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Violência Policial | PM massacra indígenas no MS e deixa mortos. Bolsonaro e o Estado são responsáveis!

Mais um ataque brutal contra a população indígena por parte do agronegócio, aconteceu na última semana. Na madrugada da sexta-feira (25), policiais e pistoleiros contratados por fazendeiros dispararam contra retomada de território Guapoy, no município de Amambaí (MS).

segunda-feira 27 de junho | Edição do dia

De acordo com a declaração oficial da Assembleia Geral do povo Kaiowá e Guarani (Aty Guasu), que publicamos na íntegra no Esquerda Diário, a ação resultou em dois mortos, além de diversos feridos, dados que não foram oficialmente divulgados. A ação da polícia do Mato Grosso do Sul foi organizada de forma ilegal, sem a apresentação de mandato de reintegração de posse e teve participação de pistoleiros contratados para realizar a expulsão dos indígenas dos territórios. A organização também relatou que policiais teriam tentado impedir o atendimento de dois feridos no hospital de Amambai.

Além disso, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) fala em três indígenas desaparecidos, duas mulheres e uma criança de sete anos.

As imagens divulgadas pela Aty Guasu são cenas de pura violência. A polícia do Governador Reinaldo Azambuja (PSDB) que, cumprindo seu papel como braço repressor do Estado, atua apenas para a proteção do interesse dos grandes capitalistas e de repressão da classe trabalhadora, do povo negro e dos povos indígenas. Esse ataque é responsabilidade do governo do estado do MS e também da negligência da Funai de Amambai que não atuou no sentido de protegerem os indígenas e facilitaram o massacre.

Azambuja, que já foi grande apoiador de Alckmin enquanto compartilhavam o mesmo partido, é defensor do agronegócio e já realizou declarações defendendo o aumento de áreas agricultáveis no país. Enquanto isso, não se pronunciou sobre o ataque, que está sendo muito pouco divulgado pela mídia burguesa.

Há um avanço da violência contra os povos indígenas desde o início do governo Bolsonaro e com avanço dos militares e extrema-direita, que aumentou ainda mais a influência do agronegócio, o que aparece com o avanço do Marco Temporal, que corre neste momento no STF.

Esse ataque violento no Mato Grosso do Sul, um Estado que tem historicamente uma grande força do agronegócio, está longe de ser um caso isolado. Em 2016, fazendeiros reagiram após indígenas retomarem a Fazenda Yvu. Cerca de 100 homens armados invadiram o território, mataram um indígena e feriram pelo menos outros seis.

A tensão aumentou na região após o assassinato de um indígena guarani de 18 anos no dia 21 de maio deste ano. Alex Lopes foi morto quando foi coletar lenha nos limites do TI Taquaperi, onde morava. Ele teria sido atingido por cinco tiros e seu corpo levado para o outro lado da fronteira com o Paraguai, a cerca de 10 quilômetros do local da morte. Até agora ninguém foi preso e o caso segue sem solução.

No contexto do recente assassinato de Dom Philips e Bruno Pereira, é deixado ainda mais claro a confluência de diversas forças reacionárias, que demonstram o papel cada vez mais repressivo do Estado contra os povos indígenas, contra a preservação ambiental e em defesa da força reacionário que é o agronegócio no país.

É necessário lutarmos por justiça a todos os mortos nessa “guerra” contra o agronegócio. Essa justiça apenas será arrancada através da luta, sem confiança no judiciário que respalda de maneiras diferentes esses ataques. A justiça deve ser arrancada através da mobilização nas ruas e para isso, chega a trégua das centrais sindicais. É preciso que a UNE, a CUT e CTB, dirigidas pelo PT e PCdoB convoquem mobilizações urgentes que permitam que toda a classe possa expressar com luta essa comoção e esse grito que está em nossa garganta. Devemos nos apoiar nos exemplos das manifestações indígenas que nessa última semana ocuparam as ruas de diversos lugares do Brasil por justiça a Dom e Bruno. Uma luta que acreditamos se fortalece com a participação da juventude, que está vendo o seu futuro ser esmagado também pela destruição ambiental. A união dos povos indígenas, junto com a classe trabalhadora, juventude, e com a população negra e quilombola, é a única resposta contra a ganância dos capitalistas.




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