Educação

GREVE PROFESSORES

Organização pela a base como o método para a vitória

Nessa sexta-feira, a greve dos professores do estado de São Paulo completou sua terceira semana. A disposição do professorado para a luta ficou evidente no tamanho e na força da última assembleia.

Mauro Sala

Campinas

sábado 4 de abril de 2015| Edição do dia

Nessa sexta-feira, a greve dos professores do estado de São Paulo completou sua terceira semana. A disposição do professorado para a luta ficou evidente no tamanho e na força da assembleia da última quinta-feira, dia 02/04/2015, quando 30 mil professoras e professores marcharam pela cidade e ocuparam importantes vias, como a Av. Paulista e a 23 de Maio, chegando até a Praça da República.

Apesar da tentativa de manobra da direção majoritária do sindicato, que tentou impor um outro trajeto contra a decisão da maioria da assembleia, os professores não se deixaram manobrar, e seguiram rumo à Av. 23 de Maio como haviam deliberado. A burocracia sindical não teve outra escolha a não ser seguir os professores.

Mas a força desse movimento não se expressa apenas na grandeza das assembleias estaduais e na disposição que o professorado demonstra lá: ela se expressa também no grande número e na força dos atos regionais, que se espalharam por toda a capital e interior do estado.

A organização dos comandos de greve regionais também tem expressado uma profunda crise da direção majoritária da APEOESP, deixando evidente sua incapacidade de mobilização. Bebel e seu grupo têm cada vez menos legitimidade entre a base do professorado (que continua demonstrando muita disposição de luta), apesar de todas as vacilações, capitulações e traições da direção majoritária.
A novidade dessa greve tem sido sua capilarização, expressa nos atos locais e regionais, que demonstram uma participação enraizadas nos locais de trabalho e de atuação.

A força dos grupos de oposição e de comandos independentes tem se feito notar em todas as regiões do estado. Uma imensa camada de novos ativistas tem surgido, mas como não se organizam em nenhuma corrente sindical (apesar de terem uma posição clara de oposição à atual direção), não encontram espaço para expressarem sua experiência e proporem métodos de ação.

A organização do professorado e a democracia de base, que as experiências dos atos e assembleias regionais tem expressado, precisam se refletir em nossa organização estadual. Chega de assembleias-comícios, onde apenas as “principais figuras” de algumas correntes sindicais podem falar.

Precisamos garantir que cada comando de greve possa se expressar em nossas assembleias. A greve deve ser dirigida por delegados eleitos na base e com mandato revogável, onde possa se expressar toda a riqueza e diversidade dos professores que, de fato, estão a construir a luta.

A direção da luta precisa refletir o processo real de mobilização. É evidente que o grupo da Bebel, não tem nem capacidade nem legitimidade para dirigir esse processo. O “fora Bebel” entoado pela imensa maioria dos professores nas assembleias estaduais, bem como a pouca capacidade de mobilização de seu grupo nas diversas regiões do estado, o atesta. São as professoras e professores organizados nos comandos de greve que devem ter em suas mãos as rédeas do processo.

Tanto nas assembleias estaduais quanto na organização local e nas experiências dos comandos de greve independentes e/ou de oposição, uma coisa está muito clara: a direção majoritária não ganha uma se não contar com o apoio da oposição (organizada e/ou independente). Precisamos forjar uma unidade das oposições de esquerda (anti-burocráticas e anti-governistas) para derrotar a Bebel e a Chapa 1.

Mas, para isso, as correntes de oposição também precisam saber que elas não representam o conjunto dos lutadores. É necessário que elas se abram para o protagonismo dos professores que estão organizando o processo. A única forma de derrotar a burocracia e o governo é uma unidade das oposições em defesa da democracia de base. Precisamos fazer ecoar esse chamado: não apenas uma unidade das correntes de oposição forjada pelo alto, mas uma unidade da categoria forjada desde a base e organizada nos comandos de greve.

A negociação de nossas pautas não pode ficar na mão de uma direção que dia a dia perde sua legitimidade entre os professores mobilizados. A força da greve é a força de seus ativistas. Que os lutadores dirijam o processo. Esse é o único método capaz de nos levar à vitória.




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