Educação

NOVO SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO DE SÃO PAULO

Novo secretário de educação de Alckmin recebia 100 mil de salário mensal

José Renato Nalini, vem do TJ de SP, que entra depois de 50 dias em que o cargo ficou "vago", desde que os secundaristas derrubaram o secretário anterior, Herman. Defensor do privilégio dos juízes, Nalini seguirá agenda do antecessor

sábado 23 de janeiro de 2016| Edição do dia

Depois de quase 50 dias que Hermann Voorwald foi expulso pelos alunos, no dia 04 de dezembro, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou nesta sexta-feira (22) o nome do novo secretário da Educação.

O escolhido, depois de vários terem rejeitado o convite, foi José Renato Nalini, ex Presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, que ficou nacionalmente conhecido por ter defendido o auxílio moradia para Juízes de R$ 4300,00, alegando que esses ganham muito mal e que não tem dinheiro nem para ir Miami comprar um terno, embora tenha recebido salário liquido de R$96.000,00, segundo dados divulgados pelo Jornal Folha de São Paulo em sua edição de 30 de Agosto de 2015. Apesar de receber esse salário, que pelo montante é ilegal, pois extrapola em muito o teto salarial dos servidores públicos, pediu também para pagar as taxas judiciais no final do processo em que movia contra o Banco do Brasil, algo só permitido por lei para quem recebe até 3 salários mínimos.

Durante a forte luta das ocupações das escolas por parte dos secundaristas no final do ano passado, o TJ, presidido por ele, decidiu por unanimidade revogar o processo que pedia reintegração de posse das escolas. Alckmin o nomeia numa tentativa de aparecer como se estivesse colocando um secretário de educação mais “dialoguista”. No entanto, não devemos nos deixar enganar por uma suposta “benfeitoria” do então presidente do TJ que anulou o processo de reintegração das escolas, tribunal esse que esteve sempre ligado ao tucanato em São Paulo em seus mais de 20 anos de governo tomando decisões que sempre foram na contramão da luta dos trabalhadores e da juventude. Devemos atribuir essa atitude do TJ à correlação de forças imposta pela mobilização muito forte dos estudantes secundaristas de São Paulo que, não só obrigou o TJ a reconhecer a legitimidade das ocupações, mas também fez com que o antigo secretário de educação tivesse que sair.

Alckmin, ao ter convocado para ser seu novo Secretário de Educação um jurista defensor de privilégios (e põe privilégios nisso!) da alta casta burocrática do Estado, não o fez pensando que ele atrapalhasse seus planos para a educação. Pelo contrário, uma pessoa com um perfil desse não fará outra coisa senão seguir a já conhecida cartilha do Alckmin de precarização do ensino público, que já vem sendo anunciada pra esse ano através dos cortes bilionários no orçamento destinado à educação, incluindo o orçamento das universidades estaduais paulistas, assim como em função do projeto de reorganização das escolas que Alckmin anunciou que irá manter. O governador vem com essa figura para tentar fortalecer seus ataques aos estudantes, professores e trabalhadores do ensino público paulista.

Os professores da rede estadual não podem esperar nada de bom de José Renato Nalini. Em reunião realizada na Secretaria Estadual de Educação, horas antes do anuncio do novo titular da pasta, foi informado a APEOESP que a Secretaria não trataria de aumento, ou seja, começa a enrolação tal qual ano passado, enrolação essa que durou meses e terminou com reajuste zero de salário.

Os universitários paulistas que se preparem, pois há um corte grande no orçamento destinado às universidades paulistas que surtirão efeitos nas nossas medidas de permanência estudantil e direito dos funcionários da universidade. Nos aliemos aos secundaristas que venceram o Alckmin em 2015 para vencê-lo novamente esse ano!

É preciso fazer como os secundaristas que foram à luta em defesa da educação e também pelos direitos dos professores, isto é, contra o fechamento de salas de aulas que gerariam desemprego e piora as condições de trabalho; lutemos por aumento de salário além da inflação do ano passado e a estimada desse ano. Mais um ano sem reajuste de salário levará nosso poder aquisitivo para 20% que no inicio do ano passado. Para que isso seja possível é preciso construir não só uma nova direção para a APEOESP, com uma nova pratica e métodos de luta. Em primeiro lugar é preciso que a base tome para si o controle da entidade e das lutas, com seus organismo próprios, pondo abaixo essa estrutura onde pelegos e gente que não trabalha a muito tempo. É preciso novos métodos de lutas, grandes assembléias e passeatas são importantes mas insuficiente para derrotar Alckmin e sua sanha de destruir a educação pública, é preciso fazer como os secundaristas, tomar as escolas, ganha a opinião pública para o nosso lado e assim derrotar Alckmin e seu novo secretário José Renato Nalini. Unifiquemos a luta em defesa da educação entre os professores, estudantes secundaristas e os professores, funcionários e estudantes das universidades estaduais paulistas, assim podemos impor novas derrotas aos planos de Alckmin contra a educação.




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