Economia

JAIR BOLSONARO

O velho neoliberalismo da campanha “radical” de Jair Bolsonaro

Uma recente operação conduzida contra uma rede de doleiros ligada ao grupo Bozano Investimentos, um desdobramento da operação Lava Jato, chegou ao nome de Paulo Guedes e o ligou aos escândalos de evasão de divisas e lavagem de ativos financeiros para a o grupo citado, no qual é sócio bilionário desde 2013, membro do comitê executivo e do comitê estratégico.

quarta-feira 9 de maio| Edição do dia

Recentemente Jair Bolsonaro, pré-candidato agora pelo PSL, elegeu Guedes como seu Ministro da Fazenda caso se eleja. Ou seja, Guedes cuidaria do planejamento da economia nacional e definiria assim os rumos para nosso país que se encontra numa profunda crise financeira mundial iniciada em 2008. Bolsonaro, que nesses últimos anos vem aparecendo ligado a casos de corrupção como seu patrimônio inexplicável e agora com a indicação do investigado para ministro seu discurso fajuto de alternativa radical e uma “moral de bem” tem sido desconstruído inclusive pelas mídias burguesas, como no caso da matéria da Folha sobre o patrimônio da família.

Isso nos permite ver que a burguesia se encontra rachada em diversos setores com diferentes candidatos e num momento de tanta instabilidade que vivemos é necessário atacar candidatos da ordem para garantir o emprego do candidato mais favorável à implementar a agenda de ataques na classe trabalhadora sem causar uma tensão e polarização maior. O judiciário bonapartista vem sendo o instrumento utilizado para definir de forma arbitrária os rumos da política nacional, a exemplo da investigação que chega ao nome de Guedes e que coloca em risco todo seu projeto.

Mas para entender tal projeto precisamos falar da figura do bilionário e quais seus desdobramentos no plano de fundo de tudo que vemos sentindo desde o golpe institucional. Guedes é um dos fundadores do Instituto Millenium, que conta com intelectuais orgânicos - conceito firmado pelo teórico marxista Antônio Gramsci que define uma camada de intelectuais que produzem as bases de pensamento e ação de uma classe - da direita neoliberal brasileira e tem ligações diretas com o imperialismo dos Estados Unidos, sendo algumas dessas grandes figuras João Roberto Marinho, Roberto Civita, Roberto Mesquita - Globo, Abril e Estadão – como mantenedores, Pedro Bial da Câmara de Fundadores e Curadores, além de Antonio Carlos Pereira e Eurípides Alcantara – Estadão e Veja – no conselho editorial. O instituto tem como bases a defesa do direito da propriedade privada e da livre iniciativa, privatizações, o sistema financeiro mesmo quando ele entra em colapso, a redução dos direitos sociais e combate qualquer política de regulamentação maior por parte do Estado, com o discurso que vemos no grupo MBL e no agora ex-prefeito da cidade de São Paulo João Dória.

Como podemos ver a escolha de Paulo Guedes como Ministro da Fazendo é um recado direto de Bolsonaro para a burguesia, deixando claro que apesar de seu discurso mais “radical” para a direita não irá mexer no fundamental do plano da burguesia para o nosso país e pretende limpar sua barra para evitar ser retirado da disputa eleitoral, coisa que vem tendo pouco êxito.

Em momentos de polarização e radicalização crescentes é necessário apresentar um projeto de sociedade que defenda de fato o interesse da classe trabalhadora, com medidas anticapitalistas que desbancam qualquer um dos lados milagrosos, seja dos reformistas utópicos ou da “nova direita”. A estatização de setores estratégicos da economia e de grandes empresas sob controle direto dos trabalhadores e da população, o não pagamento da dívida pública que tem como objetivo roubar os recursos do país para o bolso dos capitalistas e a unificação e estatização de todo o sistema financeiro para combater os boicotes da burguesia nacional e internacional ao governo que se coloca do nosso lado.




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