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Greve da GM | Operários da GM buscaram jornal do ABC para desmentir sindicato sobre o fim da greve

Nesta quinta-feira (14), os trabalhadores da fábrica da General Motors de São Caetano do Sul (SP) realizaram duas assembleias, umas às 6 da manhã e outra às 15 horas, após a decisão do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-SP) declarar a greve encerrada e impor uma multa de 50 mil ao sindicato. Os 14 dias de greve e mobilização dos trabalhadores garantiram o reajuste salarial de acordo com a inflação, a manutenção da Clausula 42 que garante a estabilidade de emprego para os trabalhadores acidentados, contudo a reivindicação de reajuste do Vale Alimentação foi negada.

quinta-feira 14 de outubro | Edição do dia

Apesar da ampla maioria ter votado pela continuidade da greve, o sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, dirigido pela Força Sindical, orientou que quem quisesse fazer greve fizesse sozinho. Operários revoltados com a declaração de fim da greve divulgado em jornal local, entraram em contato com o Diário do Grande ABC para desmentir sindicato. Segundo eles, foi clara a aprovação da continuidade da greve, “não houve nenhuma proposta concreta por parte da empresa. Então, vamos continuar a greve. O sindicato tinha de estar ao nosso lado, mas nos jogou na cova dos leões” declarou um dos trabalhadores ao jornal pedindo manter seu nome em sigilo.

A greve dos trabalhadores da GM completa hoje 14 dias. Desde o primeiro dia, o TRT vem mediando as negociações, sem chegar em um acordo. Apesar da enorme força e disposição que os trabalhadores vêm demonstrando, a luta agora enfrenta diretamente a justiça que, como não poderia deixar de ser, está ao lado dos patrões para descarregar a crise econômica sobre as nossas costas.

A patronal da GM já veio de uma série de ataques em plena pandemia como as suspensões de contrato, redução de salários, remanejamento de férias e feriados, e agora ameaçava retirar a Cláusula 42 que garantia a estabilidade do emprego dos trabalhadores acidentados, uma forma mais clara de dizer que consideram os trabalhadores descartáveis. Foi sobre esses ataques e precarização do trabalho que a GM lucrou US$ 6,4 bilhões em 2020 e para 2021 tem a previsão de lucro líquido entre 6,8 bilhões e US$ 7,6 bilhões. Mas além das expectativas, o que ela já anunciou é um lucro líquido de US$ 3,03 bilhões no primeiro trimestre de 2021, que representa uma alta de mais de 10 vezes o resultado obtido no ano anterior.

"Deu pra entender que nós não temos sindicato?"

A situação da luta dos operários da GM se tornou ainda mais difícil pelo papel que o Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul, dirigido pela Força Sindical, cumpriu ao longo do processo e agora na tentativa de encerrar a greve passando por cima da vontade da maioria dos trabalhadores.

Como informou o Diário do Grande ABC, o sindicalista Cidão declarou ao jornal que "uma parcela dos funcionários optou por não retornar ao trabalho” mas, de acordo com o próprio sindicalista, após encaminhamento de retorno feito pelo Sindicato, agora, "mais de 70% dos funcionários já estão retornando às atividades", afirmou Cidão.

Mas essa versão não bate com os fatos. Um trabalhador que pediu para não ser identificado comentou para o Esquerda Diário:

"É difícil quando você não tem um sindicato que representa a classe trabalhadora, fica difícil, né? Igual hoje, hoje...o homem colocou em pauta lá, que quem quisesse fazer greve podia ir pra casa, e quem não quisesse podia retornar pro trabalho. Ou seja, ele tirou o dele da reta e deixou pra "você faz o que achar melhor", agora se você é uma pessoa que não tem estabilidade, não tem uma garantia de serviço, você não vai colocar o seu emprego em risco... Muitos tem medo. Mas na hora que ele fez a votação lá, quem queria greve, quem queria retornar, a turma tava decidido a ficar em casa. O pessoal quer conquistar o melhor pra eles..."

Superar a burocracia sindical é a única forma de manter a organização dos trabalhadores e arrancar os seus direitos

Uma vez que a gestão da Força Sindical, dentro do Sindicato, deixou de representar os interesses dos trabalhadores, e passou a ser um verdadeiro entrave da luta, ajudando a patronal a disciplinar o movimento grevista a partir da chantagem da justiça contra o direito elementar de greve, os trabalhadores da GM precisam fortalecer a sua organização e precisam conquistar a mais ampla unidade dentro da fábrica junto aos terceirizados para poder demonstrar a poderosa força que tem em suas mãos.

Sem certeza se amanhã haverá uma nova assembleia para debater sobre os desdobramentos desta tarde, os trabalhadores da GM precisam confiar nas suas próprias forças e nos apoios que vem recebendo em solidariedade como o caso do Comitê da UFABC em Apoio à Greve da GM e os Servidores Públicos Municipais que aprovaram seu apoio à GM em assembleia na última quarta-feira (13) e agora aprovaram greve indeterminada contra a retirada de sua aposentadoria. Assim como os trabalhadores da Proguaru que tiveram um parecer da justiça contra o seu direito elementar de manter seus postos de trabalho, é preciso organizar pelas mãos dos próprios trabalhadores uma resposta à altura dos ataques que a classe capitalista vem descarregando nas nossas costas. Como parte dessa organização, é preciso retomar os sindicatos para as mãos dos trabalhadores para que possam servir efetivamente como uma ferramenta de organização para potencializar cada mobilização e ação de luta que os trabalhadores decidirem.




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