Educação

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O DCE-UERJ, dirigido pela majoritária da UNE, precisa construir verdadeiramente o dia 13

Isa Santos

Estudante de Serviço Social da UERJ e coordenadora do Centro Acadêmico de Serviço Social da UERJ - CASS

quarta-feira 7 de agosto| Edição do dia

Voltam as aulas na UERJ, com toda animação das calouradas, novos alunos e, junto a essa entrada, também retornam mais a vista dos estudantes algumas realidades colocadas, como o avanço e perseguição ao pensamento crítico e do privatismo sobre a educação, como as propostas “Future-se” que de futuro não tem nada, além da Reforma da Previdência que avança cada vez mais na câmara e os constantes ataques aos trabalhadores, à juventude e ao pensamento crítico de conjunto.

Ao passo que temos esses exemplos negativos vindos dos representantes da burguesia no poder, temos também exemplos importantes vindos de setores com potencial de inflamar a classe trabalhadora e toda a sociedade. A juventude e o movimento estudantil deu mostras nesse último semestre da sua força e disposição contra os planos e objetivos de Bolsonaro. Nos dias 15 e 30 de Junho e também na Greve Geral do dia 14 de Julho, expressou-se como não se vinha a tempos um pouco desse potencial que tem a juventude para dar uma resposta a altura para os ataques dessa direita que visa descarregar nos nossos ombros a crise dos capitalistas. Porém, infelizmente, essa força foi desperdiçada pela UNE que, sem um plano de luta, sem organização pela base e evitando ao máximo a unificação das lutas da juventude e dos trabalhadores, fez questão de enfraquecer essa força, isso pois preferem a conciliação com esses mesmos setores que querem nos ver trabalhar até morrer. Não à toa a UNE é majoritariamente dirigida pela juventude do PT e PCdoB, que apoiaram Rodrigo Maia e cujos governadores dão seu apoio à Reforma no Nordeste.

No meio desse fenômeno da juventude, os alunos da UERJ estiveram lá, em grande medida pelo fator espontâneo de mobilização que a conjuntura e as redes sociais nos proporcionam hoje em dia, mas certamente não pela mobilização do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UERJ, que não tem como central na sua atual a construção desde a base dos estudantes, ou seja construindo fortemente dias como esse em cada curso e na uerj de conjunto, e que quando constrói espaços de debate e organização do movimento estudantil (como as assembleias) o faz de maneira rotineira . O DCE se ausentou da sua tarefa de impulsionar e organizar de fato dos estudantes e cumpriu o papel que vem tendo desde que assumiu a direção da entidade: fez um evento no facebook como o único chamado próprio aos atos, não marcando assembleia e menos ainda mobilizando os estudantes que deveriam representar. Todo clima de retorno às aulas, e também as calouradas, vem passando por fora dos debates de como o movimento estudantil vai se colocar, de maneira mais forte do que no primeiro semestre, contra o governo e os ataques de Bolsonaro.

O DCE da UERJ hoje é dirigido majoritariamente pelas Juventudes do PT, PCdoB e o Levante Popular da Juventude, praticamente a mesma composição da atual direção majoritária da UNE, e segue a linha de suas direções partidárias, que também dirigem duas das principais centrais sindicais do país (CUT e CTB), que pouco fizeram frente as propostas de reformas da previdência, que foi aprovada em Brasília sem que tivéssemos de fato propostas para o seu enfrentamento.

Agora, no próximo dia 13, está sendo chamado um novo “dia nacional de luta”, dessa vez “por educação, aposentadoria e emprego” e mais uma vez o DCE, seguindo a linha da UNE, não tem feito nenhum esforço para construir esse dia, nem mesmo com os estudantes da UERJ. As aulas voltaram essa semana, uma semana antes do dia 13, e a agitação das calouradas poderia estar a serviço da construção desse dia. É urgente que o DCE chame uma atividade com todos os estudantes para que possam debater e se organizar para esse dia em conjunto.

Se de um lado a UNE e as centrais sindicais estão encarando o dia 13 como mais um dia formal, sem colocar todos seus esforços para construir um dia que faça frente os cortes e ataques, mas também, as declarações e ao avanço das medidas autoritárias de Bolsonaro. Do outro, os setores que compõe a oposição de esquerda da UNE hoje (PCR, PSOL e PCB) precisam ter como tarefa principal o desafio, de em cada local que está,e m cada DCE ou centro acadêmico que dirige, ser um fator real na prática contra a política da majoritária.

Por isso nós da Faísca viemos desde o CONUNE fazendo um chamado à toda a Oposição de Esquerda, a construir o que chamamos de polo antiburocrático, que comece com plenárias em todos os estados, com o objetivo de reunir toda a juventude que está vendo aonde está nos levando essa política da burocracia da UNE, que acoberta as centrais sindicais, para construir uma força que exija um plano de luta para vencer. Essa articulação pode ser um forte fator para uma verdadeira preparação ao dia 13.

Leia mais: "A Oposição da UNE deveria organizar plenárias em todos estados para exigir um plano de luta", diz Flávia da Faísca

É necessário que a juventude saia novamente nas ruas, junto da classe trabalhadora, superando a burocracia das entidades do movimento estudantil e das centrais sindicais, pois somente essa aliança tem força para barrar os ataques colocados.




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