Internacional

POR UMA INTERNACIONAL DA REVOLUÇÃO SOCIALISTA

Os combates da Fração Trotskista pela Quarta Internacional

Apresentamos nesta nota um informe dos principais combates da FT-QI na Argentina, França, Chile, Brasil, México, EUA, Estado Espanhol, Alemanha, Bolívia, Venezuela e Uruguai.

quarta-feira 26 de abril| Edição do dia

Leia na íntegra o manifesto "Construamos um Movimento por uma Internacional da Revolução Socialista

Argentina

Partido dos Trabalhadores Socialistas

O governo dos CEO(executivos de grandes empresas) encabeçado por Mauricio Macri dedicou todo o seu primeiro ano de administração ao ataque aos interesses dos trabalhadores e setores populares. Para isso contou com o insubstituível apoio de boa parte da Frente Para a Vitória (partido do qual parte do kirchnerismo pertence), da Frente Renovadora de Sergio Massa e da burocracia sindical peronista. A chegada de Trump à presidência dos EUA coloca novos obstáculos ao projeto neoliberal de Macri de “voltar” aos mercados internacionais depois de 2016 ter sido marcado pela recessão e a alta inflação. O peronismo e o kirchnerismo em particular buscam capitalizar demagogicamente o debilitamento do governo frente às eleições legislativas deste ano.

Neste cenário, a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT na sigla em espanhol) se consolidou como a quarta força nacional frente aos três blocos burgueses (macrismo, kirchnerismo e o peronismo “renovador”). Nas últimas quatro eleições tivemoscerca de um milhão de votos. No entanto sua influência vai além das eleições. Se constituiu como uma referênciapolítica e ideológica inevitável em nível nacional e mobilizou mais de 20 mil pessoas no final de 2016 em um ato em um estádio de futebol. Dentro da FIT o Partido de Trabalhadores pelo Socialismo (PTS) defende que o desenvolvimento da frente passa por aprofundar a intervenção na luta de classes e para abrir cada vez mais suas fileiras à vanguarda operária, da juventude e do movimento de mulheres, defendendo sem hesitar seu programa de independência de classe. Com essa política as lideranças do PTS Nicolás Del Caño e Myriam Bregmanencabeçaram as listas nacionais da FIT nas últimas eleições presidenciais depois de obter a maioria dos votos nas eleições primárias. Atualmente, como parte da luta eleitoral, o PTS na Frente de Esquerda lançou uma campanha para colocar no debate nacional a luta pela jornada de trabalho de 6 horas sem redução salarial, para terminar com o desemprego e a precarização e retomar a luta histórica do movimento operário pela redução da jornada de trabalho.

O PTS se caracteriza há anos por um trabalho sindical e político no movimento operário. Atualmente conta, somente no movimento operário, com mais de 2500 companheiros e companheiras com atividades em 62 sindicatos em todo o pais, constituindo a corrente militante operária mais forte da esquerda argentina. Longe de se limitar a “gestão” sindical, seus militantes tiveram e têm um papel protagonista na maioria dos principais conflitos da vanguarda operária dos últimos anos (Jabón Federal, Maffissa, Kraft, ferroviários terceirizados, LEAR, Zanon, Donnelley, Metrô, servidores públicos, professores, entre outros). Esta militância operária nutriu centenas de listas eleitorais do PTS na Frente de Esquerda, continuidade de uma prática cotidiana para combater – como dizia Lenin quando falava de “tribunos do povo” – todas as injustiças, as ofensas e os abusos que sofrem os setores populares e oprimidos. Por sua vez, atualmente o PTS está focado em aprofundar sua influência em “posições estratégicas” do transporte e dos serviços assim como no importante sindicalismo de professores. Buscando multiplicar seus “centros de gravidade” e ampliar sua capacidade de luta por uma Frente Única Operária para encarar os enfrentamentos da luta de classes.

O Pão e Rosas, a agrupação de mulheres impulsionada por militantes do PTS e independentes, é a principal organização militante do movimento de mulheres, que na Argentina ano após ano vem protagonizando mobilizações multitudinárias. A juventude estudantil do PTS, com presença no movimento secundarista e na grande maioria das universidades do país, luta por um movimento estudantil militante unido à classe trabalhadora.

