Opinião

DEBATE NA ESQUERDA

PSOL entra em “Pacto pela democracia” com golpistas como REDE, PSDB, PPS, NOVO e Cia

Marcelo Tupinambá

São Paulo

domingo 17 de junho| Edição do dia

Neca Setúbal, herdeira do dono do Itaú, e articuladora de Marina Silva (REDE) saiu na Folha de São Paulo com artigo chamando o “Pacto pela Democracia” que teve ato em SP no dia anterior com representantes do PSDB, PPS, NOVO, REDE, PSB, PDT, PT, “movimentos” como o “Agora” que é impulsionado por Luciano Huck e “ONGs” ligados a patronais de todo tipo. O mais escandaloso foi a participação do PSOL, representado por Sâmia Bomfim e outros candidatos, nesta frente ampla "anti-Bolsonaro" junto aos apoiadores entusiastas do golpe institucional e do bonapartismo judiciário.

A composição do chamado “Pacto pela democracia” é escandalosa em si mesma. Reuniu desde a golpista herdeira do Banco Itaú, como Neca Setúbal, a representantes de partidos abertamente de direita e golpistas como o PSDB, PPS, NOVO, da “nova direita” REDE, além de PSB, PDT, PT e....PSOL.

O PSOL, com tranquilidade, dividiu palco e palavras num ato com o deputado estadual do PSDB de SP, Carlos Bezerra (PSDB), o candidato a senador por SP Christian Lohbauer (NOVO), Humberto Laudares (PPS, ex-Vem Pra Rua) e outros do tipo. Isa Penna (Insurgência - PSOL) e Marivaldo Pereira (PSOL - DF) também estiveram presentes e saíram na foto junto com os demais.

Viemos criticando o PSOL por firmar o “Manifesto da Unidade” (ver aqui) que estabelece uma “frente” com partidos burgueses como o PDT, PSB, além do PT e PCdoB, o que a direção majoritária do partido firmou e segue desenvolvendo essa “frente” que nunca serviu para nenhuma ação prática de luta. Agora vão além e entram com representantes em um “pacto pela democracia” com PSDB, PPS, NOVO e outros “movimentos” como o “Agora” de Luciano Huck e uma série de ONGs e “movimentos” ligados a grandes empresas. Superam todos os limites do oportunismo.

Da parte da REDE, que mandou um representante para falar em nome de Marina Silva, e tinha uma ampla bancada de parlamentares presentes e vários articuladores do evento, parece ser parte de um movimento maior para tentar articulações “anti-Bolsonaro” nas eleições de outubro, onde não descarta seus “diálogos”, até com o PSDB. Não esqueçamos do seu apoio a Aécio. E que a REDE, assim como FHC, estão neste momento tentando fazer articulações para ocupar o espaço de “centro-direita” que segue com candidaturas fragmentadas. O bizarro é o PSOL fazer parte desse jogo por trás de um suposto “Pacto pela democracia”.

O tal pacto que se diz “pela democracia” faz um ato onde não existiu crítica à Lava Jato, à prisão arbitrária de Lula, nem à intervenção federal no Rio de Janeiro, e um ou outro falou timidamente do golpe que ocorreu no país. Os objetivos declarados no “Manifesto” do famigerado pacto, são o de 1) tolerância na política e contra a discriminação; 2) eleições “livres” em outubro (sem uma palavra sobre Lula preso); 3) compromisso com “reforma política” depois das eleições. Tudo em um objetivo declarado de recompor as instituições carcomidas no Brasil, ou seja, salvar o regime....junto com os golpistas. Não importa se os que pedem “tolerância” e “eleições livres” são golpistas ou de direita. Que uma “reforma política” com essa gente seria contra os trabalhadores e a esquerda.

O PSOL não perdeu a oportunidade de se ligar mais uma vez com o PT, o mesmo PT que impõe uma trégua traidora nos sindicatos frente aos ataques dos golpistas sobre a classe trabalhadora, e abriu caminho para que a extrema-direita capitalizasse o descontentamento popular contra Temer durante a pró-patronal paralisação dos caminhoneiros. As lições do golpe institucional são literalmente jogados no lixo pelo PSOL: o PT pavimentou o caminho para o fortalecimento da direita assimilando a corrupção própria dos capitalistas e aplicando ajustes contra os trabalhadores — especialmente no governo Dilma — e não representa nenhuma saída com sua estratégia de conciliação de classes com banqueiros e empresários. Assim, o PSOL cumpre o papel vergonhoso de cobrir pela esquerda esse "pacto" entre golpistas e e conciliadores (PT), ao mesmo tempo em que se nega a denunciar o papel traidor do PT nos sindicatos e a impulsionar um plano de mobilização sério para cercar de solidariedade as lutas em curso.

O curso de capitulações à direita do PSOL segue, quando o mínimo que deveria fazer seria romper com tal “Pacto pela Democracia”, assim como com o “Manifesto da Unidade".




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