Inflação

Outubro registra maior alta de inflação desde 1995. Os capitalistas lucram com a fome no país!

Diversos fatores que incluem o escoamento do dinheiro das exportações brasileiras para o exterior, consequentemente o dólar alto e a especulação financeira em cima da alimentação da população trazem um cenário que já vinha assolando a população antes mesmo da pandemia

sexta-feira 23 de outubro| Edição do dia

De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), índice criado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o mês de outubro registrou uma alta no índice de inflação de 0,94%. É a maior alta em um mês de outubro em 25 anos, inferior apenas ao ano de 1995, que havia batido a marca de 1,34%. A maior parte dos produtos afetados foi de bens residenciais como eletrônicos e eletrodomésticos e, principalmente, alimentos. Os alimentos que mais tiveram alta foram a carne (4,83%), o arroz (18,48%) e o óleo de soja (22,34%). Os números alarmantes são resultado de vários acontecimentos, alguns devido aos impactos da pandemia, mas também de outros que são até mesmo anteriores a ela. Dentro do escopo da pandemia, podemos citar uma soma de fatores que ocasionaram isso, como a bolha da baixa desses alimentos devido ao aumento do consumo, por conta da quarentena. Porém, se projeta um retorno avassalador do aumento dos preços, muito em parte ao aumento do dólar em relação à antes da pandemia e um principal fator que ocasiona a escassez dos estoques de alimento e incide no aumento da desvalorização da moeda em relação ao dólar, a manobra financeira dos capitalistas desses setores, que não retornam os ganhos por exportação ao país devido aos juros, e por isso escoam o dinheiro para investimentos no exterior.

A retórica mais neoliberal ainda justifica os preços devido ao auxílio emergencial e o impacto que ele gerou, proporcionando alguma condição a mais de alimentação para o povo em meio à pandemia, mesmo que isso não represente algo minimamente digno, com 600 reais, que não é de longe o suficiente para uma família se manter. Segundo essa linha, o povo passou a consumir mais alimentos, o que impactou os estoques das produções. Uma linha de pensamento extremamente negligente e nefasta, porque desconsidera os capitalistas da produção rural como atores que apenas buscam seus lucros e não dão a mínima para a fome no país, aproveitando as vantagens do cenário da pandemia e da alta do dólar para especular, ora aumentando o preço dos produtos internos, ora utilizando os estoques para exportar, e além disso, especula com a própria fome do povo, já que vê o direito básico da população ter alimentação como um fator problemático na alta dos preços, tudo para desviar as atenções do real problema que são as manobras dos capitalistas para lucrar com a fome do povo.

Mas a alta da inflação e o aumento da desvalorização da moeda não são problemas estritamente atrelados a atipicidade da pandemia. O governo servil de Bolsonaro coloca o país em uma posição de completa entrega aos países imperialistas desde antes da pandemia, que, principalmente em um cenário de dólar alto, que já vinha desde antes da pandemia, Configura o Brasil como um exportador de commodities de baixo custo, o que serve apenas para dar lucro aos capitalistas agrários, enquanto suas parcerias, principalmente com o governo Trump, lhe rendem, na verdade, ainda mais taxação, em produtos primários, como o aço, enquanto os manufaturados importados de vários setores são despejados aqui, cada vez mais caros.

A política de Bolsonaro demonstra claramente que está do lado dos capitalistas, que esgotam o Brasil para lucrar e enviar dinheiro ao exterior, e dos imperialistas que assaltam o país por meio da vassalagem de Bolsonaro que coloca o país a disposição das demandas estrangeiras, mesmo que isso signifique a fome do povo Brasileiro. O auxílio emergencial, que inclusive já foi diminuído, não foi nenhuma benesse do governo, apesar de ter se utilizado disso para restaurar a imagem deteriorada de Bolsonaro. Se com uma mão (e a contragosto do próprio Bolsonaro) o governo cedeu uma renda miserável para que o povo apenas não morresse de fome durante a pandemia, com as duas cedeu tudo o que podia ao capitalismo de diversos setores, que no final das contas, pretendem descarregar tudo de volta nas costas do trabalhadores




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