Política

Nova operação da PF contra BTG Pactual e Banco Caixa enquanto outros bancos seguem impunes

Nova operação da Polícia Federal, realizada nessa quarta-feira (19), expôs mais uma vez a podridão do sistema dos grandes capitalistas brasileiros.

quarta-feira 19 de abril de 2017| Edição do dia

A operação, batizada de “Conclave” em referência ao ritual que ocorre a portas fechadas para escolher o Papa, maior representante da Igreja Católica, investiga se houve fraude na aquisição de ações do Banco Panamericano pela Caixa.

Ao todos a PF cumpriu 46 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 10ª Vara Federal de Brasília, simultaneamente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Pernambuco, Minas Gerais e Distrito Federal. Na capital federal, há buscas na sede da Caixa e no Banco Central. A Justiça também determinou a indisponibilidade e bloqueio de valores de contas bancárias dos alvos. Ao todo, o montante congelado chega a R$ 1,5 bilhão.

O Banco Panamericano, atualmente Banco PAN, foi fundado pelo bilionário empresário e apresentador Silvio Santos, e controlado de 1990 até 2011 pelo Grupo Silvio Santos. Em 2009, período de crise mundial após o abalo na economia da potencia norte americana em 2008, o Banco Panamericano recebeu um aporte de R$ 2,5 bilhões, com recursos obtidos junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), tendo os bens do grupo Silvio Santos como garantia, depois que o Banco Central identificou um rombo nas contas da instituição. Na época Silvo negou.

A venda do Panamericano viria a ocorrer em 2011, quando a venda foi acertada pela empresa financeira BTG Pactual que adquiriu 34% das ações por R$ 450 milhões. A estatal Caixa Econômica Federal (CEF), por meio da Caixa Participações S.A. (Caixapar), pagou R$ 739,2 milhões para adquirir 35,54% do capital total do banco.

Especializado nos segmentos de leasing e financiamento de automóveis, o Panamericano, assim como a BTG Pactual são empresas nacionais que representam alguns símbolos do crescimento econômico e hegemonia “lulista”. Empresas nacionais que ficaram conhecidas como “Global Player”, como por exemplo, é o caso da Odebrecht, BTG Pactual, Ambev, Gerdau, Petrobras, entre outras, empresas nacionais que se fundiram com o capital financeiro internacional.

A operação acontece uma semana após os mesmo órgãos do Estado, da Polícia Federal e do judiciário, em especial a Receita Federal, terem livrado o Banco Itaú de uma multa de R$ 25 bilhões. Evidenciando assim como esses órgãos têm atuado contra a burguesia nacional brasileira, setor que durante o governo petista, especialmente sob o governo de Lula, se beneficiaram e se fortaleceram.

O desenvolvimento da Lava Jato, o fortalecimento do Judiciário e órgãos do Estado, indica que está havendo um movimento de enfraquecimento da burguesia nacional, como é o caso do que houve com a Petrobras, para assim abrir caminho a outros setores da burguesia nacional, sobretudo da burguesia internacional e imperialista.

Apesar disso, sabe-se que a taxa de lucro dos capitalistas é intocável. Na medida em que a crise econômica e política se aprofundam devido principalmente ao fato de que a as crises econômicas são intrínsecas ao sistema capitalista, e em parte pela influência da Lava Jato, os empresários e a casta de políticos privilegiados sentem cada vez mais a necessidade indispensável de, para garantir a manutenção de seus privilégios e altas taxas de lucro dos empresários, conseguirem passar seus ataques contra os trabalhadores. Por isso e para obrigar a que os capitalistas paguem pela crise que os próprios criaram, é imediato taxar as grandes fortunas, assim como deixar de pagar a dívida pública, que apenas serve como garantia do lucro dos banqueiros e atrativo para o investimento imperialista. Estatizar as empresas sob controle dos trabalhadores, que diariamente dão prova de sua capacidade no exercício diário de suas funções é alternativa para acabar com a corrupção também intrínseca ao capitalismo, a Lava Jato não irá cumprir essa função.




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