O PTS também dá a batalha no terreno da opinião pública, defendendo uma agitação revolucionária permanente, não só através da presença de suas figuras políticas nos meios oficiais, mas também impulsionando o Izquierda Diário, atualmente um dos principais diários digitais do país com 60 a 120 mil visitas diárias. No terreno do debate ideológico, o PTS impulsiona junto com intelectuais na FIT a principal revista do marxismo militante, Ideas de Izquierda, o Centro de Investigações e Publicações “Leon Trotski”, e a editora marxista do Instituto do Pensamento Socialista.

Através destas ferramentas e deste trabalho político e em uma situação atual de pouca luta de classes, o PTS busca explorar a influência política e ideológica da FIT para o desenvolvimento de fortes agrupações no movimento operário, estudantil, de mulheres dos quais surjam novas camadas de militantes que tomem em suas mãos a luta por colocar de pé um partido de trabalhadores revolucionário na Argentina que possa ser um fator decisivo nos enfrentamentos chave da luta de classes.

Chile

Partido de Trabajadores Revolucionario (Partido de Trabalhadores Revolucionário)

O Chile segue atravessado por uma profunda crise do regime político herdado da ditadura pinochetista. As ilusões geradas pelo segundo governo de Bachelet se evaporaram rapidamente. Os partidos tradicionais, tanto da direita como da centro-esquerda do regime, são rechaçados massivamente.

Mas esta crise no terreno político não caiu do céu. A luta dos estudantes por educação gratuita; dos trabalhadores contra o sistema de aposentadoria da ditadura e das mulheres contra a violência machista, destroçaram o consenso neoliberal e foram questionando pilares centrais do sistema capitalista. A deslegitimação do Partido Comunista coloca a emergência de novos fenômenos políticos à esquerda. O surgimento da Frente Ampla constitui a expressão local de um novo reformismo que pretende conquistar direitos sociais através da gestão das instituições do estado burguês sem romper com o capitalismo.

Antineoliberalismo ou anticapitalismo? Esta é uma das perguntas cruciais colocadas para a esquerda. O trotskismo representado pelo Partido de Trabalhadores Revolucionários (PTR), vem se constituindo como a corrente mais dinâmica da extrema esquerda chilena. Isto se expressa na conquista da vice-presidência da FECH por Bárbara Brito, que é por sua vez uma das principais referências do movimento #NiUnaMenos, um dos maiores da América Latina; se expressa também no peso de nossos representantes sindicais em Antofagasta, o espaço que veio adquirindo o Izquierda Diario no exitoso processo de constituição legal do PTR para apresentar candidatos nas próximas eleições.

Fomos parte ativa dos diversos processos de luta que vêm acontecendo desde a luta estudantil de 2011. A férrea resistência dos empresários em mudar qualquer aspecto da herança pinochetista, mostra a necessidade de impulsionar uma Frente Única Operária, que hoje pode tomar forma a partir da coordenação desde a base do movimento contra o sistema de pensões, os novos fenômenos sindicais, o movimento de mulheres e o movimento estudantil. A partir destas posições conquistadas, nos propomos articular uma alternativa anticapitalista, revolucionária e socialista dos trabalhadores. A partir da construção de fortes agrupações, pretendemos chegar a centenas de trabalhadores, jovens e mulheres. Também nos propomos a abrir um debate programático com grupos que vêm se aproximando de nossas ideias com o objetivo de convergir em um programa transicional e uma estratégia marxista revolucionária. Nosso objetivo é construir um grande Partido Revolucionário da classe operária que consiga instalar-se como uma força anticapitalista e revolucionária no cenário político nacional.

México

Movimiento de los Trabajadores Socialistas (Movimento de Trabalhadores Socialistas)

Com a chegada de Trump e o anúncio de um novo muro fronteiriço e a deportação de milhões, cresceu o descontentamento contra o governo dos EUA e Henrique Peña Nieto, responsável pelas reformas estruturais e a entrega dos recursos energéticos. Dezenas de milhares se mobilizaram nos meses passados contra o aumento da gasolina, e a armadilha de uma "unidade nacional" em torno do governo não conseguiu apoio popular.

Frente à crise política do governo, Andrés Manuel Lopez Obrador (AMLO), candidato do centro-esquerdista Morena, cresce nas prévias para as eleições presidenciais de 2018. AMLO atrai empresários e integrantes dos velhos partidos patronais (PRI, PAN, PRD), e sua proposta se concentra no "combate à corrupção" e a reforma do regime responsável pelo massacre de Ayotzinapa.

