Educação

INSTITUTO DE ARTES DA UNICAMP

Obras do teatro na Unicamp seguem paradas e estudantes protestam

terça-feira 31 de março de 2015| Edição do dia

No dia 31 de março, será realizado pelos estudantes do Instituto de Artes (IA) a partir de seu centro acadêmico (CAIA) um cortejo pela inauguração do teatro-laboratório do Instituto de Artes da Unicamp. A obra, iniciada em 13 de junho de 2011, estava prevista para terminar em um prazo de dois anos, mas se encontra parada na primeira etapa de construção desde setembro de 2013, devido a falhas de execução encontradas durante uma fiscalização pela equipe de Coordenadoria de Projetos e Obras da Unicamp.

Um laudo pericial feito pelo Departamento de Estruturas da Faculdade de Engenharia Civil apontou problemas dentre os quais se encontram fissuras nas paredes, trincas e deslocamentos de vigas de sustentação. Enquanto a responsabilidade pelos erros é empurrada entre empresa e construtora, a reitoria se ausenta do debate, embora estudantes afirmem que ela negligenciou as fiscalizações iniciais, que poderiam ter constatado os problemas antes que eles alcançassem maiores proporções.

Até o momento não foi apresentado um prazo para o início das correções e retomada da construção. O local encontra-se abandonado e parcialmente engolido por mato alto, e materiais de construção - além de duas escadas de metal incompletas - apodrecem com a exposição à chuva e ao sol. Somando-se a isso, a execução incompleta do subsolo do prédio criou um vão de água represada, transformando o local em ponto de água parada em uma região conhecida por apresentar surtos de dengue. Embora os responsáveis afirmem que a água é retirada diariamente, estudantes delatam que os intervalos entre os serviços de drenagem chegam a uma semana, o que deixa a população universitária à mercê do Aedes aegypti e aumenta ainda mais as filas de espera nos corredores já superlotados do Hospital de Clínicas.

Comentando o caso, a estudante de midialogia Artemis Lyrae, diz que “esse é apenas mais um exemplo de descaso com o instituto por parte da reitoria, que no repasse de verbas dá prioridade aos cursos e institutos fomentados por grandes empresas, mantendo um projeto elitista e produtivista de universidade”.

A Unicamp é atualmente uma das maiores produtoras de patentes do país, aplicando os conhecimentos nela desenvolvidos em benefício das empresas, ao mesmo tempo em que mantém atrasos em obras que poderiam beneficiar a população, como no caso do teatro.

Além de ser uma demanda estudantil do instituto por quase 30 anos como local indispensável para a realização de diversos exercícios e disciplinas, o teatro também tem o potencial de ser um instrumento de combate a esse projeto privatista de universidade, tornando-se ponte entre a Unicamp e a população de Campinas, que carece de espaços públicos de cultura, arte e lazer.

“A luta pela construção do teatro-laboratório do IA deve se aliar à luta pela abertura da universidade como um todo, exigindo da reitoria e da prefeitura um transporte gratuito do centro da cidade para o campus em dias de apresentação, além de uma ampla divulgação dos eventos nos bairros da cidade”, afirma Artemis.

No dia 31 deste mês, os estudantes da Unicamp mostrarão seu descontentamento perante a peça ensaiada no teatro até então: "a tragédia da dengue", em referência aos poços de água da obra parada que possibilitam os criadouros de mosquitos, a partir do descaso com as obras pela reitoria e pela prefeitura.




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