Educação

REORGANIZAÇÃO ESCOLAR

Orientações da dirigente de ensino de Marília: espionar ocupações e repressão policial para apoiadores.

Vaza o Documento enviado pela Dirigente de Ensino de Marília, Ivanilde Elias Zamae, que orienta as direções das escolas para que espionem ocupações e para que chamem a força policial para deter os apoiadores, especificamente os da APEOESP e da UNESP.

quarta-feira 2 de dezembro de 2015| Edição do dia

“Filmem e fotografem o máximo possível e enviem relatórios constantes com informações sobre o número de pessoas, se são alunos, pais, ao que quer que seja, ao e-mail da DE [...] para que eu possa alimentar São Paulo, para as providências serem tomadas”

Parece uma orientação dos tempos da ditadura militar, mas é a que a Dirigente de Ensino de Marília, Ivanilde Elias Zamae, enviou às escolas em 19/11/2015. Após diversos atos, abaixo- assinados, cartas, ocupações da DE e agora das escolas, a preocupação de Ivanilde em momento algum foi de dialogar de maneira séria com as reivindicações dos manifestantes. Sua preocupação é outra: espionar as ocupações com filmagens, fotos e relatórios constantes para “alimentar São Paulo”… “para que as providências sejam tomadas”. Em outras palavras: espionar para avaliar o melhor momento de REPRIMIR o movimento. Quais seriam estas “providências” senão repressão policial, abrir processos administrativos contra os professores apoiadores, perseguir estudantes?

Por mais que o chefe de gabinete do secretário da educação, Fernando Pádula, tenha orientado os dirigentes de ensino - em reunião realizada ontem (29/11)
para que estes finjam que estão abertos ao diálogo enquanto atacam o movimento, ficará difícil para Ivanilde enganar alguém diante de tantas mostras de seu autoritarismo sem tamanho.

“Não podendo evitar [as ocupações] permitam que somente os alunos fiquem no espaço da escola, os demais, APEOESP, UNESP, solicitem a polícia a retirada deles e o encaminhamento para o distrito policial para registrar B.O”

A orientação da Dirigente de Ensino neste ponto do documento fica mais clara, e se assemelha a qualquer documento datado da Ditadura Militar, que tanto perseguiu sindicalistas e estudantes universitários que se manifestavam contra o governo.

A reorganização acarretará diminuição de emprego aos professores, superlotará salas, pautas antigas das greves de professores. Por que então os professores devem estar proibidos de se ligarem aos alunos nessa luta no espaço da escola? Por que o sindicato dos professores está proibido de se ligar aos alunos para lutar por suas reivindicações, sob ameaça de repressão policial? A proibição da atuação política sindical contrária ao governo com ameaça de polícia é escandalosa. É inadmissível que o sindicato dos professores esteja proibido de entrar no local de trabalho da categoria que representa, ou seja, as escolas, sobretudo em meio a uma luta tão importante para estudantes, professores, e toda comunidade.

Também estudantes universitários da Unesp devem ter o direito de lutar e de se manifestar ao lado dos estudantes secundaristas pela educação pública, algo que também os afetará. É um absurdo que a orientação da dirigente seja a solicitação da polícia não por cometerem algum crime, mas apenas por estarem presentes no local, a presença no ato político em si já deve dar em “B.O.”. Aqui não há nenhum respeito pelo direito de manifestação política, nenhum respeito pela educação, e se torna um crime que professores sindicalistas e estudantes universitários apenas participem do movimento.

A diretora de Ensino abandona qualquer máscara em relação à sua função profissional e mostra que é uma militante política disposta a tudo para defender a política criminosa do governo Alckmin de “reorganizar” escolas de forma antidemocrática, disposta a utilizar todas as armas contra os que se destacarem como apoiadores da luta e que possam dar força ao movimento – neste caso: professores ligados ao sindicato e estudantes da Unesp. É uma atitude antissindical, acima de qualquer direito democrático,

Repressão no Sylvia Ribeiro: responsabilidade de Ivanilde.

A brutalidade dos cassetetes e gás de pimenta da Polícia Militar dentro da escola Sylvia Ribeiro em Marília contra estudantes secundaristas e universitários repercutiu nos noticiários de todo país. Aqui fica claro que a repressão foi uma orientação e é de total responsabilidade da Dirigente Ivanilde. É evidente que no Sylvia Ribeiro esta orientação foi usada como desculpa para tentar sufocar a todo custo a primeira ocupação de Marília. Afinal fica difícil acreditar que a Cavalaria, Canil, 4 viaturas da Força Tática, Motos e Uma dezena de Viaturas da Polícia Militar que cercaram o quarteirão da escola (um verdadeiro cenário de guerra) estavam ali apenas para retirar menos de dez estudantes da Unesp que entraram na escola após os secundaristas a ocuparem e abrirem os seus portões. Objetivo que fracassou era de intimidar os secundaristas e impedir a ocupação.

Em geral, a orientação de chamar a polícia caso hajam estudantes da UNESP e professores da APEOESP é uma clara tática de tentar isolar as ocupações de seus apoiadores através da ameaça da repressão policial. Os estudantes secundaristas são quem deve decidir quem entra ou não – quem ajuda o movimento ou não. E a principal arma para fazer valer a decisão dos estudantes e vencer as ameaças da dirigente é justamente que as ocupações cada vez mais tenham o apoio da comunidade, dos pais, professores em geral, estudantes universitários e todo o apoio democrático que for possível. Fortalecer as ocupações cercando-as de solidariedade é a única maneira de garantir que as direções e a dirigente pensem duas vezes antes de chamar a polícia, justamente por saberem que se o fizerem muita gente estará mobilizada para denunciar e aumentar o movimento ainda mais.

Veja o documento na íntegra:




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