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DONALD TRUMP

O impeachment de Trump chega ao Senado

Após quase um mês de aprovação, a Câmara de Deputados norte-americana finalmente enviu ao senado o pedido de julgamento político ao Senado, o que significa isso?

quinta-feira 16 de janeiro| Edição do dia

Washington (EUA), 15/01/2020. - A presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, chega para apresentare aos gerentes de julgamento político da Câmara de Representantes durante uma conferência de imprensa no Capitólio dos EUA. Foto I EFE / EPA / SHAWN THEW

Há quase um mês a Câmara dos Representantes (Deputados) dos EUA aprovou os artigos de impeachment contra Donald Trump, onde o acusam de abuso de poder e obstrução do Congresso. Nesta quarta-feira finalmente se votou por enviar esses artigos ao Senado da nação, que é o órgão encarregado de levar adiante o julgamento.

Com uma maioria governista de 53 senadores sobre 47 dos Democratas e sendo que é necessário 2/3 dos votos para destituir o presidente, Trump parece ter a absolvição assegurada. Mas quanto dano pode causar isto, tanto a Trump como a seu partido?

A palavra impeachment se escuta nos círculos da esquerda Democrata desde que Trump assumiu a presidência. A ideia se fez mais forte desde as eleições legislativas de 2018, com o ascenso de Alexandría Ocasio Cortez e os Democratas “insurgentes”. Nessas mesmas eleições o partido de oposição recuperou o controle na Câmara de Representantes e Nancy Pelosi foi nomeada Speaker (presidente) da Câmara.

Desde então, Pelosi se enfrentou abertamente contra os que pediam o julgamento político, bloqueando uma e outra vez as tentativas de abordar a questão no plenário.

Obviamente é muito difícil adivinhar qual era exatamente seu cálculo político mas podemos arriscar que, sabendo que é quase impossível que o destituam, não queria entregar a Trump algo que pode ser assemelhar muito a uma vitória (ainda que pírrica).

A pressão sobre ela se fez insuportável quando expuseram as manobras de Trump para que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky anunciasse uma investigação dirigida a Joe Biden, ex-vicepresidente de Obama e principal candidato Democrata a presidente, por corrupção.

A aprovação dos artigos de impeachment foi um magro triunfo Democrata, mostra disso são as mais de 4 semanas que demorou Pelosi para enviá-los ao Senado. O que estava em jogo era uma negociação sobre o processo do julgamento, sobre o qual tem pode o Senado. Pelosi queria que se chamasse novas testemunhas e que se admita novas evidências, sabendo que é quase a única forma de prejudicar Trump. Mitch McConnell, Republicano e presidente do Senado, se opunha. Nunca chegaram a um acordo, porém o assunto se saturou tanto que até alguns senadores Democratas começaram a ficar impacientes e Pelosi teve que avançar com o processo.

Sendo assim, o Senado deverá votar sobre ambas as questões, porém o resultado não está dado já que a pressão democrata fez que 4 senadores republicanos que saem de seus cargos neste ano declararem que estão dispostos a votarem com seus adversários. Com isto, Pelosi conseguiria uma apertada vitória por 51 a 49.

Os Republicanos do Senado se encontram em uma situação muito incômoda. A esta altura ninguém duvida de que Trump usou a sua ajuda militar à Ucrânia para pressionar Zelensky, tampouco a ninguém passa despercebido que Trump usou as atribuições da instituição presidencial para esconder informações do Congresso e para bloquear o testemunho de assessores e ex-assessores citados como testemunhas para os deputados.

Votar para absolver o presidente seria negar essas verdades e justificar a impunidade com a qual atuou. Por outro lado, todos são conscientes de que nas próximas eleições (assim como nas de 2016) os votos republicanos são de Trump.

Quem votar a favor do impeachment provavelmente sofra a desaprovação, se não a ira, dos votantes republicanos. Com a situação de alta polarização que vive o país, dificilmente um republicano ganhe votos democratas ou mesmo independentes, por isso só lhes resta conservar a sua base.

Todos se preparam para uma vitória de Trump. Pelosi disse que logo após assinar os artigos que independente do resultado, o presidente estará na história por ter sofrido um impeachment. A CNN fez eco de suas declarações em horário nobre da televisão. Tanto o New York Times como o Washigton Post publicaram editoriais nos quais chamam o Senado em geral e a McConnell em particular a serem imparciais e a defender a Constituição. Com o argumento dos “valores democráticos” buscam impotentemente condicionar um resultado que, tendo um voto a mais ou a menos, já se conhece de antemão.

Enquanto isso, o processo parece afetar pouco a opinião da população norte-americana. Há meses as pesquisas mostram que o nível de aprovação de Trump se mantém baixo porém constante e que pouco importa a evidência que se apresente no julgamento, os votantes já tomaram sua decisão sobre a culpabilidade ou não de Trump. O resultado das eleições de 2020 se decide em outro terreno.




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