Política

PSDB E TEMER

PSDB pode assumir cargos num governo de Temer

Na noite dessa quinta, 28, o senador Aécio Neves admitiu a participação do PSDB no governo interino de Michel Temer (PMDB) ao informar que o partido ocuparia cargos ministeriais num governo de transição, visto que o possível futuro presidente afirmou que não se candidataria para uma nova reeleição à presidência. Ainda assim, comunicou que a oficialização do ato só irá ocorrer quando o peemedebista anunciar a proposta de novos planos de governo, diante da confissão do atual vice-presidente de que os cortes virão mais duros, de confiança plena na Operação Lava Jato e reforma tributária.

Cássia Silva

estudante de Ciências Sociais na Unicamp e militante da Faísca

sábado 30 de abril de 2016| Edição do dia

Segundo reportagem da Folha de São Paulo, José Serra (PSDB) demonstrou interesse no cargo de Ministro das Relações Exteriores e Temer pretende ceder a Secretaria de Direitos Humanos para a deputada federal Mara Gabrilli, também do PSDB. Além disso, Aécio também declarou que não viu divergências em negar a composição do governo de Temer em discussão dentro do próprio partido, uma vez que se reuniu com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

FHC afirmou que esse “governo de transição” não deve ter cara de partido e que é uma “emergência nacional” ajudar o Brasil, além de assegurar que o PSDB tem “responsabilidade política” com o país. Já Geraldo Alckmin vê uma participação no governo Temer a partir do apoio nas câmaras de senadores e deputados.

Aliás, o PMDB também pretende firmar acordos com o DEM, ao anunciar especulações de que o deputado Rodrigo Maia, do Rio de Janeiro, poderia ser líder do governo na Câmara de Deputados, numa política nítida de destacar os apoios de fora do partido para assegurar a governabilidade de Temer.

Interesses e responsabilidades do PSDB e do PT

O pano de fundo é de pressão das mídias burguesas, como o Estadão e a Folha de São Paulo, para o PSDB não apenas votar “sim” ao impeachment e bancar o papel de ser a oposição burguesa original ao PT, mas também "não fugir a suas responsabilidades" de participar do eventual governo golpista de Temer. Isso garantido por negociações como a não candidatura em 2018 de Temer, e o compromisso de assumirem ministérios mais afastados da esfera econômica, o que não comprometeria tanto os tucanos diante dos ataques de Temer.

No entanto, para além das pressões para que assuma o governo com o PMDB, o PSDB tem interesses nítidos em conseguir domar o governo Temer para já iniciar a implementação da agenda de ajustes numa possível vitória nas eleições para presidente em 2018. Além disso, se apropria desse papel mesmo diante do fracionamento do partido, entre a ala de Aécio Neves, Serra e a ala de Geraldo Alckmin, além das divisões entre paulistas e mineiros.

Dois blocos burgueses estão em disputa para conseguir agarrar o osso, que significa hoje dirigir a direita no Brasil, com projetos liberais e neoliberais. A discussão está na forma de como aplicar os ajustes. O PT abriu caminho a esta direita governando junto a ela e fortalecendo as premissas para a atual ofensiva da direita e da patronal rumo a ataques mais duros que os iniciados por Dilma. São incapazes de conter este avanço e buscam "aparentar resistência" silenciando sobre qualquer plano de luta real contra o golpe institucional e os ajustes.

Por essa razão, devemos combater o golpe reacionário de aplicação de ajustes mais duros, um retrocesso de consciência e repressão da classe trabalhadora, mas também o petismo. Foi o PT quem pactuou com a corrupção e fez acordões com o PMDB. Foi também quem atacou a classe trabalhadora e a juventude e, principalmente, conteve os avanços na luta e na consciência desses setores com burocracias, como a CUT, a CTB e a UNE. Por uma greve geral já contra o golpe e os ataques dos governos!




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