor de Iglesias. O novo Conselho Cidadão passa a estar integrado agora por 37 pablistas, 23 errejoinistas e 2 anticapitalistas.

Assim, Iglesias consegue reduzir o peso dos errejonistas no CC, com quem até agora estava praticamente empatado, relegitimando sua figura na máxima condução do Podemos com um método plebiscitário do "tudo ou nada" nas votações on line. Durante a campanha prévia Iglesias havia anunciado que, se sua lista não ganhasse no CC, deixaria seu cargo como Secretário Geral e até seu posto de Deputado.

As votações se efetuaram entre os dias 4 e 11 de fevereiro, pela via de uma plataforma on line, estavam habilitados para votar todos os filiados no Podemos. La polarização da campanha levou a um recorde de participação nesta eleição, com um total de 155.275 votos emitidos, cerca de 35% do total de filiados.

As consequências de Vistalegre II todavia são incertas. Ocorrerá uma "depuração" dos errejonistas, como ocorreu em Madri depois do triunfo de Espinar sobre Rita Maestre? Ou se abrirá uma nova negociação sobre a base do triunfo de Iglesias? O partido está divido, sendo Iglesias, Echenique e Errejón os cargos mais votados no CC.

A assembléia presencial de Vistalegre, que teve sua sessão neste final de semana, mostrou também outra característica particular do Podemos. Enquanto centenas de milhares de anônimos decidiam o destino da organização de forma virtual, guiados pelas aparições midiáticas dos dois principais oponentes nos estúdios de TV, os militantes do Podemos presentes na sala não tinham poder de decisão alguma, nada além de aplaudir um ou outro dos que falava, como se tratasse de uma obra teatral. Tomando em conta este clima de "espetáculo", Iglesias encenou ao final um abraço com Errejón no meio de gritos de "unidade, unidade" vindo do público.

Iglesias agora sai fortalecido, com um partido mais controlado por sua corrente interna e anunciando que buscará "cavar trincheiras" na sociedade civil, para construir um "bloco histórico" e dar um passo a um "impulso constituinte" junto com o resto das corrente "irmãs" e os "Ajuntamentos pela mudança".

Ainda está por vir o que se traduz concretamente esse discurso, embora o que está claro é que o objetivo de fundo para Iglesias e toda a direção do Podemos é seguir acumulando forças para se preparar para as eleições de 2020, pela via institucional e reformista, para reformar o regime e não o impulso da luta de classes generalizada para derrotá-lo.




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