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ESTADO ESPANHOL

Pablo Iglesias do PODEMOS propõe ser vice presidente de um governo com o PSOE

O líder do Podemos propôs nesta sexta ao rei Felipe VI formar um governo de coalizão com o PSOE, com o ‘’socialista’’ Pedro Sánchez para presidente e o Podemos para vice. O PSOE não acatou facilmente e chegou a ironizar a proposta, mas segue negociando com o Podemos e a setores à direita

sábado 23 de janeiro de 2016| Edição do dia

Numa coletiva de imprensa depois da reunião com o monarca Felipe VI, acompanhado pelos principais dirigentes do Podemos, Iglesias anunciou que está disposto a trabalhar desde já para a conformação deste governo, em que seria vice presidente junto com Pedro Sánchez do PSOE presidente.

Nas eleições de 20 de dezembro, nenhuma força política obteve maioria suficiente para formar um governo sozinho, por isso, estão buscando acordos entre os diferentes partidos políticos.

O partido mais votado nas eleições foi o Partido Popular (PP, conservador de centro direita), com 123 deputados, seguido por 90 do PSOE, 69 do Podemos, 40 dos liberais do chamado Ciudadanos (na tradução, “Cidadãos”). A Esquerda Unida teve um milhão de votos, porém só dois deputados.

A soma dos deputados do PSOE, do Podemos e da Esquerda Unida totaliza 161 e para chegar a maioria absoluta tem que se obter 176. Esse motivo faz com que a proposta de Iglesias necessite de apoio de outras forças minoritárias.

O líder do Podemos afirmou que espera que sua proposta seja aceitada pelo o PSOE, cujo dirigente, Pedro Sanchez, também foi recebido nesta sexta pelo rei e apontou que num eventual executivo, Pablo Iglesias seria vice presidente e o “socialista” Pedro Sanchez presidente.

Na coletiva de imprensa, Pablo Iglesias estava acompanhado do General Julio Rodriguez, que já compôs o governo de Zapatero do PSOE, e trata-se de quem o dirigente do Podemos propõe ser ministro da defesa.

Pouco depois foi a vez de Pedro Sánchez, líder do PSOE fazer reunião com o monarca. Quando terminou a coletiva de imprensa, Sánchez não teve outra opção do que responder o Podemos. Mas ele não acatou facilmente a proposta de Iglesias, dizendo que as negociações recentemente se abriram e que esperaria a Rajoy do PP tentar formar um governo e que depois do seu fracasso ele tentaria. ‘’Temos que ser muito cuidadosos com os procedimentos, com os tempos de democracia. Não existe atalhos, mas se Rajoy fracassa, o PSOE fará tudo que seja possível para formar um governo reformista e progressista, olhando para a esquerda e para a direita’’, disse Pedro Sanchez.

Ele também ironizou sobre a proposta de Pablo Iglesias de ser seu vice – presidente: ‘’O rei havia me informado sobre a proposta de Pablo Iglesias, eu estava sem um governo e parece que já tenho os ministros”. Porém evitou de se pronunciar concretamente sobre a proposta.

O rei encerra hoje a rodada de consultas com os líderes dos partidos representados no Parlamento. Depois de receber Iglesias e Sánchez, o monarca também vai conversar com o presidente Rajoy, que já foi derrotado e não vê possibilidade de formar um governo.

Um governo da "mudança" com o PSOE?

A estratégia de ‘’governo de esquerda’’ com o PSOE lançada pela direção do Podemos, pela Esquerda Unida e as outras candidaturas que fazem parte do bloco, ainda que apresente uma saída para a crise de governabilidade aberta nas eleições do dia 20 de dezembro, é contrária aos graves problemas sociais e as demandas democráticas como fim da “casta” de políticos a serviço dos capitalistas, da monarquia e do exercício do direito a auto determinação do povo catalão.

Um governo encabeçado pelo PSOE, um dos principais partidos do Regime de 78, com a “benção” da Monarquia, não parece ser a saída para abrir um processo constituinte verdadeiramente democrático para discutir tudo e resolver tudo, pelo contrário, é um caminho para facilitar uma regeneração do podre Regime de 78.

Em todo caso, as negociações seguem sendo muito complexa e ninguém ainda pode cantar vitória, nem está descartada a convocatória de novas eleições. Seguiremos desenvolvendo o tema.




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