Nesta situação, no dia 8 de março dezenas de milhares de mulheres saíram às ruas. Pan y Rosas México marchou com um combativo contingente de 500 pessoas, contra o feminicídio, o assédio, os baixos salários e em solidariedade às migrantes. Temos a grande tarefa de construir uma grande agrupação nacional do Pan y Rosas de milhares, para lutar pelos direitos das mulheres e da comunidade sexodiversa e colocar de pé um movimento de mulheres anti capitalista, socialista e revolucionário.

O Movimento dos Trabalhadores Socialistas está na vanguarda da luta parar colocar de pé uma alternativa de independência de classe, depois de décadas onde a esquerda se subordinou a diferentes projetos burgueses ou pequeno-burgueses (PRD, zapatismo, etc). Sem querer ir muito longe, o MTS apresentou no ano passado a primeira candidatura independente da esquerda das últimas duas décadas, encabeçada por dois trabalhadores da educação. Hoje, frente à política xenófoba de Trump, impulsionamos um grande movimento nos dois lados da fronteira, contra as deportações e o muro fronteiriço. A partir do Izquierda Diario México, junto ao Left Voice nos EUA, levantamos as bandeiras do anti-imperialismo e do internacionalismo: os trabalhadores dos dois países devem unir-se contra ambos os governos e pelo Fora imperialismo ianque da América Latina. Nos EUA, a classe operária e a juventude devem lutar contra o saque dos recursos energéticos do México e a anulação da dívida externa.

Frente aos partidos tradicionais (PRI-PAN-PRD) e o Morena, que quer administrar e reformar o capitalismo sob um discurso "antineoliberal", nós do MTS assumimos o desafio de construir uma grande organização socialista, anti-imperialista e revolucionária.

Brasil

Movimento Revolucionário de Trabalhadores

No Brasil, o MRT vem dando uma batalha política decisiva, em um momento que dividiu águas na política nacional e também na esquerda: o golpe institucional contra o PT, alimentado por uma política do próprio petsmo de conciliação com os capitalistas, corrupção e ajustes contra os trabalhadores.

O governo golpista de Temer se mantém, sem nenhuma popularidade, com base na promessa de ataques ainda mais frontais, como as reformas previdenciária e trabalhista. A magnitude dos ataques despertou a resistência das massas, que no dia 15 de março se expressou em uma paralisação nacional encabeçada pelos trabalhadores dos transportes, serviços e educação, impactando nas fábricas e despertando enorme apoio popular.

Para além dos giros à direita e à esquerda na conjuntura, o país segue em uma "crise orgânica”, posta em funcionamento pelas jornadas de junho de 2013, quando centenas de milhares se levantaram contra o governo do PT, exigindo mais direitos e abrindo um novo espaço para as lutas democráticas das mulheres e dos negros.

O conjunto dos partidos tradicionais vive uma crise, gerada por escândalos de corrupção e banhada pela operação judicial da Lava Jato — paródia da operação “Mãos Limpas” italiana — que busca renovar o sistema político “pela direita”.

O PT tenta se relocalizar como oposição a Temer e apresenta o Lula 2018 como um “milagre” da volta às condições de bonança, como se a crise mundial não existisse. Enquanto tudo isso acontece, segue pactuando com os golpistas no Parlamento para tentar livrar-se da Lava Jato; nos estados onde governam, como Minas Gerais, são implementadores dos ajustes; e através da burocracia sindical, bloqueiam e freiam o desenvolvimento da mobilização das massas.

O MRT luta para derrotar Temer na luta de classes, exigindo uma verdadeira Frente Única Operária às centrais sindicais, assim como chamamos o PSOL a colocar seus parlamentares a serviço da luta, para que se organize um plano de lutas sério, que mobilize milhares de ativistas em plenárias abertas nos locais de trabalho e de estudo, assembleias de base e eleição de delegados comprometidos com a luta, que impeçam novas traições da burocracia sindical e que prepare ações ainda maiores que o 15 de março, até colocar abaixo as reformas e passar à ofensiva.

