Política

MAIS ATAQUES

No meio da crise política, um brutal ajuste contra os trabalhadores

Todos os dias ao abrir os jornais ou assistir a televisão vimos um fato novo no mar de lama que se tornou a política brasileira, entre passadas de pernas e dedos nos olhos, os dois lados seguem ora se atacando diretamente, ora preparando o novo ataque contra seus adversários, isso já dura meses e de sobressalto em sobressalto a vida segue.

quinta-feira 7 de abril de 2016| Edição do dia

A questão é a que vida segue não como antes. Estamos passando por um brutal ataque às condições de vida da classe trabalhadora e do povo pobre de nosso país. Esses ataques vão muito além das medidas votadas ou ainda a serem votadas no Congresso como a reforma da previdência e a trabalhista. Ou melhor, antes dessas reformas serem apreciadas, a burguesia com o apoio do governo do PT, as fazem aparecer quase como conseqüências naturais da crise econômica ou como combinação dessa com a crise política.

A questão é que, desde o governo federal está em curso um ajuste que joga nas costas dos trabalhadores um pesado fardo. A começar pela alta do dólar, isto é, desvalorização do real, o governo tem declarado que busca manter o dólar valendo entre R$3,50 e R$ 3,90 favorecendo assim, o setor exportador e em especial, ao agronegócio, tentando atrair mais capitais para fechar sua conta . O problema é que dólar alto impede a baixa dos preços dos produtos internos, em especial alimentação. É muito mais vantajoso vender em dólar e com isso conseguir mais lucro, primeiro pelo próprio valor do dólar e segundo porque diminui a concorrência dos produtos importados. Se o setor exportador “nada de braçada” nesse cenário, ao setor que precisa de insumos importados se beneficia da falta de concorrência e repassa a conta para os trabalhadores pagarem. É o próprio ministro do Desenvolvimento Industrial que defendeu essa perspectiva nessa terça-feira, dia 06 de abril, durante o lançamento do Projeto Brasil Mais Produtivo: “Mesmo com os desequilíbrios que persistem, com o ambiente de negócios longe de ser o que desejamos, o realinhamento do câmbio foi muito importante para o país”

Fazem isso impondo demissões como as que temos vistos em diversos lugares, arrochando os salários e cortando todo tipo de benefícios como ticket refeição, planos de saúde etc, isso em prol de um discurso de reduzir o custo Brasil para que a economia volte a crescer. Em poucas palavras, estamos diante de um aumento dos lucros graças a desvalorização do real e reestruturação dos preços relativos.

Capítulo à parte se encontra os próprios banqueiros que seguem lucrando imensamente, o fazem em primeiro lugar especulando com a diferença real/dólar, em segundo lugar pelo próprio aumento dos juros, hoje o segundo maior do mundo, em terceiro pela cobranças de taxas sobre seus serviços de forma totalmente abusivas e reajustadas por essa inflação. Por essa via, todos os setores burgueses ganham rios de dinheiros, seja por esses mecanismos ou pela divida pública que segue aumentando e sendo religiosamente paga pelo governo, constituindo verdadeiro mecanismo de transferência de recursos dos trabalhadores para esses sanguessugas.

É nesse terreno que agem todos os grupos burgueses - exportadores, vendedores para mercado interno e banqueiros estão ganhando cada dia mais dinheiro . Lula e todos os setores mais "lúcidos" da burguesia têm proposto uma repactuação política , ou em outras palavras, "limpar o terreno político" para ensejar uma nova e mais forte onda de medidas estruturais, onde aí sim entra as reformas prometidas e paradas no congresso, como a previdenciária e trabalhista alterando assim, ainda mais a repartição da riqueza nacional em prol da burguesia nacional e internacional, retirando dos trabalhadores que tudo constroem e nada possuem.

Enquanto isso, as direções sindicais da CUT e CTB nada fazem a não ser defender seu governo Dilma, o mesmo que é o artífice desses ataques, deixando passar tudo sem nada fazer em suas bases. Como tentamos demonstrar esses ataques não são coisa do amanhã ao contrário já atuam hoje na vida de todos os trabalhadores. A esquerda por sua vez também não tem conseguido ser referência real para setores de massas, e onde se encontram não conseguem dar exemplo de luta séria, assim foi na GM de São José dos Campos dirigida pelos companheiros do PSTU. E assim está sendo na fabrica de fogões de Campinas MABE.

É preciso desde já exigir que se coloque de pé um verdadeiro plano de luta para parar a escalada de demissões e arrocho salarial. A CSP Conlutas , principal central de esquerda em conjunto com as Intersindicais precisam imediatamente coordenar esforços para organizar a resistência dando exemplos concretos de como parar as demissões e o arrocho, realizando assembleias e encontros e coordenando ações que mostrem aos trabalhadores que se encontram sobre as botas das burocracias da CUT e CTB que é possível vencer, somente assim poderá emergir como alternativa de direção.




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