Opinião

CAPITALISMO DO SÉC XXI

Oito bilionários capitalistas possuem a mesma riqueza que metade da população mundial

Segundo relatório divulgado pela Oxfam, “a lacuna entra pobres e ricos é muito maior que se temia” e apenas oito homens possuem a riqueza equivalente a 50% da população mundial, ou seja, de 3,6 bilhões de pessoas.

Odete Cristina

São Paulo

segunda-feira 16 de janeiro de 2017| Edição do dia

No último domingo, 15, a Oxfam divulgou o relatório “Uma economia para 99%”, onde apresentava a escandalosa confirmação de que 8 bilionários capitalistas possuem acumulado o mesmo tanto da renda de metade da população mundial mais pobre. A divulgação do relatório coincidiu com a abertura do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, que reúne os empresários e políticos mais ricos e influentes do mundo, ou seja, aqueles que mais se beneficiam com a manutenção desse sistema de exploração e opressão.

O fundador da Microsoft, Bill Gattes, ficou em primeiro lugar na lista dos mais ricos do mundo. Os outros sete nomes são todos homens: Bill Gates, da Microsoft; Amancio Ortega, da Inditex (dono da Zara); Warren Buffett, maior acionista da Berkshire Hathaway; Carlos Slim, proprietário do Grupo Carso; Jeff Bezos, da Amazon; Mark Zuckerberg, do Facebook; Larry Ellison, da Oracle; Michael Bloomberg, da agência de informação de economia e finanças Bloomberg.

O relatório apresenta inúmeros dados chocantes que demostram como o capitalismo é incapaz de resolver as contradições sociais e, pelo contrário, como a sua manutenção e suas crises só servem para aprofundar essas desigualdades. Se desde 2015, 1% da população mundial possuía mais riqueza que os outros 99%, de lá para cá a concentração de renda só aumentou.

Agora oito bilionários capitalistas possuem a mesma riqueza que metade da população mundial e ao longo dos próximos 20 anos, 500 pessoas passarão mais de US$ 2,1 trilhões para seus herdeiros – uma soma mais alta que o PIB da Índia, um país que tem 1,2 bilhão de habitantes.

Entre 1988 e 2011, a renda dos 10% mais pobres aumentou cerca de US$ 65 por ano, enquanto a dos 1% mais ricos aumentou 182 vezes. E 1 em cada 10 pessoas no mundo sobrevive com menos de US$ 2 por dia. Uma pesquisa recente, realizada pelo economista Thomas Piketty revelou que nos Estados Unidos, nos últimos 30 anos, a renda dos 50% mais pobres permaneceu inalterada, enquanto a do 1% mais rico aumentou 300%.

Alguns poucos que enriquecem, enquanto bilhões permanecem explorados e oprimidos por esse sistema.

Se mantiver esse ritmo, em 25 anos o capitalismo produzirá seu primeiro trilionário, que poderia se dar ao luxo de ter disponível para gastar por dia um milhão de dólares, pelos próximos 2.738 anos. Enquanto isso, a maioria da população sofre com os salários estagnados, o desemprego e as consequências da crise capitalista. As remunerações dos presidentes e altos diretores de grandes empresas dispararam. Enquanto os investimentos básicos, como nas áreas de saúde e educação, são cortados, os impostos sobre as grandes fortunas e grandes corporações são reduzidos e até mesmo isentos.

Outro dado apresentado é que as mulheres são as que mais sofrem com a discriminação no âmbito do trabalho e as que assumem a maior parte das funções não remuneradas. Segundo a Oxfam, dentro do ritmo atual desse sistema, será necessário 170 anos para se conseguir a igualdade salarial entre homens e mulheres. Mas o fato de que os oito homens mais ricos do mundo sejam todos homens, enquanto a ampla maioria das mulheres recebem salários de misérias ou são condenadas a trabalhos domésticos não remunerados. Tudo isso é fruto de um sistema que se apropriou muito bem do machismo e do patriarcado para aumentar ainda mais seus lucros.

Outra afirmação presente no relatório é que “O resultado do plebiscito Brexit, a vitória de Donald Trump na eleição presidencial nos Estados Unidos, o aumento preocupante do racismo e a desilusão generalizada com a política tradicional indicam cada vez mais que um número crescente de pessoas nos países ricos não está mais disposto a tolerar o status quo”.

Para nós do Esquerda Diário, fatores como a saída do Reino Unido da União Europeia e a vitória de um xenófobo, machista e racista como Donald Trump na maior potência imperialista do mundo, ao mesmo tempo que se aprofundam as mobilizações contra o racismo e a violência policial, a defesa dos direitos das mulheres e dos imigrantes, são reflexos de uma profunda crise política, econômica e social na qual vem atravessando esses países. Uma crise orgânica, segundo o conceito do revolucionário italiano Antônio Gramsci, que se caracteriza pela busca de novas formas de se pensar, sendo que a luta de classes ainda não é o fator determinante, mas que gera uma efervescente busca por alternativas para o descontentamento social, que podem ter expressões tanto a direita como a esquerda.

A única forma de dar uma saída para o descontentamento social gerado pela crise capitalista e pelo aumento da desigualdade social é por meio da organização de uma alternativa política dos trabalhadores e todos aqueles explorados e oprimidos por esse sistema. Uma alternativa que se enfrente com os privilégios dos grandes capitalista, contra o racismo, o machismo, a xenofobia. Que lute pela taxação das grandes fortunas, pelo combate ao desemprego por meio da redução da jornada de trabalho sem redução dos salários. Somente um programa anticapitalista e revolucionário, que busque destruir esse sistema por meio de uma revolução social dos trabalhadores é que poderemos atender efetivamente à demanda dos 99% da população mundial.




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