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Organizar os estudantes da UFMG contra Bolsonaro e o golpismo, com independência do PT

Nós estudantes da UFMG precisamos nos organizar para lutar contra a extrema direita representada por Bolsonaro em meio a estas eleições manipuladas pelo judiciário golpista, com independência do PT que, na figura de Haddad, já evidenciou que quer fazer um novo pacto de governabilidade com os golpistas e os grandes empresários. Venha com o bloco do Pão e Rosas para a manifestação no próximo sábado (29), na Praça Sete, às 14h.

Maria Eliza

Estudante de Ciências Biológicas na UFMG

terça-feira 25 de setembro| Edição do dia

Bolsonaro é a cara da extrema direita que odeia as mulheres, os negros, os LGBT e que quer aumentar a exploração dos trabalhadores, calar a esquerda e todos os movimentos de luta. Contra Bolsonaro, nas últimas semanas milhões de mulheres se expressaram nas redes sociais criando a hashtag #EleNão e convocando manifestações por todo o país para o próximo sábado (dia 29). Nós estudantes da UFMG precisamos nos organizar para participar dessa luta.

Essas são eleições manipuladas pelo judiciário golpista, que impediu o povo de votar em quem quiser vetando a candidatura de Lula e o prendendo arbitrariamente. É preciso combater os políticos golpistas que querem continuar o golpe institucional apoiados pelos generais e pelas Forças Armadas que estão cada vez mais intervindo na política nacional.

Uma luta realmente efetiva contra Bolsonaro e contra o golpismo precisa ser organizada a partir de uma estratégia que analise o caminho que nos fez chegar ao cenário atual, evidenciando que ele é fruto da política petista de conciliação de classes. É preciso ter total independência do PT que, em seus governos, já havia aberto espaço para a direita e pavimentado o caminho do golpe, governando com a direita, participando dos esquemas de corrupção, fazendo ajuste fiscal e governando para os capitalistas. Ao contrário deste caminho, precisamos enfrentar a extrema direita e os golpistas e lutar para que os capitalistas paguem pela crise, e não os trabalhadores e o povo pobre, como já vem acontecendo com Temer no governo.

Agora o PT, com a candidatura de Fernando Haddad, já está dizendo que quer governar de novo com o MDB de Temer e que quer "dialogar" até com o PSDB. E também vem fazendo um diálogo amigável com "os mercados", prometendo "responsabilidade fiscal", que em tempos de crise econômica, como agora, significa tirar da educação e dos direitos sociais para pagar a dívida pública, fazendo alguma Reforma da Previdência, por exemplo, como o próprio Haddad já prometeu. Pois não há condições econômicas para um governo que se comprometa a pagar esta dívida fazer pequenas concessões para as massas, como vem pregando o PT com o slogan “o brasil feliz de novo”. Essa também é a perspectiva de um governo de Ciro Gomes, que ainda que venha baixando nas pesquisas de intenção de voto, precisa ser dito que também não é uma alternativa.

A nossa luta vai muito além do voto porque, mesmo se derrotado nas urnas, Bolsonaro e seus 30% de eleitores continuarão pressionando à direita qualquer governo eleito, assim como todas as forças e instituições golpistas como o judiciário, as Forças Armadas etc. Precisamos nos preparar para enfrentar essa situação com nossos métodos de luta, com manifestações, ocupações e greves, que têm que ir muito além das eleições.

Não podemos permitir que nosso ódio contra Bolsonaro e nossa disposição de luta se transforme em apoio político ao PT e nem a Ciro Gomes, que já mostraram que não vão enfrentar o golpe e também vão fazer ataques aos nossos direitos, porque vão continuar pagando a dívida pública que rouba o dinheiro do nosso país.
O Pão e Rosas, junto à juventude Faísca, irá às ruas no próximo dia 29 com essas ideias, contra Bolsonaro e o golpismo, mas com total independência do PT, que quer fazer um novo pacto de governabilidade com golpistas e patrões, e de qualquer candidatura que represente um “mal menor”.

Estaremos nas ruas pelo direito ao aborto, que Bolsonaro jamais irá garantir, porque é inimigo das mulheres, e que o PT em 13 anos de governo também não legalizou porque preferiu os acordos com as bancadas religiosas no Congresso. Pelo não pagamento da dívida pública (que nenhum dos principais candidatos defende) para acabar com o roubo das nossas riquezas por um punhado de banqueiros estrangeiros e nacionais, e que é a justificativa para propostas como a PEC 55, chamada PEC do teto dos gastos (atual EC 95), contra a qual lutamos em 2016 aqui na UFMG.

E lutaremos por uma Assembleia Constituinte livre e soberana, que para nós é a única maneira de revogar todas as reformas e enfrentar todas as instituições desta democracia que sempre foi para os ricos e está cada vez mais controlada pelo golpismo. Numa constituinte assim poderíamos impor para o judiciário que os juízes sejam eleitos, revogáveis e recebam o salário como o de uma professora; estatizar de novo as empresas já privatizadas; deixar de pagar a dívida pública e legalizar o aborto. Para nós, esta é a única maneira de enfrentar o golpismo desta democracia degradada e abrir caminho para que os trabalhadores e o povo vejam a necessidade de lutar por um governo dos trabalhadores que rompa com o capitalismo, exproprie a burguesia e socialize os meios de produção sob controle democrático dos próprios trabalhadores, que é a perspectiva estratégica pela qual nós lutamos.

Para nós estudantes nos organizarmos efetivamente contra direita e a extrema-direita é fundamental que exijamos de nossas entidades de base, como CAs, DAs e DCE, que organizem espaços e assembleias para nos reunirmos e discutirmos essa conjuntura e o que fazer diante dela. Reflexões que vão além do período eleitoral, que nos levem a tirar planos de lutas a serem implementados em cada curso e prédio, na universidade e fora dela.




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