Gênero e sexualidade

#PARALISAÇÃOINTERNACIONALDEMULHERES

O cinismo de Trump no Dia Internacional das Mulheres

Em uma verdadeira provocação Trump disse nesta quarta-feira ter um "tremendo respeito" pelas mulheres. No marco da #ParalisaçãoInternacionalDeMulheres são preparadas mobilizações de multidões em todo os Estados Unidos.

Juan Andrés Gallardo

Buenos Aires | @juanagallardo1

quarta-feira 8 de março| Edição do dia

Na manhã desta quarta-feira, Donald Trump voltou a utilizar as redes sociais para fazer um de seus anúncios, mas não deixou se surpreender pelo seu cinismo. No marco do Dia Internacional das Mulheres, o presidente dos Estados Unidos publicou em sua conta no Twitter que tem um "tremendo respeito" pelas mulheres. A publicação gerou um imediato rechaço nas redes sociais, desde onde foram lembradas todas as expressões misóginas utilizadas por Trump durante a campanha eleitoral, as acusações de abuso por parte de diferentes mulheres e o histórico de machismo que o acompanhou durante toda sua carreira.

Ao mesmo tempo, diversas organizações dos Estados Unidos preparam mobilizações nas principais cidades do país.

Cinismo presidencial

Nesta quarta-feira, Dia Internacional das Mulheres, Trump fez duas postagens polêmicas na rede social Twitter. Na primeira dizia que "Tenho um tremendo respeito pelas mulheres e os muitos papeis que cumprem (e) que são vitais para a estrutura de nossa sociedade e nossa economia".

Enquanto que um segundo tuite pediu "somem-se a mim para honrar o papel fundamental das mulheres aqui nos Estados Unidos e em todo o mundo".

Se trata de uma verdadeira provocação as mulheres, que já mostraram que desde o dia da posse de Trump que vão defender seus direitos. As mobilizações de multidões do dia 21 de janeiro, conhecidas como "WomensMarch" reuniram quase 3 milhões de pessoas em todo o país e levantaram a bandeira dos direitos das mulheres frente as posições do atual presidente.

A misoginia e o machismo de Trump foram uma constante, não somente durante a campanha eleitoral, mas durante toda sua vida como empresário. Em outubro do ano passado, na reta final da campanha eleitoral, Trump recebeu uma enxurrada de críticas após a difusão de um vídeo de 2005 no qual pode se ouvir ele fazendo uma série de comentários degradantes sobre as mulheres com uma linguagem vulgar e ofensiva. Além disto, foram reveladas uma série de denúncias por abuso sexual , ao mesmo tempo que Trump defendia sua política de atacar os direitos de aborto e os planos de saúde reprodutiva em todo o país.

Parte da força que as mulheres demonstraram na sua posse estará expressa hoje em ações ao longo de todo o dia nos EUA.

Paralisação de Mulheres

Sob a convocatória de uma Paralisação de Mulheres (Womens Strike) se espera que nesta quarta milhares de mulheres saíam as ruas dos Estados Unidos nas principais cidades do país.

Manifestações e paralisações de empregadas em restaurantes, empresas e organizações marcam a agenda do também chamado "Dia sem mulheres".

As organizadoras das mobilizações de quarta estão buscando repetir as táticas das marchas de mulheres do dia 21 de janeiro em Washington e em outras cidades, convocadas amplamente através as redes sociais. Entre os objetivos dos eventos convocados se destacam os de chamar a atenção para a disparidade salarial entre homens e mulheres, e sobre os ataques ao direito de aborto e os planos de saúde reprodutiva, entre outros.

As mulheres representam 47% da força trabalhista dos Estados Unidos, e ganham 79 centavos de dólar a menos que os homens por dia trabalhado. Esta diferença aumenta entre as afro-americanas e as latinas.

Algumas escolas já anunciaram desde terça-feira que vão cancelar as aulas devido a grande quantidade de docentes que decidiram não trabalhar.

Os protestos estão planejados em cidades em todo o país, entre elas Washington, Nova Iorque, Atlanta, Florida, Chicago, São Francisco e Berkeley.

Nas principais cidade se realizarão debates prévios as mobilizações. No caso de Nova Iorque um grupo de intelectuais e ativistas construíram um manifesto chamando a por de pé um "Feminismo do 99%" e um "Feminismo Anticapitalista".




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