Internacional

ESTADO TERRORISTA DE ISRAEL

O Estado de Israel à beira de outro ato de guerra

O 1º de julho é a data em que Netanyahu cumpriu sua promessa, incentivada por Donald Trump, de anexar territórios da Cisjordânia. Implica mais direitos para os colonos sionistas e que os palestinos permaneçam cercados em pequenas "ilhas" bantustans.

segunda-feira 6 de julho| Edição do dia

Foi o seu cavalinho de batalha ao longo de todo ano que durou a campanha eleitoral - na qual os israelenses foram votar três vezes. Assim, ele consolidou sua base na direita e também na extrema direita, como colonos que vivem em assentamentos na Cisjordânia.

O plano de anexação de Netanyahu, é praticamente uma cópia do apresentado por Donald Trump junto a ele, em janeiro deste ano. Cinicamente, o presidente dos Estados Unidos chamou de "um plano de paz para os palestinos" ou "o acordo do século".

A outra parte, os palestinos, eram persona non gratae.

Esse plano ou roubo descarado do território palestino (ainda mais) consiste (em seus objetivos máximos) em anexar 30% da Cisjordânia, especialmente o território do Vale do Jordão, na fronteira com a Jordânia e uma das áreas mais férteis desta. Região. Incorporando de uma vez, dentro das fronteiras de Israel os assentamentos, tanto os que por eles mesmos têm status legal, quanto os considerados ilegais pelo Poder Judiciário israelense.

Estas são as colônias localizadas na área C, segundo o nome dos acordos de Oslo, que está completamente administrada e militarizada por Israel, e abarca 66% do território da Cisjordânia. As outras áreas são A (administrada pela Autoridade Nacional Palestina - ANP - e com sua própria polícia) e B (administrada pela ANP, mas com controle militar pelo exército israelense).

Isso implica que o que já poderia ser definido hoje como bantustans (NR: cada um dos territórios onde os não-brancos da África do Sul foram segregados durante o apartheid) palestinos, sem conexão territorial entre eles, adquiriria um estado permanente.

Um salto no roubo de território do povo palestino, um novo ato de guerra que pretende levar adiante o Estado sionista israelense, na pessoa do ultra-direitista Benjamin Netanyahu.

O primeiro-ministro agora faz parte de uma coalizão que inclui o centro-direita Kahol Lavan (azul e branco), com Benjamin Gantz à cabeça e apurado pela crise política interna - que levou a três eleições em menos de um ano, devido a que nenhum candidato sozinho conseguiu ter votos suficientes para que no parlamento (Knesset) pudessem encomerdá-lo uma forma de governo.

Netanyahu, que está no poder há mais de 13 anos, também é acusado de três delitos ligados à corrupção: suborno, fraude e quebra de confiança. Mediante essas ações, por um lado, ele foi aumentando sua fortuna pessoal e a de sua família e, por outro, conservando grandes cotas de poder.

Mas isso não é tudo o que pinta de corpo inteiro de quem dirige, agora em uma coalizão, os recursos do estado sionista. O ex-chefe da unidade de elite das chamadas "Forças de Defesa Israelenses" - que possuía inteligência militar e "contraterrorismo" como uma de suas especialidades - participou de muitas missões militares que pretendiam entrar no território palestino para roubar mais terras, com o assassinato de setores da população nativa ou sua expulsão para campos de refugiados nos países árabes fronteiriços ou na própria Cisjordânia.

Para muitas dessas incursões militares, o procurador-geral do Tribunal Penal Internacional, considerou em dezembro do ano passado, que existem evidências suficientes para acusar o Estado Nacional Judaico de Israel (assim é sua denominação) de crimes de guerra.

Ninguém sabe ao certo qual seria o plano de anexação apresentado pelo governo israelense. Certamente as hesitações de seu parceiro político, Gantz - mas também um rival em termos de querer manter sua própria carreira política - somadas a crescente oposição a esse plano por parte dos principais Estados imperialistas da Europa (não por razões humanitárias, mas pelo negócios que eles têm na região e, principalmente, por temer que a área se torne um barril de pólvora), lfizeram que Netanyahu a apresentar a Gantz um plano que incluía uma "anexação simbólica". Uma porta de saída, se o plano do resultado máximo for impraticável.

Os países árabes da região também levantaram suas vozes para se opor à anexação
O mais determinado a frea-lo, apostando em negociações palaciais (que nunca realmente funcionaram bem para os palestinos), é o rei da Jordânia Abdullah II, que insiste que “qualquer medida israelense unilateral de anexação de terras na Ribeira Ocidental é inaceitável e mina as perspectivas de lograr a paz e a estabilidade na região".

A Jordânia tem o maior número de palestinos que vivem em seu território jogados nos campos de refugiados pelo avanço sionista. Mais de 2 milhões de palestinos vivem naquele país, e no Líbano (outro país árabe que faz fronteira com Israel) existem mais de meio milhão.

Foi o Presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, quem levantou a ruptura
de todos os acordos assinados com Israel, de Oslo até aqui.

Um levante de palestinos nesses países, juntamente com os que vivem na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, com a possibilidade de adesão das massas árabes da região, poderia despertar a solidariedade do crescente movimento antirracista e contra a violência estatal que se vem dando em muitos países imperialistas. Esse é o pior pesadelo não apenas para Israel, mas também para as próprias burguesias árabes e sem mencionar os governos desses países centrais.

Essa é a razão de fundo, à qual se deve somar a oposição de uma parte importante da cidadania israelense, que hoje em dia está causando dúvidas ao atual ministro da Defesa - Gantz - que rotará na posição de primeiro-ministro. Nesta semana, ele já declarou que 1º de julho "não é uma data sagrada".

Por outro lado, Israel ainda não recebeu a luz verde dos Estados Unidos para avançar concretamente. Embora Trump idealizou seu "acordo do século", a própria crise interna devido à pandemia e à oposição do Partido Democrata está fazendo por estes dias que a pressão entre o lobby sionista norte-americano, o Partido Republicano e os dirigentes israelenses, seja incessante.

Nesse ponto, vale lembrar que foi o próprio Partido Democrata, durante a presidência de Obama, que aprovou um aumento substancial no orçamentário destinada ao Estado de Israel, com o objetivo de seguir armando até os dentes a seu sócio sionista no Oriente Médio.

Além disso, um dos ideólogos do aumento dessa "ajuda" do imperialismo dos EUA a Israel foi o próprio Joe Biden, agora candidato dos democratas à presidência. São US$ 38 mil milhões que os Estados Unidos se comprometeram a entregar, dentro de 10 anos, à energia localizada naquela região do mundo.

Enquanto isso acontecia, Netanyahu insistiu em acusar o Irã de ter armas nucleares. Mas calando que é o próprio Israel quem as possui. As potências ocidentais e cristãs ocultam esse fato.

Nesta quarta-feira é o dia "D", mas é provável que, diante da rejeição internacional, o medo da luta de classes na região, somado à crise política interna que arrasta o Estado de Israel, à qual devemos acrescentar uma crise econômica insipiente devido à pandemia (Israel sofreu um segundo surto de coronavírus), o "novo" governo israelense tenha que retroceder de realizar outro ato de guerra contra o povo palestino.




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