Gênero e sexualidade

Os oprimidos não tem nada a comemorar com o aniversário de Stalin

O avanço da burocratização do partido bolchevique e da Russia sobre o controle de Stalin, a nova constituição retrocedeu muitos nos direitos conquistados pela revolução de 17. Por esse motivo para as mulheres, negros e LGBTs não há nada a comemorar com o aniversário de Stalin.

terça-feira 20 de dezembro de 2016| Edição do dia

A revolução de 1917 não somente trouxe inúmeros avanços para as LGBTs do estado operário na Rússia, como também no resto do mundo. Em 1921 o médico Magnus Hirschfeld organizou o grande "Encontro Internacional para a Reforma Sexual", levando médicos, cientistas e filósofos do globo todo para uma profunda discussão sobre sexualidade, em especial a homossexualidade. Já naquele ano, dentro do congresso, o estado operário dirigido por Lenin foi tomado como exemplo de avanços nas questões sexuais, pois sua legislação eliminou as leis de perseguição aos homossexuais, um verdadeiro marco.

Infelizmente em 1936, com o avanço da burocratização do partido bolchevique e a Russia sobre o controle de Stalin, a nova constituição retrocedeu muitos nos direitos conquistados pela revolução de 17. Na nova constituição é incluída a ’cláusula de pederastia’, onde os homossexuais além de perderem sua proteção pelo estado, passam a ser perseguidos novamente, agora pelo regime de Stalin. De certo aplaudido de pé pelo Vaticano.

Hoje os setores stalinistas da esquerda, numa tentativa de reconstrução, falseiam documentos e provocam confusionismo com a historiografia para tentar encobrir os crimes de Stalin à classe trabalhadora e setores oprimidos. Não dizem, mas são os filhos e netos dos mesmos burocratas stalinistas que passaram as últimas décadas se negando a discutir as opressões como pilar fundamental do capitalismo. São os mesmos que além da postura sectária em se recusas a discutir opressão (mesmo que em chave classista e revolucionária), manchando assim o marxismo para várias gerações dos setores oprimidos, no Brasil afundaram e traíram inúmeros levantes do movimento negro contra a burguesia, pois não podiam pôr em jogo sua aliança com a burguesia nacional.

Nós, os trotskistas, temos uma tradição totalmente avessa à tradição stalinista. Para nós o debate contra as opressões é central! Trotsky, ao lado de Lenin e milhões de trabalhadoras e trabalhadores, batalhou pela revolução e o avanço de direitos dos grupos oprimidos. Trotsky, contemporâneo a Kollontai e Frida Kalho, contribuiu fortemente para as discussões acerca da família nuclear, monogamia etc. Em sua obra "Questões do Modos de Vida" se pode encontrar textos dele sobre esse tema. Também foi o camarada Trotsky um dos principais elaboradores da teoria de autodeterminação dos povos, debate tão central para os povos negros há tanto tempo.

Portanto, não venham os stalinistas em estado de putrefação, e até mesmo os mais covardes que não se assumem seguidores de Stalin mas passam pano para seus crimes, falar de combate às opressões e comunismo. A nossa tradição sim combate as opressões, a de vocês só prestou desserviço aos oprimidos e ao legado das revoluções.




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