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PMDB na comissão de impeachment: governistas?

terça-feira 8 de dezembro de 2015| Edição do dia

Muita especulação tem sido publicada nos grandes jornais do país. No mesmo dia publicam-se capas diametralmente opostas sobre os supostos alinhamentos de Temer com o impeachment ou com Dilma. Algo é certo o vice-presidente da República, sucessor em caso de impeachment tem evitado as câmeras. De um modo ou outro sairá ainda mais fortalecido do episódio. Se Dilma cai vira presidente, para se manter precisará do PMDB e dele.

Enquanto correm estas especulações todos partidos estão indicando seus membros para a comissão de impeachment. Formalmente, com os nomes de PPS, DEM, PSDB e Solidariedade a oposição só contaria com um quarto dos membros. Porém, no histórico e ainda mais na história recente não se pode apostar muito em “fidelidade partidária”. Sobretudo no partido que mais exemplifica o fisiologismo, o PMDB. Os nomes indicados do PMDB, podem, no entanto, dar um sinal de para que lado pende o julgamento do partido.

O líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), já decidiu pelo menos cinco dos oito deputados que o partido poderá indicar para a comissão especial que analisará o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, deflagrado na última quarta-feira, 2, pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

São eles: o próprio Picciani e os deputados Hildo Rocha (MA), João Arruda (PR), José Priante (PA) e Washington Reis (RJ). Todos são do grupo de peemedebistas classificados pelo líder do partido como "moderados" e já se declararam, nos bastidores, contra o processo de impedimento da presidente.

As outras três vagas serão escolhidas até o fim da tarde desta segunda-feira, 7, e deverão ser destinadas a peemedebistas considerados por Picciani como mais "radicais", ou seja, favoráveis ao impeachment.

A coerência de posições entre todos partidos do regime e particularmente no PMDB não é algo a se apostar. Cunha passou de líder do PMDB no congresso em 2014, portanto governista, a ferrenho opositor e depois costurando acordos com Dilma para no final abrir o impeachment. O agora líder do “governismo” Picciani foi o articulador da campanha de Aécio no Rio de Janeiro em 2014. Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro pelo mesmíssimo PMDB e agora um dos maiores defensores declarados da oposição ao impeachment de Dilma ficou famoso antes de ser apoiado pelo PT à prefeitura do Rio como quem tinha aberto pedido impeachment de Lula em 2005 no Mensalão.

Ou seja, um predomínio de nomes supostamente governistas não é um sinal de garantia de como serão seus votos, mas por hora é um claro sinal a Dilma e o PT que o PMDB do Rio sob liderança de Pezão, Paes e da família Picciani ainda não desembarcou do governo, conferindo a Dilma e o PT maior alívio. Quão seguras são estas apostas é algo a descobrir nas próximas semanas e meses.

Esquerda Diário / Agência Estado




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