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Conciliação de classes | PSOL organiza federação com a Rede, partido burguês defensor dos ataques contra trabalhadores

É significativo que para o PSOL, o programa e o conteúdo politico não esteja a frente, mostrando os limites de um partido que se move mais para as eleições do que por uma politica de independência de classe numa perspectiva anticapitalista, e que portanto prefere estar do lado daqueles que nos atacam com suas reformas neoliberais a serviço da burguesia, como é o caso da Rede, partido golpista burguês, ao qual o PSOL se junta visando as eleições.

João Paulo de LimaEstudante de Ciências Sociais - UFRN

terça-feira 18 de janeiro | Edição do dia

Foto: Reprodução

Nesta segunda-feira (17), lideranças de PSOL e Rede se reuniram para discutir a formação de uma federação partidária. E, apesar de o Rede ser um partido burguês e golpista, com um histórico deplorável recheado com uma série de apoios à ataques brutais contra a classe trabalhadora, mesmo assim o PSOL não considera que isso possa atrapalhar uma união dos dois partidos.

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A federação obriga que os partidos atuem em conjunto no período eleitoral, inclusive somando os votos para conquistar mais vagas na Câmara e nas Assembleias. À diferença de uma coligação, a federação estabelece um compromisso político pelos próximos 4 anos após a eleição, atuando como se fosse uma única agremiação partidária. A nova regra foi aprovada pelo Congresso em setembro de 2021 e está sendo apelidada de "bote salva-vidas" de partidos pequenos, que são ameaçados de extinção por causa da cláusula de desempenho.

Como exemplo de que o PSOL não considera que o histórico reacionário da Rede seja um empecilho para a concretização da federação, é o fato de que o partido faz uma crítica puramente formal e vazia ao fato de que a Rede quer apoiar Alexandre Kalil (PSD) em Minas Gerais, e que no Pará a Rede faz parte do governo de Helder Barbalho (MDB). Em Belo Horizonte, Kalil sempre atacou diversas categorias, como os trabalhadores do transporte, profissionais da saúde e da educação etc. Sua "gestão" da pandemia não foi nada racional, como tenta vender a mídia burguesa opositora a Bolsonaro, para não falar do descaso de Kalil com serviços básicos, como transporte, educação e saneamento básico, além do fato do prefeito fazer parte de um partido golpista e corrupto que apoiou o golpe institucional de 2016 e seus diversos ataques contra a classe trabalhadora.

E em relação à Helder Barbalho, é preciso denunciar que esse político tem um histórico bastante espúrio, com acusações de improbidade administrativa, abuso de poder, uso da mídia para fins políticos, uma série de ataques contra os trabalhadores paraenses, além de fazer parte do golpista e oligarca MDB, partido nojento que sempre defendeu os interesses das elites brasileiras, entre outros absurdos que nós do Esquerda Diário já denunciamos. Como se não bastasse, Barbalho foi ministro do governo do "vampiro neoliberal" Michel Temer, que levou adiante reformas draconianas contra a classe trabalhadora, como foi o caso da Reforma Trabalhista.

Assim, o PSOL se junta ao Rede, partido que apoia figuras esdrúxulas como Kalil e Barbalho, além de ser um partido defensor do golpe institucional que colocou Temer na presidência, e da operação Lava-Jato, pivô do autoritarismo judicial conduzida pelo reacionário ex-ministro de Bolsonaro, o então juiz Sérgio Moro. Nos ataques que são frutos do golpe, como a reforma trabalhista, da previdência, a MP da morte de Bolsonaro, o Rede teve participação ativa, com parlamentares votando pela sua aprovação. Em São Paulo, a Rede votou a favor da reforma da previdência de Doria, que atacava direitos de servidores e os serviços públicos.

Desse modo, é significativo que para o PSOL, o programa e o conteúdo politico não esteja a frente, mostrando os limites de um partido que se move mais para as eleições do que por uma politica de independência de classe, e que portanto prefere estar do lado daqueles que nos atacam com suas reformas neoliberais a serviço da burguesia de afogar cada vez mais a classe trabalhadora no desemprego, inflação, fome, miséria e precarização, com o objetivo de aumentar cada vez mais os seus lucros.

O PSOL cada vez mais vai rifando qualquer princípio mínimo de esquerda, com a concepção de que é preciso "moderar um pouco para ser mais viável", mas nessa "moderação", o PSOL vai indo cada vez mais à direita, não restando nada de um programa de esquerda, e se transfigurando ao ponto de se transformar num partido que não só se alia com partidos que atacam a classe trabalhadora, assim como já vem sendo o próprio PSOL o aplicador desses ataques, como se ver por exemplo na prefeitura de Edmílson Rodrigues em Belém (PA), que aplicou uma reforma da previdência semelhante ao que Dória tentou aplicar em São Paulo.

Diante dessa capitulação lamentável de um partido como o PSOL, e nesse cenário reacionário em que estamos vivendo, as tarefas preparatórias de uma esquerda com independência de classe se colocam como ainda mais urgentes. Também se faz necessária a unidade dos setores da esquerda que também enfrentam a política petista, como o MRT debate no Polo Socialista e Revolucionário, para expressar uma unidade na luta de classes com um programa para que sejam os capitalistas que paguem pela crise.




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