Economia

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

O que está por trás das “verdades” da FIESP sobre a nefasta Reforma da Previdência

Nas últimas semanas do mês de junho, a FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) ao lado da CIESP (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), lançou no seu canal do Youtube uma série com quatros vídeos de animações curtas em que apontam as supostas "verdades" e as supostas "fake news" sobre a reforma da previdência, em uma clara tentativa de alcançar e convencer as mais amplas camadas dos trabalhadores e da juventude proletária para fazer avançar os interesses econômicos da burguesia neoliberal.

quinta-feira 27 de junho| Edição do dia

No final de todos os vídeos é mostrada a frase que tenta convencer aos trabalhadores de que não se trata de mais uma das insanidades de Bolsonaro: “Nova Previdência não é uma questão política, nem ideológica”. O que é concreto é que a nova reforma vai impor o fim do direito à aposentadoria integral a milhões de brasileiros e, na prática, permitirá que muitos sigam trabalhando até morrer. Apontamos, então, alguns pontos que explicam por que são fantasiosas as supostas “verdades” postas nos vídeos:

1) A idade mínima para a aposentadoria é quase a mesma da expectativa de vida dos brasileiros

Estudos recentes do IBGE, mostram que a chamada esperança de viver do brasileiro já não é tão distante dos 65 anos mínimos de trabalho que a reforma quer impor. A média nacional não passa dos 72 anos, sendo que por diversas razões a grande parcela da população nascida em 2016 poderá sequer a chegar a essa idade. Isso se agrava ainda mais em Estados onde a média nacional é de 65 anos; ou, ainda, no caso das mulheres, que sofrem com as duplas ou as triplas jornadas de trabalho; e ainda mais para os negros, que são submetidos aos trabalhos mais precários.

2) Não podemos nos apoiar nos ataques capitalistas de outros países

O governo atual insiste em dizer que o que estão propondo aqui no Brasil é uma reprodução de um modelo que já foi criado e aprovado em outros países e que supostamente "deu certo". O Chile é um exemplo desses países, e implementou em 1980 uma reforma da previdência com vários pontos em comum com a atual proposta ao Brasil e hoje, a população chilena tem a maior taxa de suicídio entre os idosos do mundo, e isso se dá justamente por não terem condições mínimas de vida. Nessas condições, optam pela morte.

A verdade é que a aposentadoria oferece valores tão irrisórios que os trabalhadores são muitas vezes forçados a se manterem trabalhando mesmo após a aposentadoria. A demagogia de Bolsonaro para criar a ilusão de que "ricos e pobres estão juntos no mesmo barco e cada qual pagará a sua parte" não se sustenta. E a dívida pública, que apontamos abaixo, é forte sinal disso.

3) A dívida da previdência não pode recair sobre os ombros dos trabalhadores

Grande parte da nossa economia tem o objetivo de pagar a dívida pública. A lei de responsabilidade fiscal organiza a economia dos estados e municípios com esse objetivo. Se temos um superávit primário (as contas do governo estão positivas antes de pagar os juros da dívida), esse dinheiro vai para o pagamento da dívida pública. Todo o dinheiro de privatizações, por lei, também vai para o pagamento da dívida pública.

Ou seja, enquanto o governo quer impor que trabalhemos mais para pagar essa dívida (que não é nossa), segue dando concessões aos grandes bancos que, juntos, lucram mais de R$90 bilhões de reais com a previdência, enquanto nós, nos sacrificamos com anos de trabalho precário para que eles sigam garantindo seus milhões não pagos aos cofres públicos. Um exemplo disso é o banco Itaú, que lucrou R$ 25,7 bilhões somente em 2018, o maior lucro da história dos bancos no país, segue lucrando com a dívida pública que rouba trilhões todos os anos do orçamento público.
Este mecanismo é, na realidade, uma sangria das riquezas e dos recursos nacionais, escoando trilhões anualmente direto para os bolsos dos banqueiros, empresários e acionistas nacionais e imperialistas, enquanto atacam a classe trabalhadora e a juventude com cortes, ajustes e reformas neoliberais para aprofundar ainda mais os níveis de miséria e de exploração.

Os privilégios dos ricos e milionários banqueiros e empresários (que devem R$450 bilhões à Previdência Social) serão preservados por Bolsonaro e Guedes; quem vai pagar o custo da reforma são os trabalhadores pobres, e se depender dos governadores do PT, que concordam com a necessidade da reforma da previdência, o caminho para a reforma de Bolsonaro será facilitado.

Veja também: Patronais fazem campanha para acabar com a aposentadoria de milhões de trabalhadores

Os poderosos divergem sobre os rumos do regime político no país. Entretanto, convergem sobre a necessidade de descarregar a crise econômica sobre as costas da juventude, dos trabalhadores e do povo pobre. O desemprego, os planos de privatizações e a reforma da previdência são parte do programa neoliberal de fazer com que nós paguemos pela crise. Não podemos aceitar. É preciso que os trabalhadores se armem com um programa anticapitalista, que comece pelo completo rechaço à reforma da previdência e avance para questionar de conjunto os planos do governo e dos empresários.

Veja aqui os vídeos da FIESP:




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