Juventude

MAIORIDADE PENAL

O debate da maioridade penal no chão de fábrica

sábado 11 de julho de 2015| Edição do dia

Conversando com vários colegas de trabalho sobre a redução da maioridade penal, a maioria é a favor, mas ao mesmo tempo, concordam que isso não resolveria o problema da violência. Reconhecem que o sistema carcerário é falido, está superlotado e não resolve nada, mas defendem que “pelo menos tem que poder punir”. As pessoas estão cansadas de roubos, corrupção, mortes e existe um sentimento de que é preciso acabar com a impunidade. Todos defendem punição aos policiais que mataram Amarildo e muitos querem punição (por meio do impeachment) para a Dilma, por exemplo.

Da mesma forma, os próprios trabalhadores que defendem a redução da maioridade penal, entendem que esses jovens também são vítimas de problemas sociais, como famílias desestruturadas, criminalidade, drogas etc. Todos concordam que, para diminuir de verdade a violência, é necessário sérios investimentos em educação, oportunidades de trabalho para os jovens, com salários justos, acesso à cultura e lazer. O problema é que a possibilidade dos políticos tomarem essas atitudes é tão distante da realidade que ninguém espera que aconteça, então, se passa a viver um “salve-se quem puder” no qual uma lei punitiva aos que debandam para o crime, por mais que não se espere grandes efeitos dela, “pelo menos é alguma coisa”.

Infelizmente, com esses debates fica claro que existe um profundo ceticismo sobre a possibilidade de resolver os problemas pela raiz, de maneira séria. Frente a isso, não se vendo como os sujeitos com o direito e o poder de enfrentar essa miséria e tragédia social que vivemos, os trabalhadores acabam esbarrando numa “ponta de ilusão” na democracia – pois ninguém acredita realmente nela, mas o ceticismo é tanto – e acabam canalizando sua revolta para uma falsa saída, que na verdade só poderá piorar a situação.

Defender a juventude trabalhadora é defender nosso futuro!

Quanto mais saudáveis, bem remunerados, com acesso às universidades e com tempo livre para conhecer e desfrutar o mundo, em melhores condições estarão os jovens para transformar nossa sociedade, construindo outra melhor. Se depender dos ricos, dos corruptos, da classe dominante, seus filhos herdarão herança e poder, os nossos, trabalho precário, desemprego, criminalidade e mortes. O jovem, cheio de energia e vontade de viver não se aquieta e se a única opção, ao alcance das mãos, para “crescer”, ter autonomia financeira e desfrutar da vida, for se entregar à criminalidade, sabemos que é isso o que fará, é isso o que fazem.

A redução da maioridade penal só alimentaria esse ciclo asqueroso, que transforma crianças em bandidos. A vontade de punir, vontade de mudar as coisas e arrumar tudo o que está errado, não pode ser canalizada para esse caminho, é preciso que os trabalhadores defendam os seus jovens e exijam punição para os verdadeiros vilões da história, políticos corruptos e empresários milionários que se enriquecem roubando e matando, seja no governo ou nas fábricas. Mesmo uma classe que começou a trabalhar cedo, que mal pôde, na verdade, simplesmente “ser jovem” e desfrutar disso, entende que é necessário enfrentar de conjunto os problemas da sociedade, para encará-los com seriedade.

Sabemos que na vida não existem atalhos, o mesmo serve para a política. A redução, na verdade, é uma armadilha com um duplo potencial, enquanto ajuda a satisfazer esse sentimento de “tem que punir”, desviando o foco dos corruptos, por exemplo, por outro lado, aumentará drasticamente a violência, inflando a superlotação dos presídios, prisões e mortes sem motivos, introduzindo outros jovens ainda mais novos no esquema, para fazerem o “papel do menor”. Diga não à redução!

Foto: Omar Freire/ Imprensa MG




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