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Conciliação de classes | PT busca articular aliança com o PSB, partido burguês que sempre atacou a classe trabalhadora

Presidentes do PT e do PSB vão se reunir nesta quinta(20) para discutir condições para a articulação de uma aliança para as eleições em 2022, em que Alckmin pode se aliar ao PSB e se tornar vice de Lula. Alianças desse tipo repetem os passos que nos levaram ao golpe institucional de 2016 e o fortalecimento dos setores que abriram caminho a Bolsonaro e ao buraco em que estamos. Alckmin e o PSB são representantes dos ataques que Bolsonaro está aplicando nesse momento, das reformas neoliberais às privatizações.

terça-feira 18 de janeiro | Edição do dia

Imagem: Tribuna do Norte

Nesta quinta-feira (20), ocorrerá um encontro entre o presidente do PSB, Carlos Siqueira, e a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, em que as duas lideranças discurtirão uma série de condições para que o PSB apoie a chapa do ex-presidente Lula à candidatura para Presidência da República.

No momento, o principal dificultante para a aliança entre PT e PSB está em São Paulo, onde o PT tem demonstrado que não abre mão de concorrer com o ex-prefeito Fernando Haddad, enquanto que o PSB pretende lançar a candidatura do ex-governador Márcio França.

O vice-presidente do PSD disse que, desde que o partido apresentou ao PT demandas por apoio a palanques estaduais (como é o caso em São Paulo, Espírito Santo e Pernambuco), o PT não só não deu resposta como avançou publicamente com anúncios de pré-candidaturas. Entre elas, ele cita, além de Fernando Haddad, como já foi falado, também as pré-candidaturas de Humberto Costa (PE) e Fabiano Contarato (ES).

Na reunião, Siqueira vai repetir o que já disse pessoalmente pelo menos duas vezes ao ex-presidente Lula: "Já falei ao Lula que o PT precisa decidir se quer disputar pelo país [contra] um de seus principais aliados ou se quer a nossa ajuda para ganhar a eleição".

O motivo das dificuldades para a aliança se dá porque o PSB quer ter candidatos em alguns estados onde o PT argumenta ter vantagem nas pesquisas, como São Paulo. "Nosso critério não é pesquisa, se fosse assim a gente apoiaria ACM Neto na Bahia e não Jacques Wagner. Nosso critério é critério político. Outra coisa: a vida não é só eleição, tem o governo depois", diz Siqueira.

Na reunião , também será discutida a entrada de Geraldo Alckmin no PSB para compor a vice na chapa de Lula. Siqueira afirma que até agora não recebeu resposta de Alckmin sobre o ingresso no partido.

"Convidei Alckmin a ingressar no PSB no dia 13 de dezembro, ele não é do PSB ainda, fiz o convite mesmo ele não sendo uma pessoa com perfil de esquerda, mas entendendo que o momento pede essa discussão mais ao centro. Ele tem muitos amigos de esquerda aqui, incluindo eu, mas ainda não nos deu resposta".

Alguns petistas afirmam que um novo encontro entre Lula e Alckmin está sendo organizado para acontecer ainda em janeiro, antes de Lula viajar para o México.

Já o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), diz que as discussões de seu partido com o PT sobre apoios recíprocos em estados considerados chave não podem ser um fator impeditivo para uma "ação maior", que é a aliança com Lula visando as eleições presidenciais.

"Tenho um otimismo grande de que será possível fazer essa aliança no âmbito nacional e continuarmos discutindo questões locais. Mas as questões locais não podem nunca ser impedidoras de uma ação maior que, no entendimento hoje, é estarmos muito unidos em torno da candidatura do presidente Lula", diz Câmara em entrevista à Folha.

Vice-presidente nacional do golpista PSB, ele elogia o também golpista e inimigo da classe trabalhadora Geraldo Alckmin, dizendo que não haverá obstáculo por parte de seu partido caso o ex-governador de São Paulo decida se filiar à legenda e Lula queira o ex-tucano como candidato a vice.

Veja o ED Comenta sobre a trajetória de Geraldo Alckmin, velho inimigo da classe trabalhadora:

"A questão de ser ou não candidato a vice é uma composição nacional que o PT vai deliberar junto com os partidos aliados. Mas, se houver esse convite para Alckmin vir a ser o [candidato a] vice-presidente e ele estiver filiado ao PSB, não acredito que haveria impeditivo. Pelo contrário, seria uma boa contribuição que a gente poderia dar a essa construção que a gente quer de unidade nacional, dados os riscos que temos enfrentado no Brasil e que podem ser agravados caso haja uma reeleição do presidente Bolsonaro", diz o governador.

