Política

ELEIÇÕES

PT e PSDB dominam o tempo das propagandas eleitorais

Com mais de 50% do tempo de TV e rádio, os dois partidos sufocam os pequenos partidos.

segunda-feira 11 de julho de 2016| Edição do dia

De dois em dois anos a população é chamada a participar do que nas propagandas a burguesia chama de "festa da democracia", votando nas eleições burguesas nos mesmos candidatos e partidos políticos, que logo apos as eleições mostram suas verdadeiras faces.

Isso acontece porque o mito de que a população brasileira não tem memoria é real? Ou porque as regras eleitorais e o regime democrático burgues não permitem o surgimento de alternativas reais para os trabalhadores?

Nas próximas eleições municipais em São Paulo PT e PSDB, e suas coligações, terão juntos mais de 50% do tempo reservado pelas emissoras para o horário eleitoral obrigatório, além de serem também os maiores beneficiados nas pequenas propagandas dos intervalos entre a programação da televisão.

Outras figurinhas carimbadas da "festa da democracia" como Marta Suplicy e Celso Russomano, além do novato ressentido com o PSDB Andrea Matarazzo, ficam com a maior parte do tempo restante.

O tempo de exposição dos partidos é definido a partir das coligações, que via de regra se dão sem nenhum tipo de vínculo ideológico, mas sim com trocas de cargos e influências. Secretarias, ministérios, cargos comissionados, votações, etc.

Para os partidos de esquerda como PSTU, PCO e PSOL restam míseros segundos para mostrar seus programas. PSOL com apenas 10 segundos é o que melhor poderá se apresentar, se é que isso é possível. Já para PCO e PSTU sobram apenas 4 segundos. Uma verdadeira "democracia", não?

Nos debates entre candidatos a situação dos partidos da esquerda é ainda pior, já que pelas novas regras da reforma eleitoral, sancionada em 2015 pela presidente Dilma Rousseff, esses partidos sequer tem o direito de participar, pois não contam com mais de nove representantes na Câmara.

Essa é a democracia dos partidos da ordem, onde as organizações de esquerda e alternativas dos trabalhadores são impedidos de ter expressão.

Em junho de 2013 a juventude saiu as ruas por todo Brasil escancarando a crise de representatividade no regime, seus partidos e instituições. Como resposta para canalizar, desviar e sufocar esses anseios a burguesia determinou a reforma política, vendendo a ideia de que solucionaria os problemas da corrupção e do jogo eleitoral entre os partidos, empreiteiras, empresários e banqueiros. Mas o que se viu foi mais cerceamento e diretamente a exclusão das pequenas organizações e partidos.

Com a Constituição de 1988 o Brasil já tinha as leis mais duras e restritivas do mundo para a criação de novos partidos, e com a reforma política se dificulta ainda mais a participação de organizações e partidos operários e de esquerda.

Isso significa na prática que aos professores, trabalhadores da indústria, carteiros, garis, terceirizados, os trabalhadores em geral, não é permitido ter seus representantes, para fazer parecer que a esses só resta o direito de escolher entre um e outro, em um cenário onde todos estão atolados até o pescoço na lama.

Enquanto isso, nesta tal reforma política, os grandes empresários continuam podendo doar 10% de seus rendimentos anuais às campanhas, uma verdadeira fortuna, usada como investimento a longo prazo, financiando campanhas e candidatos que em seus mandatos se utilizam de todo o aparato público para lavar, desviar e encher os bolsos da burguesia de mais dinheiro.

A reforma política de Gilmar Mendes, Dilma Rousseff, FHC e outros, serviu apenas para tornar o sistema político ainda mais antidemocrático e blindar o regime de quaisquer alternativas que possam surgir da luta dos trabalhadores e da juventude.

Essas são as regras e leis da Constituição de 1988, uma constituição que nasce do clamor popular, mas que acabou tutelada pelos generais da ditadura militar para garantir o direito a propriedade privada, os interesses da burguesia nacional e a mamata dos partidos e políticos "fisiológicos" do regime, como Sarney, Temer, Maluf, etc.

Em um cenário de crise política e econômica, onde graças ao governo golpista de Temer se deteriora ainda mais e com mais rapidez as condições de vida dos trabalhadores, com as demissões, salários arrochados, ataques aos direitos já conquistados e o total sucateamento dos serviços públicos essenciais, essas regrais eleitorais duras e antidemocráticas são ainda mais fundamentais para a burguesia e seus governantes, para que não haja espaço para nenhum setor de trabalhadores organizados, que possa falar e dialogar com o sentimento de revolta da população com esse regime que só faz sangrar aos trabalhadores.




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