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CONTAGEM REGRESSIVA 8 DE MARCO - FALTAM 21 DIAS

Mulher, negra e lutadora: Nina Simone, um exemplo de força para as mulheres que se dedicam a uma vida revolucionária

Na contagem regressiva para o 8 de Março, o Esquerda Diário quer trazer as grandes referências de mulheres negras lutadoras. Hoje falamos sobre quem foi Nina Siumone e porque sua história recupera a luta dos negros contra o capitalismo.

Vanessa Oliveira

Professora do ABC

terça-feira 14 de fevereiro de 2017| Edição do dia

Sim, o que eu tenho ninguém pode tirar. (Trecho da Canção Ain’t got no, I got Life)

Desde sua infância Nina enfrentou o racismo como forma de alcançar seus sonhos, na cidade onde morava precisava cruzar os trilhos e enfrentar todas as ofensas por entrar em “áreas de branco” para estudar piano. Suas aulas eram concedidas pela patroa de sua mãe, que apresentava o talento de Nina em vários eventos considerados somente para brancos. Porém desde essa época Nina se colocava em lutava pelos seus direitos, em um evento se recusou a tocar piano, até que sua família fosse acomodada na primeira fileira de bancos para assistir sua apresentação.

Quando jovem foi impedida de ingressar no Instituto de Música Curtis na Filadélfia, apesar de ter cursado piano clássico na severa Juilliard School, em Nova York. Essas grandes desilusões fizeram com que Nina aos 20 anos começasse a cantar e tocar piano em alguns bares escondida de seus pais, e por esse motivo criou o nome Nina que significa menina em espanhol, e Simone em homenagem a Simone Signoret atriz francesa.

Foi ganhando espaço no mundo musical dando início a uma carreira bem-sucedida, com hits como Feeling Good, Don’t Let Me Be Misunderstood, Ain’t Got No - I Got Life, I Wish I Knew How It Would Feel To Be Free e Here Comes The Sun.

Sempre acompanhou a luta do povo negro no álbum de estreia na Philips, Nina Simone in Concert (gravação ao vivo de 1964) pela primeira vez referiu-se à desigualdade social que prevalecia nos Estados Unidos com a canção Mississippi Goddamn; sendo sua resposta ao assassinato de Medgar Evers e a explosão de uma igreja em Birmingham, Alabama, que matou quatro crianças negras. A canção foi lançada como single e boicotada em alguns estados do sul.

A partir de então, começou a se tornar uma figura política que usava da música para denunciar as opressões sofridas pelo povo negro, seus repertórios e apresentações eram sempre recheados de reflexões e muito polêmicos.

Teve uma postura de luta ativa e defendia o armamento do povo negro para o combate da opressão nos Estados Unidos, fazia uma política de luta combativa, que se contrapunha a politica de Martin Luther King que pregava a paz.

Sua postura vista como radical, custou alto preço a sua vida como cantora, pois muitas portas foram fechadas devido a sua posição política. Em uma de suas canções Revolution Part1 Nina faz um chamado a luta pela revolução:

“E agora temos uma revolução
Porque eu vi o rosto de coisas futuras
Sim, sua Constituição.
Bem, meu amigo, você vai ter que dobrá-la.
Estou aqui para falar sobre a destruição
de todo o mal que terá que acabar
(…)
Cantando sobre uma revolução
Porque estamos falando sobre uma mudança
ela é mais do que apenas evolução
bem, você sabe que tem que limpar sua mente.
A única maneira na qual podemos ficar de fato
é quando você tirar o pé de nossas costas”

Em 1993, Simone estabeleceu-se perto de Aix-en-Provence, no sul da França. Sofreu de um câncer de mama por muitos anos antes de morrer dormindo em sua casa em Carry-le-Rouet, Bouches-du-Rhône, em 21 de abril de 2003. Deixando assim, um vasto legado de músicas que são verdadeiras reflexões para a postura das mulheres que buscam diariamente forças na luta revolucionária.




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