Juventude

EDITORIAL | 13 DE AGOSTO

O dia 13 deve unificar a luta contra a Reforma à luta contra o Future-se, organizado pela base

No dia 13 de agosto uma série de atos estão sendo convocados pelo país no que se está chamando de "greve geral pela educação", em protesto ao tenebroso projeto Future-se, anunciado há poucas semanas e já em plena execução. O projeto é uma comprovação de que o governo Bolsonaro em nada está à deriva. Apesar do ator principal ser um completo idiota, há um plano muito inteligente e macabro de destruição de qualquer direito social mínimo, e quando se junta reforma trabalhista e da Previdência com o Future-se, quem vai pagar a conta da crise são os mais jovens, com trabalhos miseráveis, nenhuma educação e trabalhando até morrer - ou mesmo morrendo de trabalhar.

Leticia Parks

Brasília - DF

sexta-feira 9 de agosto| Edição do dia

Future-se, reforma da Previdência e reforma trabalhista: há um projeto imperialista de ataque contra a juventude

O que dizer de um presidente que se reivindica o Johnny Bravo? Talvez que ele não poderia ter escolhido melhor personagem. Afinal, Johnny Bravo é conhecido pela gritaria, falta de paciência e muita, mas muita burrice. ´Mas talvez essas não sejam as características mais importantes compartilhadas entre Bolsonaro e Johnny Bravo.

Assim como o personagem, Bolsonaro é um ser propositadamente tosco, por trás de quem há um enorme investimento norte-americano, uma taxa de lucro razoável, um projeto mais profundo de liquidar a produção nacional e de emburrecer criancinhas, jovens, adultos e idosos. A diferença assustadora é que enquanto o idiota do cartoon tinha nas mãos o poder da indústria cultural, o poder de Bolsonaro é o de lançar a vida de milhões de jovens à miséria, em nome do imperialismo norte-americano e do consequente aprofundamento da dependência nacional. O Brasil está à venda, e o que está se vendendo não é chão, é gente, e quando se trata de gente, quanto mais jovem, mais valioso.

Reforma trabalhista, reforma da Previdência e future-se tem como alvo claro a camada mais jovem da classe trabalhadora, num combo de ataques que, implementados de uma vez, significam morrer trabalhando, trabalhar até morrer e viver uma vida inteira sem acesso ao que há de mais brilhante na vida que é o conhecimento já produzido pela humanidade - bem esse que deveria, sem vestibular, ser de acesso público e coletivo de todo mundo que quisesse estudar.

O que parece ser uma sequência de burradas e estupidezes precisa ser visto como uma enorme operação imperialista, um plano quase perfeito pra nos fazer pagar pela crise. E de fato, pra realizar isso tudo, dá pra contar com um paspalhão como Bolsonaro. Pra derrotar, nem tanto. Os vermes cotidianos vem a cada dia corroendo mais o regime, e junto com o incremento dos ataques, estamos frente a um explícito avanço autoritário na conjuntura nacional, com aspectos chave como a transferência de Lula, o avanço à implementação do Pacote racista de Moro, já duas reuniões políticas que foram interrompidas pela polícia, além da prisão arbitrária de integrantes do Movimento dos Sem Teto do Centro de São Paulo.

Se a burguesia tem um plano, também precisamos do nosso. Dia 13 precisaria unificar as lutas contra a reforma da Previdência e o Future-se, com a mais profunda democracia de base e auto-organização

Parece chover no molhado, mas é preciso dizer. A burguesia se encontra e reúne a cada minuto possível para discutir como vão acabar com nossas vidas e preservar o lucro deles. E não é segredo pra ninguém. Essas reuniões são mais do que conhecidas, tem atas públicas, representantes públicos, eleitos. No Congresso, no Senado, no Judiciário (esses, curiosamente, ultimamente são os que mais mandam e são os que não foram eleitos), nas convenções internacionais, no G8, no G20.

Em cada um desses encontros foram seladas novas medidas desse projeto internacional de massacre à classe trabalhadora, dentro dela, com medidas especiais anti negro, anti mulheres, anti LGBT.

