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PESQUISA INSTITUTO IPSOS

Nem Dilma, nem Temer e impeachment perde maioria, os dados da crise em nova pesquisa

O que é melhor para o Brasil: a volta de Dilma Rousseff ou a permanência de Michel Temer? Para 52% dos brasileiros, nenhuma das duas opções. Tentando erguer a solução que Marina Silva, a Folha de São Paulo e agora Dilma defendem, o jornal Valor faz matéria para mostrar não a crise da representatividade escancarada nesta pesquisa mas a solução de recomposição: novas eleições.

Leandro Lanfredi

São Paulo | @leandrolanfrdi

quarta-feira 27 de julho de 2016| Edição do dia

O resultado da pesquisa conduzida pelo Instituto Ipsos e divulgada pelo jornal Valor discrepa dos dados manipulados pela Folha de São Paulo. Ao contrário de mostrar Temer fortalecido mostram como sua popularidade é inferior aos níveis já abismais de Dilma e como a maioria da população não quer nem um nem o outro e sequer o impeachment é apoiado pela maioria dos entrevistados.

O Valor Econômico, tal como a Folha, tratou os dados para erguer a resposta que mais lhe convém, apoiar a resposta de Dilma, Marina Silva e que a Folha propugnava meses atrás: novas eleições. Em meio ao descrédito das respostas dadas até aqui, um setor da elite nacional (golpista e não golpista) começa a pensar se não valeria a pena uma resposta que desse maior legitimidade ao regime. Neste marco se insere a proposta de novas eleições.

Uma pesquisa que dá o retrato da crise institucional e de representatividade

Os dados obtidos pelo Instituto IPSOS contradizem os dados divulgados pela Folha, que geraram grande polêmica, uma vez que este jornal omitiu informações de pesquisa, manipulou as perguntas para obter os resultados que queria, de modo a inflar um apoio de 50% da população ao governo golpista de Temer. Essa manobra explicitou ainda mais os interesses que essa mídia corporativa, junto a esse governo golpista tem, de forjar a aceitação ilegítima das alas mais corruptas e reacionárias que há tempos, e com grande responsabilidade da própria gestão do PT, hoje tomam a frente no governo do país, sob a justificativa de resolver os famigerados rumos do mesmo.

A pesquisa sobre “O que é melhor para o Brasil?” ofereceu quatro opções de resposta para seus entrevistados: Que Temer fique; Que Temer convoque novas eleições; Que Dilma volte e fique até 2018; Que Dilma retome ao poder e convoque novas eleições.

Para 38% das pessoas entrevistadas, o melhor é que o presidente interino convoque novas eleições para outubro agora. Outros 14% preferem que Rousseff retorne e convoque novo pleito. Em relação à preferência entre a presidenta afastada e o presidente golpista, Dilma segue a frente da disputa, já que para 20% das pessoas, o melhor para o Brasil é que Rousseff volte e cumpra seu mandato, diferente dos outros 16%, que apoiam o golpe e a manutenção de Temer até o final do mandato, em 2018. 12% dos entrevistados não souberam ou não responderam. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. Ou seja, Dilma é preferida por uma minoria maior que a minoria de Temer. Tudo no marco de que ninguém tem legitimidade e todos estão contestados. 52% preferem novas eleições, mas alguns a querem conduzidas por Temer, outros por Dilma e outros 48% querem outras respostas, ou seja uma grande fragmentação da opinião pública no marco da crise de representatividade.

A preferência por Dilma é maior no Nordeste, onde 39% acham que a melhor opção é que ela volte. Nas regiões Norte e Centro Oeste, a preferência por ela é a menor (13%). O golpista Temer tem melhor aceitação na região do Sudeste (18%), região que promoveu uma das maiores passeatas contra Rousseff. Mas 18% de aprovação está longe, muito longe, de ser um sinal de fortalecimento como quis a Folha de São Paulo.

Em suma, como outro dado de um realidade fragmentada, de crise de representatividade no país, se mostra a continuada divisão geográfica da opinião pública.

