Sociedade

LISTÃO DA ODEBRECHT

Odebrecht: construindo o caixa 2 em cada canto do país

Revelados na terça-feira, mais de 300 nomes de políticos e seus partidos em planilhas que segundo a própria empreiteira demonstram “um ilegal e ilegítimo esquema de financiamento político-eleitoral”, já que as cifras não “batem” com o declarado pelas organizações políticas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Tassia Arcenio

Contagem, Minas Gerais

quinta-feira 24 de março de 2016| Edição do dia

As planilhas divulgadas nesta terça-feira com os nomes de mais de 300 políticos e 24 partidos, foram apreendidas em fevereiro na 23ª fase da Operação Lava-Jato, batizada de Operação Acarajé, na casa do presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa Silva Júnior.

A Odebrecht que é uma das empreiteiras citadas na Operação Lava-Jato, acusada de corrupção ativa, corromper funcionários do alto escalão da Petrobrás e de formação de cartel, tendo seu presidente, Marcelo Odebrecht condenado em primeira instância a 19 anos e 4 meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa, é hoje a quinta maior empresa privada do país, atua nas áreas de construção e engenharia, química e petroquímica – sendo “líder” nesses segmentos em toda a América Latina -, além dos setores de bioenergia, engenharia ambiental, defesa, imobiliário, óleo e gás, naval, transporte e logística e registra lucros exorbitantes e maiores ano após ano.

A empresa criada em 1944 em Salvador, teve seu crescimento (e faturamento) beneficiado e aliado com um decreto da ditadura, feito em 1969 por Arthur da Costa e Silva: “Art. 1º Os órgãos da Administração Federal, inclusive as entidades da Administração Indireta, só poderão contratar a prestação de serviços de consultoria técnica e de Engenharia com empresas estrangeiras nos casos em que não houver empresa nacional devidamente capacitada e qualificada para o desempenho dos serviços a contratar”, e a partir daí, estreitou laços com os militares da época, mantendo relações com os governos do país desde então.

Como marco, a Odebrecht teve a construção do prédio-sede da Petrobrás (que hoje é palco da Operação Lava-Jato) em 1971 e alcançou lugar de destaque entre as empreiteiras durante toda a ditadura militar, que mantém até hoje.

Na Operação Lava-Jato, a Odebrecht anunciou ainda uma “colaboração definitiva”, que consiste na delação premiada de Marcelo Odebrecht e outras pessoas do alto escalão da empresa envolvidos nos esquemas de corrupção, a chamada “delação do fim do mundo”, já que assim como suas planilhas apontam, deve envolver quase todos os partidos do regime.

Nomes como Aécio Neves, José Serra, o governador paulista Geraldo Alckimin (PSDB), Jaques Wagner, Humberto Costa e Lindberg Farias (PT), Eduardo Cunha, Renan Calheiros, o governador carioca Pezão, Romero Jucá, o pais do líder do PMDB na Câmara e presidente da ALERJ Jorge Picciani, o prefeito carioca Eduardo Paes (PMDB), Manuela D’Avila, Vanessa Grazziotin (PCdoB), o ex-presidente José Sarney, Paulinho da Força (solidariedade), e até Randolfe Rodrigues (ex PSOL, hoje REDE) citados entre apelidos machistas, caricatos, ou espantosos, dão um panorama da extensão do esquema: os mais variados cargos, ocupados por diferentes partidos em distintos estados do país, envolvidos juntos no esquema de corrupção que aponta pagamento de propina e escancara que é o do lado e a serviço das grandes empreiteiras corruptas que estão os mandatos destes políticos.

A maioria dos citados já soltaram notas ou fizeram pronunciamentos, defendendo a legalidade das “doações” da empreiteira, sem nenhuma preocupação de receberem financiamento de uma empresa privada, erguida às custas da exploração dos seus trabalhadores, dos acordos com governos desde à época da ditadura e com protagonismo nos escândalos de corrupção.

Mostrando sua precaução seletiva, o juiz Sérgio Moro, logo após a divulgação das planilhas com os nomes dos envolvidos, exigiu sigilo nos documentos alegando que os políticos teriam foro privilegiado e o Supremo Tribunal Federal (STF) deve decidir como prosseguir nesse caso, diferente das resoluções tomadas quando o envolvido é Lula, por exemplo, deixando claro que sob a máscara de “limpeza da corrupção no Brasil”, existe na verdade, uma operação para impulsionar um “partido judiciário” ou a entrada de novas peças no jogo da democracia burguesa, colocando em campo um time que aplique ainda mais ajustes e retirada de direitos e sirva ainda mais interesses do imperialismo.

Com essa exposição dos partidos do regime e a explicitação do envolvimento de quase todos nos esquemas de corrupção, a polícia federal e o judiciário buscam deixar uma “marca” de imparcialidade, de movimentação pelo fim da impunidade, como se essas instituições estivessem acima “do bem e do mal” e não entrelaçadas com todos esses escândalos como é na realidade, como mostra a própria condenação do “Japonês da Federal”, a seletividade do juiz Moro de acordo com seus interesses e aliados, e a própria exposição desses nomes só agora, visto que o esquema funciona com departamento e logística desde os anos 80.

Ou seja, o interesse não é de fato punir os corruptos, mas ganhar legitimidade para avançar em posições que garantam um governo que atenda ainda mais seus próprios interesses, do capitalismo e do imperialismo, sabendo que juízes como Moro e oposição de direita, consideram o impeachment da presidente Dilma e seu mandato de ajustes, a opção viável para que isso aconteça e coloque de pé um governo ainda mais servil às necessidades do grande capital e ainda mais “duro”, ajustador, contra a classe trabalhadora.

Veja em anexo o PDF da planilha com todos os "Caranguejos" (Cunha), Esquentadinhos (Paes), Escritores (Sarney), entre outros.




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