Para concretizar, demos uma dura batalha por exemplos dessa política em lugares onde temos peso, como na Universidade de São Paulo (USP), em professores, no metrô de São Paulo e na Universidade do estado do Rio de Janeiro (UERJ). Além disso, o MRT também conquistou um importante espaço impulsionando o Esquerda Diário, que vem se convertendo no principal meio digital à esquerda do PT, chegando a quase 1 milhão de acessos mensais, onde apresentamos nossas candidaturas anticapitalistas (como candidaturas democráticas na chapa do PSOL) em cinco cidades em 2016, chegando a milhares de votos.

É sobre essas bases que, frente à crise política, lutamos por uma nova Assembleia Constituinte Livre e Soberana, imposta pela luta, na perspectiva de um governo operário e popular, em ruptura com o capitalismo.

França

Companheiros da FT-CI na Courant Communiste Révolutionnaire (Corrente Comunista Revolucionária) do NPA

Seja pelos reacionários atentados que golpearam várias vezes seu território, seja pelo longo movimento social contra a reforma trabalhista de Hollande (o primeiro contra um governo social-democrata), a realidade francesa está no centro da política europeia e mundial. Nos últimos meses, um processo eleitoral inédito chamou atenção pública: os casos de corrupção e abuso de poder do principal candidato da direita, François Fillon, junto a dezenas de parlamentares que, com uma impunidade própria da nobreza, se beneficiam e a seus familiares com empregos fictícios, entre outros negócios escusos, comoveram a população, que está farta da classe política. A extrema direita também foi atingida por esses “affaires”.

Como resultado disso e de sua incapacidade de resolver depois de anos o desemprego massivo e a queda do poder de compra do salário (os dois pilares do antigo regime da V República) a direita tradicional e o Partido Socialista estão se desfazendo em pedaços. Pela primeira vez desde a fundação do atual regime em 1958 com De Gaulle, o próximo presidente poderia ser eleito (segundo as prévias dos dias atuais) entre a extrema direita nacionalista, e a formação de centro ("nem de esquerda nem de direita") encabeçada por Emanuel Macron, que encarna um tipo de neoliberalismo "new age". O mais provável é que haja um presidente por ausência, cuja vitória eventual seja produto de um voto anti Le Pen, e não de uma adesão majoritária a sua pessoa ou projeto. Assim, experimentará enormes dificuldades para governar e poder aplicar seus planos contra os trabalhadores e o povo.

É neste marco que a apresentação de Philippe Poutou tem maior importância, candidato operário às eleições presidenciais pelo Novo Partido Anticapitalista (NPA). A partir da corrente comunista revolucionária, onde militamos dezenas de camaradas da FT-CI, nos lançamos integralmente a que sua candidatura estivesse presente na eleição, vencendo as enormes travas antidemocráticas que exigem o aval de 500 funcionários eleitos para poder apresentar-se candidato. Só foi possível conquistá-la graças à batalha política e democrática dada, marcando o contraste entre Philippe, o único político não profissional (trabalhador da Ford) e outros candidatos dos partidos do regime, e com o esforço militante de uma parte da organização.

O Révolution Permanente (RP), nosso diário digital, foi um dos principais porta-vozes desta luta, assim como “tribuno do povo" da denúncia contra os políticos do regime, unidos como unha e carne às grandes empresas e interesses imperialistas da França. Se o RP teve seu batismo de fogo nas lutas de 2016, transformando-se em um dos porta-vozes da extensa vanguarda anticapitalista, hoje passa por um segundo batismo no processo de deslegitimação do regime e na luta por uma política operária independente, que tem como eixo a luta "Trabalhar Todos, Trabalhar Menos" para resolver o drama do desemprego, a precarização, o "burn out" laboral (que já levou dezenas de trabalhadores ao suicídio). Os acessos a RP não deixam de aumentar, situando-se entre 500 mil e 700 mil mensais. Por sua vez, uma corrente de simpatia e militância no movimento operário em especial nos ferroviários começar a organizar-se, e nossos porta-vozes de juventude estiveram na vanguarda de unir a denúncia às hostilizações racistas, com dezenas de mortes nos bairros populares, à crescente repressão ao movimento operário, aos estudantes e secundaristas. Desta forma, coloca a necessidade de que o movimento operário seja o campeão das lutas contra as injúrias e sofrimentos de todo o povo, em especial os setores mais explorados e oprimidos. O RP também vem conquistando o feito de que uma voz anti-imperialista e internacionalista seja ouvida não apenas na França metropolitana ou em países europeus próximos como Bélgica e Suíça, mas também em muitos países do Magreb, assim como nas colônias francesas em todo mundo.

