Cultura

100 ANOS DA BATALHA DE COLUMBUS

O dia em que Pancho Villa invadiu os Estados Unidos

No dia 09 de março de 1916, 600 milicianos pertencentes a Divisão do Norte encabeçados pelo General Francisco Villa cruzaram a fronteira mexicana com destino aos Estados Unidos e atacaram a população fronteiriça de Columbus. Foi a única vez na história norte-americana que um exército latino-americano atacou seu território.

sábado 12 de março de 2016| Edição do dia

As aguerridas tropas villistas se lançaram contra um destacamento militar e ao longo de 6 horas de combate foram rechaçadas de volta para o México, no que ficou conhecido como “A Batalha de Columbus”. Os seguidores de Villa capturaram 80 cavalos, 30 mulas e 300 fuzis; incendiaram um hotel e mataram oito militares estadunidenses e dez civis.

Como resposta, o governo dos EUA enviou no dia 14 de março de 1916 a “Expedição Punitiva” encabeçada pelo General John J. Pershing composta em princípio por quase cinco mil soldados que foram aumentados até completar a cifra de dez mil. O ex-presidente norte-americano Dwight D. Eisenhower e o general George Patton, lideres militares dos EUA na Segunda Guerra Mundial, foram parte da expedição que tinha como objetivo capturar Villa para ser julgado em território norte-americano como um bandido. A expedição culminara desastrosamente em fevereiro de 1917, sem ter chegado ao objetivo de capturar o líder dos campesinos revolucionários no estado de Chihuahua e tendo rompido as relações políticas com o então presidente Venustiano Carranza.

A invasão das forças villistas a Columbus foram a resposta de Pancho Villa ao apoio norte-americano a Carranza na guerra civil e teve um componente de vingança pessoal, que era capturar e fuzilar Sam Ravel, um traficante de armas norte-americano que havia enganado Villa vendendo-lhe munição imprestável a pedido expresso do governo de Woodrow Wilson.

Francisco Villa e Emiliano Zapata foram os líderes revolucionários do campesinato mexicano que após o termino da ditadura de Porfirio Díaz se enfrentaram com Victoriano Huerta e posteriormente com Venustuano Carranza que representava as pretensões da nascente burguesia mexicana de por fim a Revolução Constitucionalista sem tocar na questão da propriedade da terra, ou reforma agrária. Villa em Chihuahua e Zapata em Morelos puseram fim ao latifúndio e repartiram a terra entre os camponeses.

O ponto mais alto da revolução campesina será o 4 de dezembro de 1914, quando os dois líderes revolucionários selam sua aliança na Cidade do México ocupada pelas forças camponesas que haviam derrotado as tropas de Carranza obrigando-o a refugiar-se em Veracruz. Naquele encontro Zapata e Villa selaram a unidade da Divisão do Norte e as forças zapatistas, que tinha como programa esboçado no Plano de Ayala e na Convenção Constituinte Revolucionária de Águas Quentes, também ali mostraram a impotência política da direção campesina ao se negar a tomar o poder em suas próprias mãos.

Após a derrota camponesa na Revolução Mexicana, Washington, que a princípio apoiava Villa, passou decididamente a sustentar o lado constitucionalista encabeçado por Carranza. Nesse sentido a invasão do território norte-americano por Pancho Villa buscava relaçar a ofensiva de seu exército revolucionário após as derrotas sofridas durante 1915 sob as mãos do líder militar dos constitucionalistas Álvaro Obregon, que marcou o declínio das tropas revolucionárias camponesas e a consolidação da direção burguesa da Revolução Mexicana.

A invasão a Columbus e a perseguição pelas tropas estadunidenses acrescentaram o mito de que Villa tinha encabeçado as grandes vitórias militares dos camponeses contra os constitucionalistas a mando da temida Divisão do Norte, verdadeiro braço armado da revolução campesina.

Uma consequência da Expedição Punitiva e seu fracasso vai ser a imposição como credo oficial da política exterior mexicana da “Doutrina Carranza”, que reafirma a soberania econômica e territorial mexicana frente as ameaças norte-americanas.

Resta para o General Villa e os milicianos da Divisão do Norte buscar a honra de seu povo vingando as humilhações do imperialismo norte-americano invadindo com uma força revolucionária seu território.




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