Segundo Câmara, "o perfil de Alckmin é um perfil mais ao centro. Conhecemos a sua trajetória política e ele tem uma contribuição a dar a uma possível chapa Lula-Alckmin. O PSB não vai criar nenhum obstáculo caso ele venha a se filiar ao partido e for o nome que o presidente Lula entenda como importante para compor".

Retomando a trajetória do PSB e sua ruptura pela direita com o projeto petista em 2014, quando lançaram a candidatura de Eduardo Campos, além do apoio explícito ao golpe institucional de 2016, quando aproveitaram a maré anti-petista na esperança de aumentar seu distanciamento pela direita do campo gravitacional do PT, certamente o que eles queriam era ter um nome forte para concorrer para presidência em 2022. Mas a ascensão de Lula e o debilitamento de Bolsonaro não favoreceu uma 3ª via.

Pode te interessar: Os planos do PSB para Pernambuco e o xadrez da frente eleitoral com o PT em 2022

Buscando se alçar como alternativa à burguesia, o PSB buscava se aproveitar do debilitamento do governo Dilma e os impactos da crise econômica que se preparavam para atingir fortemente o Brasil para se apresentar como uma alternativa para a burguesia. Nessa empreitada, o PSD se utilizou dos métodos mais espúrios para garantir suas posições e para alimentar o aparato eleitoral do próprio partido, como no escândalo de corrupção em que o ministro da Integração Nacional do governo Temer, Fernando Bezerra (DEM), que na época ainda era do PSB, destinou 90% da verba do combate a enchentes para Pernambuco, bastião de Eduardo Campos. Boa parte das verbas foi parar Petrolina, município onde o filho do ministro era pré-candidato a prefeito. Anos depois Recife ainda sofre com meses subsequentes de alagamento todos os anos durante o inverno, causando mortes e tragédias para os mais pobres.

Para garantir os interesses das oligarquias e usineiros do estado, o PSB atacou comunidades indígenas, quilombolas e famílias de trabalhadores no campo. No município da Jaqueira, na Zona da Mata, trabalhadores rurais são ameaçados constantemente e sofrem violência onde a família Maranhão, dos irmãos Guilherme e Marcello Maranhão (PSB) exercem grande influência. Marcelo é prefeito do município de Ribeirão, a 50km da Jaqueira e mantém boa relação com Paulo Câmara.

Também é escandalosa a política de repressão inegavelmente racista do PSB em Pernambuco. Segundo um relatório da Rede Observatório da Segurança, Pernambuco mais do que dobrou a quantidade de mortos pela polícia em um ano, sendo que, destes 97% são negros. Já na região metropolitana do Recife, todos os mortos pela polícia, 100%, eram negros, se ainda dessa forma considerado o pior lugar do país para um jovem viver. Não nos esqueçamos também dos dois trabalhadores que perderam a visão devido a repressão policial em um dos atos da capital contra Bolsonaro.

Mais uma vez fica claro como o projeto de conciliação de classes do PT significa a constante busca de apoio de partidos burgueses, golpistas e inimigos da classe trabalhadora e do povo pobre, como é o caso do PSB, partido que apoiou o impeachment de Dilma junto a Bolsonaro, o PSDB, MDB e outros golpistas, que conta nas suas fileiras com Tábata Amaral (que votou à favor da reforma da previdência), Flávio Dino e Marcelo Freixo, que se mostra bastante entusiasmado com a chapa Lula-Alckmin. O PSB também apoiou a PEC dos Precatórios, do Teto de Gastos a Reforma Administrativa, pela privatização dos Correios, estando assim lado a lado com Bolsonaro, além de aplicarem reformas previdenciárias nos municípios que governam.

Assim fica claro que, apesar de terem "socialista" no seu nome, o PSB não esconde de ninguém que de socialista não têm nada: é um partido burguês que governa para seus capitalistas de plantão.

De mal menor em mal menor, o PT vai construindo o mal pior, rebaixando as aspirações e pouco a pouco caminhando à direita. Basta disso, é preciso construir uma alternativa dos trabalhadores e de esquerda desde já, e é a serviço desse projeto que nós do MRT e do Esquerda Diário batalhamos. Alianças desse tipo repetem os passos que nos levaram ao golpe institucional de 2016 e o fortalecimento dos setores que abriram caminho a Bolsonaro e ao buraco em que estamos. Alckmin e o PSB são representantes dos ataques que Bolsonaro está aplicando nesse momento, das reformas neoliberais às privatizações.




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