Só 7% acham Temer ótimo, menos que Dilma no impeachment

O instituto IPSOS também perguntou aos entrevistados a opinião sobre o Governo federal. Os dados mostram que a avaliação de gestão do golpista Temer de "ruim ou péssima" cresceu de 43% para 48% em um só mês - ainda assim, o número é melhor que a avaliação feita da gestão de Dilma em seu segundo mandato, que chegou a 81% de "ruim e péssimo" na véspera de seu afastamento (março de 2016). A gestão Temer é considerado "boa ou ótima" para apenas 7% dos entrevistados - um ponto a mais (dentro da margem de erro) do que os 6% do mês passado.

Impeachment vem perdendo legitimidade

A pesquisa, que é realizada todos os meses, também aponta para a queda de apoio ao processo de impeachment. Em março deste ano, ele havia atingido o maior nível nesta série de pesquisas, desde março de 2015, chegando a 61%. Agora é de 48%.

Ou seja, uma maioria não quer Dilma nem Temer e uma minoria decrescente ainda é favorável ao impeachment ocorrido. Trata-se de outra expressão aguda da crise de representatividade do país. Em suma nenhuma resposta institucional dada é do agrado da maioria dos 1200 entrevistados.

Os dados mostram que 34% são contrários impeachment, o maior número desde março do ano passado. Uma última pesquisa Datafolha, também apontou que 35% das pessoas acreditam que os senadores não deveriam votar pelo afastamento definitivo de Rousseff e para 58% deveriam, dado também em queda desde fevereiro deste ano (em março eram 68%).

A principal resposta institucional dada até aqui pela elite nacional, o impeachment, vem caindo em aprovação, sem com isso fortalecer uma volta de Dilma.

Com impeachment perdendo legitimidade que resposta dar?

Neste lusco-fusco do impeachment e do golpista Temer, não é de se estranhar que um respeitado jornal dos negócios, o Valor Econômico, pegue a pesquisa para afirmar aos quatro ventos "a maioria quer novas eleições". Fato que a pesquisa mostrou. Mas o mostrou sob uma imensa fragmentação, com Dilma, sem Dilma, com Temer, sem Temer. Ou seja, a pesquisa em sua totalidade mostra muito mais que uma tese uníssona de novas eleições, mostra o descrédito do impeachment e de Temer, uma fraca recuperação de Dilma, em suma, expressa o que viemos chamando de crise orgânica.

A tese de novas eleições, ainda é muito difícil de ser aceita, e vem sendo costurada por apoiadores da presidente afastada no Congresso, e por golpista como Marina Silva e antes dela a Folha de São Paulo. Alguns senadores aceitariam votar pela permanência da mesma, em troca da convocação de um plebiscito já em outubro, para que a população decidisse se quer ou não novas eleições presidenciais. Se aceita, elas seriam realizadas em 2017.

Essa tese de novas eleições tem sido abraçada também por setores da esquerda nacional, grupos que foram golpistas sempre as propugnaram como o MES de Luciana Genro e o PSTU, mas também agora por setores que se opuseram ao impeachment. Ao nosso ver essa saída, ao contrário de restituir "a democracia ao povo" servirá para dar legitimidade a um regime questionado, como essa pesquisa mostrou.

Não queremos salvar esse regime podre e essa Constituição que contém direitos conquistados pelos trabalhadores, mas também garantia de impunidade aos militares, às polícias assassinas e até mesmo permite uma intervenção militar constitucional como defendem os apoiadores de Bolsonaro. Por isso, o Esquerda Diário além de levantar a luta contra Temer defende que se imponha uma nova Constituinte, para que seja possível erguer esses questionamentos que estão em cada local de trabalho não para facilitar a eleição de um novo ajustador (Serra, Aécio, Marina, etc) que diferente de Temer teria legitimidade para atacar, mas para acabar com os privilégios de todos políticos instituindo que todos ganhem como uma professora, para acabar com o roubo dos recursos nacionais com a dívida enquanto padecemos privatização e precarização da saúde e educação, para impedir as demissões, entre outros grandes temas nacionais sentidos pela população. Uma nova Constituinte poderia ajudar as grandes massas de trabalhadores do país a verem como não há resposta nesta democracia de suborno, corrupção e exploração e é necessário uma resposta radical aos problemas do país, uma resposta anticapitalista e revolucionária para erguer um novo tipo de governo, um governo operário baseado nas organizações de luta da classe trabalhadora.




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