Estado Espanhol

Grupo Clase contra Clase (Grupo Classe contra Classe)

A crise do regime de 78 segue aberta e o Podemos se alçou como uma enorme mediação de esquerda. Agora já coloca as cartas de seu programa e estratégia: buscar o acordo com os social-liberais do PSOE para uma gestão do capitalismo como a que aplicam nas "agrupações pela mudança": muito se fala, mas nenhuma resolução dos problemas sociais, onde só há pacto com a casta política e os capitalistas. A partir do Classe Contra Classe viermos denunciando esta crescente integração no regime e como o reformismo se demonstra impotente e utópico para resolver as grandes demandas sociais e democráticas como o fim da monarquia, o direito à autodeterminação, acabar com a miséria das massas, a precarização e os planos de ajuste. Frente à ilusão de querer reformar o capitalismo e o regime de 78, viemos levantando um programa para colocar fim a este regime por meio da mobilização operária e popular por um processo constituinte, junto à luta por um programa de saída operária para a crise com medidas como o a divisão das horas de trabalho sem redução salarial, a nacionalização sob controle operário das empresas e o não pagamento da dívida, na perspectiva da luta por um governo de trabalhadores de ruptura com o capitalismo.

Um programa que nos propomos lutar em comum com aquele setores operários e populares que começam a fazer uma experiência com o reformismo e que conquistaram no IzquierdaDiario.es uma valiosa ferramenta para ampliar sua difusão e influência.
No movimento de mulheres, o Pan y Rosas vem avançando — como se viu nos cortes do 8M — e tem a possibilidade de desenvolver-se ao calor da luta por uma ala à esquerda que defenda um programa contra o patriarcado e o capitalismo e por sua vinculação com a luta da classe operária.

Alemanha

Revolutionäre Internationalistische Organisation (Organização Internacionalista Revolucionária)

A nível internacional, a Alemanha segue sendo um polo de relativa estabilidade. Ainda assim, a chegada de Trump ao poder nos EUA é um catalisador de importantes mudanças nos próximos tempos, enquanto a crise na União Européia segue aberta. No âmbito nacional, a partir da crise migratória, o regime começou a ser questionado por setores da população, sobretudo por parte da direita populista. Pela esquerda, os fenômenos de resistência não foram massivos, ainda que tenha havido mobilizações de juventude e greves importantes. A recente aparição do socialdemocrata Martin Schulz como possível sucessor de Angela Merkel é uma tentativa de resposta do regime a esses fenômenos.
Contra os principais líderes mundiais no topo do G20 em Hamburgo nesse julho, nós levantamos que a única saída progressista dessa crise e dos conflitos geopolíticos que estão no horizonte, é a luta por uma alternativa de classe ao imperialismo alemão e seus agentes nos partidos reformistas.
Como Organização Internacionalista Revolucionária, sustentamos – através de nosso site Klasse Gegen Klasse – um programa anti-imperialista, socialista e de independência de classe contra essas variantes burguesas. Militamos no movimento de juventude antirracista e no movimento feminista, e apoiamos os trabalhadores em suas greves, colocando a necessidade de unificar as lutas e a necessidade de um programa antiburocrático.

Estados Unidos

Left Voice (Voz da Esquerda)

Nos Estados Unidos se vive um clima político de polarização como não existia há décadas. O avanço da direita e o racismo expressado no triunfo de Trump se contrapõem a um ressurgimento das mobilizações massivas e um renovado interesse pelo socialismo, especialmente na juventude. Milhares de jovens nutrem um novo ativismo e a militância política em distintas organizações de esquerda.
A partir do Left Voice, intervimos no estratégico debate sobre como reconstruir uma esquerda revolucionária com delimitação de classe e evitar a armadilha da Frente Popular anti-Trump, que só pode levar à recuperação e fortalecimento do Partido Democrata.
Lutamos para que o movimento de mulheres e o movimento contra o racismo e a brutalidade policial finquem suas raízes na classe operária com uma perspectiva revolucionária.
Somos internacionalistas e entendemos que a burguesia imperialista norte-americana é representada pelo bipartidarismo que bombardeia diariamente os povos do Oriente Médio. Levantamos um programa anti-imperialista contra o saque de recursos e a opressão imperialista no México e por um programa operário dos dois lados da fronteira.

