Educação

APEOESP SECUNDARISTA

O que a APEOESP tem a aprender com a luta dos secundaristas?

Danilo Magrão

Professor de sociologia da rede pública

quinta-feira 10 de dezembro de 2015| Edição do dia

A palavra mais falada na última reunião de diretoria estadual colegiada da APEOESP foi protagonismo, afinal, frente a enorme vitória contra o projeto de Alckmin todos querem assumir a localização de protagonistas da luta.

A partir da intervenção de Maíra Machado, do Professores pela Base e diretora da APEOESP pela oposição, que defendeu que o protagonismo foi claramente estudantil, a reunião se pautou por essa discussão e todos os diretores da chapa majoritária do sindicato tiveram que defender que foram eles os protagonistas da luta. Fizeram isso para tentar esconder a absoluta incapacidade da atual direção da APEOESP conquistar vitórias, tentando se apropriar de maneira oportunista da grande mobilização estudantil.

Além disso, Maíra defendeu que uma das grandes lições das ocupações foi a formação de comandos das escolas ocupadas, com representantes de cada ocupação para dirigir a mobilização, que ainda que tenha se apresentado de forma embrionária e com diferenças nas diversas regiões, expressou um elemento determinante de auto-organização para coordenar a luta e derrotar o governo.

Se a greve dos professores tivesse se pautado por uma direção auto-organizada, como defendemos inúmeras vezes durante a greve, as batalhas que travaríamos poderiam também ter levado a derrota de Geraldo Alckmin.

Não é mera coincidência que enquanto acontecia essa discussão à portas fechadas, com cerca de 50 diretores do sindicato, milhares de estudantes secundaristas marchavam em defesa da educação pública, expressando que o protagonismo segue sendo estudantil.

O argumento que a direção da APEOESP usa para justificar o absurdo de que "tudo começou por eles", é que ajudaram com comida, advogados e estrutura. Contudo essa é uma tarefa elementar, que deveria ter sido tomada pelo conjunto dos sindicatos. Mas de forma nenhuma isso significa o protagonismo de Bebel e sua chapa.Protagonismo significa ter um sindicato orientado para luta de classes, que em sua organização estabeleça uma relação direta com o conjunto da categoria, para que nos momentos em que a realidade exigir possamos construir verdadeiras mobilizações à favor dos trabalhadores, professores e alunos.

Assim como vimos no início do ano com a derrota da greve de 92 dias, a direção do PT e do PCdoB na APEOESP não consegue e não tem como objetivo travar uma batalha até o fim em defesa da educação pública. É correria de transmissão do governo de Dilma, Levy e sua alianças espúrias, e por isso não consegue armar consequentemente os professores para combater os imensos ataques a educação que ainda estão apenas no começo. São décadas de derrotas consecutivas, onde o objetivo central dessa burocracia é se manter enquanto casta recheada de privilégios, e conter a fúria dos trabalhadores quando esses colocam em risco os verdadeiros interesses de qualquer partido da ordem.

É fato que tiveram professores que apoiaram as ocupações. Mas a categoria se expressou como um setor de retaguarda, desacreditado das possibilidades de vitória. Essa descrença é fruto das derrotas e traições dessa mesma diretoria sindical (PT e PCdoB) que os professores de São Paulo tem acumulado.

Bebel encerrou a reunião dizendo que todos foram protagonistas, APEOESP, alunos, pais e movimentos sociais. Precisou fazer um discurso "conciliador", diante do absurdo que foram as seguidas falas dos componentes da direção majoritária. Porém, esse discurso, ainda mantém o objetivo das outras falas: esconder sua enorme incapacidade de mobilizar o conjunto da categoria para construir grandes batalhas pela educação. A vitória dos secundaristas, além de ter derrubado o secretário e ter imposto um grande recuou para Alckmin e o PSDB, também cria um imenso contraste com incapacidade absoluta das direções sindicais petistas construírem vitórias para os trabalhadores e a juventude.




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