Enquanto eles se reúnem a portas abertas e fechadas, o dia 13 está sendo convocado nacionalmente sem qualquer política de debate pela base no movimento estudantil e de trabalhadores. As assembleias de curso e de universidade se contam nos dedos. A articulação nacional que deveria haver pelas entidades nacionais - como UNE, CUT e CTB - estão dirigidas pelos mesmos partidos dos figurões que apoiaram a Reforma da Previdência em seus estados, eles mesmos, os governadores do PT e PCdoB. Ao contrário da organização pela base, mais uma vez o PT e PCdoB lançam suas fichas na confiança nas reitorias e conselhos universitários, como se assim fosse possível por fim a um governo que avança autoritariamente sobre qualquer direito.

A Oposição da UNE deve debater abertamente com toda a massa estudantil que a burocracia que controla a UNE, a CUT e a CTB são certamente os maiores obstáculos para que o dia 13 possa ser uma greve geral de fato. E só pode ser obstáculo porque a realidade é clara: em qualquer roda de estudantes só se escuta revolta, indignação e desejo de mobilização. Essa energia e disposição precisa ser organizada em torno de uma estratégia e programa pra fazer com que os capitalistas paguem pela crise, para que atos como o dia 13 sejam expressão real de nossa força e desejo de futuro de verdade, não o Future-se privatizante e individualista. Derrotar o Future-se, portanto, não pode se dar em base a uma estratégia de confiança nas reitorias e conselhos Universitários, mas na mais profunda organização estudantil e de trabalhadores da universidade, construindo um plano de lutas capaz de por fim ao conjunto dos ataques à educação e a reverter a reforma da Previdência. É preciso rapidamente que os setores de oposição da UNE construam um forte polo antiburocrático, batalhando pela construção de assembleias e de um plano de lutas unificado da UNE e das centrais sindicais, capaz de preparar uma forte luta no dia 13 e após ele.

Para isso, além de milhares de assembleias por todo o país, seria necessário debater abertamente que para garantir as verbas necessárias para uma educação pública, gratuita, de qualidade, laica e a serviço da classe trabalhadora, é preciso parar de pagar a dívida pública, ilegal, ilegítima e fraudulenta. É preciso defender as cotas raciais dos projetos de leis de racistas reacionários como Rodrigo Amorim (PSL-RJ) e acabar com o vestibular. É preciso lutar pelo fim do regime de poder baseado em reitorados, que vão ter o poder arbitrário de decidir pelo Future-se à revelia da vontade da comunidade universitária e da população. Não esqueçamos dos Conselhos Universitários, cheios de representantes do agronegócio, da indústria e dos bancos, com mais poder de voto e decisão do que as comunidades que carecem da pesquisa universitária. São esses Conselhos que garantem mais verba para botóx do que para pesquisa em parasitologia que impediriam que se alastrasse dengue, chikungunya, malária e outras doenças arcaicas que matam os mais pobres em pleno século XXI.

Nada disso poderia ser feito repetindo o erro das jornadas de 15 e 30 de maio e da greve geral de 14 de junho, que infelizmente trataram separadamente o drama da educação sob ataque de Bolsonaro e a brutal e draconiana reforma da Previdência. Uma só luta, esse é o caminho da vitória. A juventude, que já mostrou ser vanguarda da resistência contra o aprofundamento do reacionarismo no país, precisa tomar para si cada uma das batalhas mais duras, levantando bem alto a bandeira de revogação imediata da reforma trabalhista e da previdência, sem deixar de fazer a crítica aos que apesar de se dizerem aliados de nossa luta, votaram a favor ou defenderam esse ataque, como Tabata-Batata Amaral-Liberal e os governadores do PT e PCdoB. Lembremos: o antigovernismo que virou marca dos anos sob governo do golpista Temer não foi capaz de derrubar aquele governo e lutar contra o golpe de forma efetiva.

"O tempo é roído por vermes cotidianos. As vestes poeirentas de nossos dias, cabe a ti, juventude, sacudi-las". É preciso se organizar, debater o programa correto, porque Bolsonaro, os golpistas, o judiciário autoritário e racista, o centrão ajustador e, por trás deles, os planos de ataques da burguesia imperialista não vão cair sozinhos. Será preciso derrubá-los.




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