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No ano do golpe, os piores reajustes salariais da última década

Enquanto em 2016 cresceu o número de bilionários brasileiros, os reajustes salariais de 2016 apresentam o segundo pior índice da série histórica.

quarta-feira 5 de abril de 2017| Edição do dia

Segundo o Dieese, a proporção de reajustes salariais abaixo da inflação no primeiro ano do golpe institucional de Temer dobrou em relação a 2015, passando de 18,7% para 36,7%.

De acordo com o estudo que avaliou 714 acordos fechados entre empresas e trabalhadores, os reajustes salariais tiveram variação real negativa pela primeira vez em 13 anos e se for desconsiderada a inflação, a média da remuneração dos trabalhadores encolheu aproximadamente 0,52% em 2016.

A análise do Dieese revela também que, no sentido contrário, os reajustes acima da inflação decaíram e acabou atingindo o segundo menor patamar da série histórica do próprio Dieese, iniciado em 1996.

No primeiro ano do golpe institucional, ficaram acima do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) apenas 18,9% dos reajustes salariais, deixando para trás apenas os índices de 2003, que foi de 18,8%.

A pesquisa mostra ainda que nos locais onde a renda dos trabalhadores não caiu, ela permaneceu praticamente congelada em 2016, já que entre os 18,9%, a grande maioria dos reajustes registrou apenas 0,01% a 1% acima da inflação.

Se na pesquisa do Dieese mostra que a renda do trabalhador caiu levando em consideração as negociações salariais, do outro lado da moeda e em meio à crise, cresceu o numero de brasileiros bilionários em 2016, passando de 160 para 165 pessoas, de acordo o levantamento feito pela revista “Forbes Brasil” e com base nos valores de mercado das empresas em meados de 2016 das quais os bilionários brasileiros tem ações.

A soma do patrimônio desses empresários equivale a 14,41% do PIB de 2015, a soma de toda a produção brasileira em 2015 ficou concentrada em um seleto grupo de 165 empresários até o segundo semestre de 2016.

O congelamento e retrocesso da renda da grande maioria dos trabalhadores e o aumento do número de bilionários brasileiros em 2016 revela que por trás do golpe institucional, um setor de grandes capitalistas vem lucrando em detrimento a vida de milhões de trabalhadores.

Esses dados mostram a crise capitalista sendo jogada nas costas da classe trabalhadora, com o aval do governo Temer e seus aliados. Além disso, as centrais sindicais, que mantiveram um longo período de trégua ao governo golpista durante o ano passado, também têm grande responsabilidade nesta situação, além do fato do próprio PT ter se aliado com quem depois lhe tirou do poder para acelerar e aprofundar os ataques contra a classe trabalhadora.

O dia 15 de Março demonstrou que a classe trabalhadora brasileira não está disposta a pagar pela crise capitalista sem lutar. Mesmo assim as centrais sindicais deram mais de um mês de trégua, convocando nova paralisação somente para o dia 28 de abril. É necessário que neste 28 abril a classe trabalhadora protagonize uma grande paralisação nacional, que possa mudar a situação política. É necessário construir a luta desde cada local de trabalho, a partir de assembleias em que se construam comitês de base para organizar a luta e pressionar as centrais não só por uma grande paralisação no dia 28, mas pela construção de um plano de lutas real e uma grande greve geral no país.




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