VIOLÊNCIA POLICIAL

O caso de Sandra Bland e o racismo institucional da polícia

Mari Pecoraro

São Paulo

terça-feira 4 de agosto de 2015| Edição do dia

Sandra Bland era uma jovem negra de 28 anos do subúrbio de Chicago que no dia 10 de julho, a caminho de uma entrevista de emprego, mudou de faixa sem sinalizar sendo parada pela guarda local. Ela mudou de faixa justamente para dar passagem para a eles.

Após ser parada ela e o guarda travaram uma discussão que durou muitos minutos, quando o guarda que já estava alterado a tempos, decidiu que ela deveria apagar seu cigarro. Sandra o indagou sobre qual seria o problema de fumar um cigarro dentro de seu próprio carro.

Após mais alguns minutos de confusão, ele arranca a jovem do carro, onde continuam discutindo. Em um vídeo que circula na internet existe um corte após sua saída do carro e do nada ela estava fora do campo de visão da câmera, mas era possível ouvir o guarda gritando com Sandra, dizendo que a mataria, seguido de barulhos onde claramente se entende uma agressão física.

Esse mesmo guarda disse que ela havia o chutado, o que no não passa de uma autodefesa, principalmente após ter sido agredida sem motivo.

Sandra foi presa e três dias depois foi encontrada morta em sua cela. A autópsia deliberou suicídio, que a jovem havia se enforcado com uma sacola plástica, mas ninguém além das autoridades, parece engolir essa história.

Após sua morte foi divulgada uma foto na internet que teria sido tirada quando entrou na prisão, porém muitas pessoas acham que Sandra já estava morta quando essa foto foi tirada.

Com essa repercussão sobre a suposta morte de Sandra antes de chegar à prisão, a polícia local divulgou vídeos para provar que ela viveu esses três dias na cadeia. De acordo com as autoridades locais, os oficiais estavam recebendo ameaças de morte por causas dessas "conspirações".

Segundo a família e amigos, ela era uma jovem feliz, que queria se mudar para um lugar onde pudesse lutar pela igualdade, estava com emprego novo em vista e não havia motivo para estar "deprimida" e cometer suicídio, mesmo depois da prisão.

A repercussão do acontecimento

Esse caso tomou uma repercussão bem maior do que todos imaginavam, e até pessoas famosas como Cara Delevingne, Jessie J, Carol Trentini, querem uma resposta. Coincidentemente com esse "boom", foi divulgado que vão analisar o caso como homicídio e que o comportamento da Sandra também deve ser analisado.

Sandra era ativista do movimento Black Lives Matter, o que leva a pensar que pode ter existido uma perseguição política por trás, da qual jamais saberemos.

Com a finalidade de tirar o "peso das costas" dos policiais , agora estão dando certo foco para o THC que foi encontrado em seu sangue, 18 microgramas por litros. Mais do que o permitido pelo estado para dirigir, naqueles onde a maconha é legalizada.

O que é interessante, agora que o caso está tendo repercussão internacional e até mesmo pessoas mundialmente famosas estão exigindo respostas, é a tentativa de culpabilizar Sandra de todas as formas possíveis por sua prisão e morte.

Elton Mathis, o procurador do Condado de Waller, que já havia sido acusado de racismo antes usou o termo "it" (usado para coisas em inglês) para se referir à Sandra. E o xerife local, Glenn Smith, havia sido demitido de seu outro emprego pelo mesmo motivo: racismo.

Desviando um pouco o foco desse caso específico, vale fazer uma reflexão sobre a desmilitarização da PM, uma bandeira que muitos levantam.

Se nos EUA a polícia não é militar e casos como o da Sandra, do Eric, do Mike e mais outros milhões acontecem, por que a solução seria a desmilitarização? A que ponto as pessoas se deixam iludir e realmente acreditar que a polícia só é racista porque é militar? Um exemplo claro disso é a morte de Sandra.

Os EUA possui a maior população carcerária do mundo onde 60% são negros, o que é bizarro já que apenas 12% da população total do país é negra. No Brasil a situação carcerária não é diferente, somos a 4ª maior população carcerária do mundo e os negros mais de 50% na população total do país, são a maioria dentro das prisões.

Tendo isso em vista, chegamos a conclusão que o problema da polícia não é o fato dela ser militar e sim o fato dela ser uma instituição racista que funciona como braço armado do Estado capitalista.

Não podemos tomar o caso da Sandra como um caso isolado, afinal isso é uma realidade em nosso mundo. Não podemos deixar em momento algum de problematizar as ações do órgão que tem como missão exterminar a juventude, a classe trabalhadora e majoritariamente a população negra. Seja no Brasil ou nos EUA a polícia reprime e mata todos os dias e não devemos mais tolerar.

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Foto: NBC News




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