Política

PF quer ouvir doleiro em inquérito que investiga propina a Temer

A Polícia Federal (PF) deverá ouvir o delator Lúcio Funaro no inquérito que apura se o presidente Michel Temer recebeu vantagens indevidas em troca de favorecimento a empresas do setor portuário com a edição do Decreto dos Portos em maio de 2017.

segunda-feira 2 de julho| Edição do dia

Se a turbulenta conjuntura política do país parecia dar trégua até a aproximação das eleições e suas disputas, o interesse da Polícia Federal em ouvir o doleiro Lúcio Funaro, tido como o principal arrecadador do grupo ligado a Temer na Câmara, pode trazer novos elementos nesse contexto.

Na delação, Funaro apontou que o presidente tem negócios com a empresa Rodrimar e teria influenciado diretamente a aprovação da MP 595/13, conhecida como Medida Provisória dos Portos, para defender interesses de grupos ligados a ele. A MP foi aprovada em maio de 2013. Funaro falou sobre uma possível comissão para políticos pela aprovação da MP, entre eles Temer, e citou também o grupo Libra e pelo menos um sócio do grupo.

O ministro Luís Roberto Barroso, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, autorizou novas diligências até manifestação da Procuradoria-Geral da República, mas ainda não se pronunciou sobre o pedido de prorrogação.

Embora o inquérito tenha sido aberto para apurar fatos relacionados à edição do Decreto dos Portos, a investigação avançou sobre a atuação do grupo político de Temer para fatos anteriores ao decreto, mas também relacionados ao setor portuário.

A inclusão do acordo de Funaro reforça essa nova linha de investigação. Em sua delação ele abordou fatos relacionados à edição da Medida Provisória 595/2013, conhecida como MP dos Portos e que tinha o deputado cassado Eduardo Cunha (MDB) "como o articulador".

Cleyber Malta Lopes afirmou, ainda, que pretende usar o prazo adicional para analisar a relação da Argeplan, do coronel da reserva João Batista Lima Filho, com a empresa Eliland do Brasil, que teve contrato com 10 anos com a empresa Rodrimar, também investigada. "Será possível colher novos elementos relacionados às empresas que surgiram recentemente na investigação, com indicativo de utilização interposta pela empresa Argeplan e seus sócios, para intermediar contratos com empresas ligadas ao setor portuário, a exemplo da Eliland do Brasil."

Se Temer foi capaz de afogar as duas denúncias anteriores numa conjuntura muito mais desfavorável a ele, nada parece indicar que essa nova denúncia ganhará fôlego até as eleições, mas ao menos aponta o surgimento de novas nuvens cinzentas no antes cenário futuro para o presidente.

Com informações da Agência Estado




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