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ORIENTE MÉDIO

O exército israelense detém a jovem ativista palestina Ahed Tamimi

A jovem palestina de 16 anos foi presa depois de repreender e estapear dois soldados israelenses que estavam no jardim de sua casa. O vídeo viralizou. Sua liberdade é exigida nas redes.

Juan Andrés Gallardo

Buenos Aires | @juanagallardo1

sexta-feira 22 de dezembro de 2017| Edição do dia

O exército israelense prendeu nessa terça, 19, na região de Nabi Saleh, na Cisjordânia, a adolescente palestina de 16 anos Ahed Tamimi, que protagonizou um vídeo viral onde repreende dois soldados do exército israelense que estavam ocupando o jardim da sua casa. No vídeo, Ahed Tamimi expulsa os soldados de sua casa e então é presa junto com sua mãe. Algumas horas mais tarde, o exército voltou a sua casa para prender outra jovem de sua família que trabalha como jornalista. Essas detenções ocorrem em meio aos protestos contra a decisão de Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, em uma clara provocação às aspirações do povo palestino. A brutal repressão do exército contra os protestos já deixou 9 palestinos mortos e deixou mais de 3.400 feridos.

Uma porta-voz militar israelense confirmou à agência Efe que a jovem foi presa por “agredir um soldado” e “foi transferida para ser interrogada”.

A mãe da jovem, Nariman, também foi detida e interrogada pela polícia israelense na Cisjordania ocupada, informou à Efe o portavoz da polícia Micky Rosenfeld.
Os Tamimi são uma família conhecida de ativistas palestinos de Nabi Saleh, um pequeno povoado ao noroeste de Ramala, onde a cada sexta se repetem protestos contra a ocupação israelense.

O Estado de Israel mantém uma política de ocupação na Cisjordânia com centenas de colônias em seu interior e zonas inteiramente controladas pelo Exército israelense, além da construção de um muro, controles militares e check points de revistas e vigilância que a população da Cisjordânia precisa enfrentar cotidianamente.

O exército não apenas ocupa o território, mas também invade as casas dos palestinos com a desculpa de perseguir manifestantes que atiram pedras contra eles. É assim que chegaram ao quintal da casa da família Tamimi e ficaram ali para provocá-los.

No vídeo vemos Ahed que, acompanhada por outra jovem, grita e empurra os soldados enquanto diz para irem embora.

São recorrentes as ações brutais do Exército israelense contra crianças e jovens palestinos que prendem, algemam e levam vendados para depois encarcerá-los, sem importar sua idade. Em 2015 outro vídeo já havia viralizado, em que uma família palestina resgata uma criança que estava sendo asfixiada por um soldado israelense. Nesse vídeo também aparece Ahed, que há anos expõe e enfrenta essa injustiça.

Como não podia deixar de ser, o ministro da defesa israelense, Avigdor Lieberman, defendeo o exército dizendo que é “o mais humano”, mas advertiu que a “humanidade não está em detrimento da dissuasão e do poder”, segundo a rádio militar, e Naftali Benet, titular de Educação e principal sócio da coalizão do governo, opinou que as jovens “deveriam passar suas vidas na prisão”, segundo o jornal “Haaretz”.

Duas declarações que mostram a fundo o que de fato é o que alguns identificam como “a única democracia do Oriente Médio”, e não é mais do que uma potência colonial com um Exército de ocupação que perseguiu, assassinou e expulsou de suas terras milhões de palestinos, no que o historiador israelense Ilan Pappe define como um Estado de apartheid que transformou a Palestina na maior prisão do mundo.

Desde terça as redes sociais se encheram de mensagens que pedem a libertação de mãe e filha com as hashtags #FreeAhed e #FreeNariman.




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