Bolivia

Liga Obrera Revolucionaria (LOR-CI) [Liga Operária Revolucionária]

As tentativas de Evo Morales de reformar a constituição pactuada com a direita em 2008 para apresentar-se a um quarto mandato presidencial, provocou a eleitoralização prematura da situação política. A liquidação do Partido dos Trabalhadores, apoiado nos sindicatos, por parte da burocracia sindical, está impedindo que se expresse a voz dos trabalhadores para defender as fontes de emprego e salário.
Neste cenário as mulheres estão na vanguarda, que como se viu no 8M, com as trabalhadoras de saneamento urbano e as da construção civil encabeçando os protestos e as demandas por seus direitos trabalhistas e de gênero. A agrupação de mulheres socialistas do PyR (Pan y Rosas, em português Pão e Rosas), impulsionada pela LOR-CI e independentes, são inquestionavelmente vanguarda deste fenômeno. Os próximos meses serão chave para dar passos na colaboração e impulso para um poderoso movimento de mulheres independente do Estado e dos partidos patronais. Mas também para a organização dos trabalhadores avançados que querem recuperar a independência política para ter as mãos livres para lutar. Nesse sentido, a LOR-CI impulsiona junto a dezenas de companheiros em fábricas e universidades a discussão para dar passos na luta por um partido dos trabalhadores, genuinamente anticapitalista e revolucionário, que enfrente tanto o MAS(Movimento al Socialismo)como a oposição, forjando um terceiro campo, operário e socialista.

Venezuela

Liga de Trabajadores por el Socialismo (Liga de Trabalhadores pelo Socialismo)

O país atravessa hoje uma das piores crises de sua história. É a crise de um capitalismo sanguessuga dependente; que não tem nada a ver com algum tipo de “fracasso do socialismo”. Mostra o fracasso de um nacionalismo burguês que optou por descarregar a crise não sobre os capitalistas, mas sobre os trabalhadores e o povo pobre, fazendo uso de todo tipo de medidas bonapartistas. Isso golpeou fortemente o ânimo do movimento de massas. A direita, aliada do imperialismo, aproveita essa decepção para distribuir demagogia e busca conquistar os trabalhadores e o povo pobre para impor seu projeto reacionário, ao passo que busca maiores níveis de intervenção imperialista.

É necessário sentar as bases de uma alternativa de independência de classe frente a ambas as alas, contra a subordinação do movimento operário e popular ao chavismo e contra a variante opositora de direita. Para que isso seja possível, se impõe extrair lições de como um movimento que contou com um enorme apoio de massas e disposição ao combate levou a esse beco sem saída, e lutar pela constituição do partido operário revolucionário, e um governo próprio dos trabalhadores e do povo pobre. A partir da LTS e das páginas de nosso diário digital, La Izquierda Diario Venezuela, buscamos contribuir a essa perspectiva.

Uruguai

Juventud Revolucionaria Internacionalista (Juventude Revolucionária Internacionalista)

No Uruguai se completam 12 anos de governos de frentes amplas, e os trabalhadores se veem obrigados a enfrentar fechamentos de fábricas, demissões e congelamentos de salários. A estrutura econômica da era neoliberal não foi questionada em seus aspectos principais como a dívida externa, a estrutura da propriedade da terra, a política monetária e a penetração de capitais transnacionais, entre outros aspectos. No âmbito dos trabalhadores de serviços públicos, o governo vem descarregando um ajuste fiscal, degradando as condições trabalhistas e as conquistas dos trabalhadores, o que detonou importantes lutas, sobretudo entre professores e estudantes.

As tarefas históricas da juventude e da classe trabalhadora uruguaia seguem sendo as mesmas: extrair as lições estratégicasda Frente Ampla e superá-la pela esquerda, evitando um retorno da direita demagógica. Depois da grande mobilização do 8 de março que convocou centenas de milhares de pessoas contra a violência à mulher, nós que construímos o La Izquierda Diario, colocaremos todas as nossas forças no próximo período para construir a agrupação de mulheres Pan y Rosas e brigar pelo surgimento de uma Liga de Trabalhadores pelo Socialismo no Uruguai.




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