Mundo Operário

METRÔ

Nossa Classe: As armadilhas no caminho da greve, única forma de derrotar Doria e Metrô

Fernanda Peluci, diretora do Sind. dos Metroviários de SP e militante do Mov. Nossa Classe

Metroviária de São Paulo e militante do Movimento Nossa Classe e Pão e Rosas

quinta-feira 9 de julho| Edição do dia

Doria e a direção do Metrô seguem sua cruzada contra os direitos dos Metroviários. Cortam nosso salário e ameaçam nosso plano de saúde em plena pandemia. Autorizam a convocação para o retorno ao trabalho dos maiores de 60 anos, e já anunciaram que irão fornecer máscaras de pano para os funcionários, tudo isso quando o Metrô começa a ficar lotado, após a reabertura precipitada da economia promovida pelo Governador. Para enfrentar essa intransigência, a categoria terá que ir para a greve. Infelizmente, terça dia 07/07, mais uma vez parte da diretoria do sindicato composta pela chapa 1(PCdoB, PT e PSB) se colocou contra deflagrarmos nossa greve no dia 08. Difundindo o medo dentro da categoria, dividiram os metroviários, desarmando a luta frente aos brutais ataques que Doria e Metrô estão impondo a categoria.

Precisamos compreender que os ataques não são por causa da pandemia, querem nos convencer que precisamos perder nosso acordo coletivo porque, com a pandemia, não há dinheiro pra seguir pagando os direitos, mas eles seguem pagando mais de 400 altos funcionários com rendimentos acima do teto do governador, e seguem pagando subsídios de centenas de milhões de reais aos empresários das linhas privadas. Para garantir os privilégios e lucros deles, o dinheiro não falta. Não podemos aceitar que se retire nenhum direito dos Metroviários que estão na linha de frente, nossa contra proposta ao metrô deve ser:

Corte de todos os salários acima do teto e garantia de subsídio público para preservar direitos!

Durante o mês de junho os diretores da chapa 1 alimentaram ilusões nas bases de que a MP 936 de relatoria do deputado Orlando Silva(PCdoB), seria a solução para prorrogar o acordo coletivo até dezembro, devido a uma emenda nessa MP. É bom lembrar que essa medida provisória é um brutal ataque aos trabalhadores brasileiros, com redução de salários e jornadas, além de permitir a suspensão dos contratos de trabalho. Essa MP já está servindo para cortar salários de milhões de trabalhadores, inclusive os Metroviários das linhas 4 e 5, a partir de negociações conduzidas por membros da chapa 1.

Como já era esperado, Bolsonaro vetou a emenda que prorrogava os acordos coletivos e manteve todos os ataques aos direitos trabalhistas contidos na MP. Ter um deputado como relator dessa dessa medida provisória, mostra que o PCdoB já abandonou a luta pela manutenção dos direitos dos trabalhadores, e passaram a ser os agentes que implementam os ataques junto com os neoliberais e golpistas da política brasileira. Por exemplo, o governador do Maranhão Flávio Dino(PCdoB) aprovou a reforma da previdência em seu Estado apesar dos sindicalistas da CTB fingirem que são contrários. A repressão aos pobres no Estado do Maranhão não deixa nada a dever para Doria em SP. Isso mostra que a frente ampla com a direita para atacar os trabalhadores é o norte desse partido, estão com a burguesia não com o povo.

Depois da furada que foi a MP, não satisfeitos, a chapa 1 continua a defender que os metroviários não devem ir pra luta. É claro que eles sabem que a justiça não vai garantir nosso acordo coletivo, mas como a política deles é defender que para supostamente preservar os empregos teremos que perder direitos - sendo que em todo o país já está claro que o resultado é, sem luta, perde-se empregos e direitos, continuam usando de todos os métodos para convencer os Metroviários que teremos uma solução por fora da luta para garantir nossos acordo coletivo.

Assim, a chapa 1 se apoia no judiciário, marcando negociações que não negociam nada, apenas marcam novas negociações, desgastando os Metroviários e tentando desmobilizar os quase mil funcionários que votaram pela greve e estão convencidos que precisamos ir pra luta, como expresso na assembléia do dia 07. Saudamos todos esses companheiros que já entenderam as manobras do TRT e da chapa 1, assim como saudamos as chapas 2 e 3 que na assembléia do dia 30/06, em sua maioria, votaram contra que saissemos em greve junto com os entregadores de Apps, mas agora votaram a favor da paralisação.

Nós da chapa 4 desde o começo da pandemia defendemos que o sindicato deveria impulsionar um comitê dos trabalhadores com representantes eleitos a partir de reuniões nas áreas, para junto ao sindicato, preparar assembleias democráticas e levar as duras lutas que teríamos que travar durante a pandemia, pois entendíamos que só a direção do sindicato não seria capaz de levar a luta durante esse período de quarentena e era necessário democratizar as decisões e massificar nossa mobilização, visto as dificuldades que teríamos para resistir nesse período de isolamento social. Essa proposta foi insistentemente negada pela maioria do sindicato, sob alegação que a diretoria era suficiente, um erro muito grande, mas que do ponto de vista da chapa 1 não era um erro, pois sua orientação não é construir a luta para impedir os ataques.

Batalhamos para termos assembleias democráticas, onde todos possam opinar e fazer propostas para a categoria votar. O que foi vetado pela maioria do sindicato, se impondo um modelo onde apenas uma parte da diretoria define as perguntas que irão para apreciação dos Metroviários. Chamamos toda a categoria a continuar mobilizada, usando coletes, botons e adesivos. Que as áreas se reúnam e elejam representantes para organizarmos uma assembléia democrática no dia 14, onde possamos superar as barreiras impostas pelo divisionismo consciente que a chapa 1 promove na categoria e possamos superar essa política que levará a perder nosso acordo coletivo. Só unidos e em greve vamos garantir nossos direitos e derrotar o governo Doria.




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