Gênero e sexualidade

CONTAGEM REGRESSIVA 8 DE MARÇO

"No Brasil precisamos construir a paralisação de mulheres neste 8 de março", afirmam dirigentes do Pão e Rosas

Conversamos com Diana Assunção e Maíra Machado, dirigentes do grupo de mulheres Pão e Rosas e do Movimento Revolucionário de Trabalhadores. Ambas foram candidatas nas últimas eleições municipais pela legenda do PSOL. Elas comentam a necessidade de que a paralisação internacional de mulheres no 8 de março, convocada por feministas de vários países, em especial Estados Unidos e Argentina, também seja construído no Brasil.

segunda-feira 6 de fevereiro| Edição do dia

ED: Qual a importância deste 8 de março?

Diana: Este 8 de março ocorre após a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos que é um acontecimento de grandes proporções internacionais pois expressa a cara mais xenófoba, racista e machista do imperialismo, o que abriu espaço pra um enorme repúdio em especial das mulheres com marchas que reuniram centenas de milhares nos EUA e em outros países. O fortalecimento da direita populista por um lado, mas também o fracasso das alternativas pós-neoliberais que buscavam governar para a conciliação de classes abre espaço pra uma necessária frente única contra todos os ataques mas buscando nossa independência nesta luta. O 8 de março neste cenário deve ser o mais politizado possível, no sentido de não separar as demandas das mulheres da luta de conjunto que está colocada.

Maíra: No Brasil, é o primeiro 8 de março após o golpe institucional, o que exige uma posição firme contra este governo golpista e um chamado a unidade na luta contra os ataques à classe trabalhadora, como a reforma da previdência e a reforma trabalhista. Em nossa opinião é preciso construir um fortíssimo 8 de março, que levante bem alto as bandeiras das mulheres contra o feminicidio exigindo "nenhuma a menos", lutando pelo nosso direito ao aborto e enfrentando as consequências que as reformas de Temer vão ter para as mulheres trabalhadoras. Neste marco, um 8 de março unitária não poderia permitir que o PT buscasse sequestrar as demandas das mulheres e o enfrentamento com o governo golpista pra fortalecer seus objetivos eleitorais rumo a 2018.

ED: Como está a convocatória da paralisação internacional nos outros países?

Diana: Estamos acompanhando a convocatória em vários países e em especial na Argentina começa uma forte articulação para construir esta paralisação internacional. É uma novidade esta política no 8 de março e consideramos que responde a situação política que vivemos pois para além das manifestações de rua para enfrentar todos os planos de ataque dos governos vai ser necessário se mobilizar com os métodos da classe trabalhadora. Na Argentina, nossa companheira Myriam Bregman, ex-deputada nacional pelo PTS na Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT pela sigla em espanhol) esta entre as principais impulsionadoras junto com dirigentes do movimento de mulheres e organizações sociais. Nos últimos dias ela deu declarações aos jornais locais sobre a necessidade de exigir das centrais sindicais que garantam a paralisação e impulsionem assembleias e reuniões em todos os locais de trabalho e estudo, organizando ações conjuntas com trabalhadoras, trabalhadores e estudantes. Uma paralisação de toda a classe trabalhadora, com protagonismo das mulheres e levantando nossas bandeiras, é também o que precisamos aqui no Brasil.

ED: Aqui no Brasil como vocês acham que deveria ser construído?

Maíra: Devemos nos somar com tudo a esta iniciativa com as companheiras da Argentina mas também de vários países como os Estados Unidos. Aqui também é necessária uma forte exigência às centrais sindicais pra que organizem assembleias de base e se somem na construção da paralisação dia 8 de março. Eu sou diretora da APEOESP pela Oposição e teremos uma paralisação justamente dia 8 de março, pelas nossas demandas, mas o Sindicato está separando as demandas econômicas e sindicais das demandas que nós temos enquanto mulheres. Como parte da categoria quero batalhar pra que nossas demandas se expressem com força, e pra que nossa paralisação seja expressão também deste fenômeno internacional de luta das mulheres. É um grande alento que internacionalmente haja um movimento pra colocar em especial as mulheres trabalhadoras como protagonistas do 8 de março, ao lado das mulheres pobres, da juventude e de toda a classe trabalhadora.

Diana: A CUT está chamando uma paralisação pro dia 15, sem nenhuma assembléia de base marcada, mas achamos que poderia ser parte de um forte plano de lutas organizar uma paralisação também no dia 8 colocando as demandas das mulheres com grande força. Entre os setores da esquerda estamos colocando esta necessidade, pra que levemos em conjunto essa proposta e possamos organizar nos nossos locais de trabalho ações como parte desta luta internacional. Essa é a perspectiva do grupo de mulheres Pão e Rosas.




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