Negr@s

IMIGRAÇÃO EUROPA

Negros africanos vendidos como escravos: o horror promovido pelo imperialismo que festeja a Copa

segunda-feira 16 de julho| Edição do dia

A França conquista a Copa do Mundo com a força incontornável dos imigrantes africanos, a quem a burguesia francesa e seus políticos, como Nicolás Sarkozy, se referem como "a ralé da sociedade".

A taça de ouro do mundial de futebol não oculta o racismo estrutural do imperialismo europeu em geral, e do imperialismo francês em particular. Guerras, saques nacionais, conflitos internos são provocados em nome dos lucros bilionários de um punhado de monopólios que controla a economia mundial. Esse controle é exercido em base à usurpação das riquezas nacionais dos países da África e da Ásia, e da superexploração dos trabalhadores imigrantes que conseguem escapar da "tumba do Mar Mediterrâneo" e dos cárceres de imigrantes que povoam a Europa, no interior das "democracias europeias".

Macron, o presidente francês que festeja o título conquistado por imigrantes que expulsa sistematicamente do país, opera intervenções militares no Mali, na Somália, na República Centro-africana, para citar alguns países da África espoliados pelo colonialismo da França.

Basta ver as imagens chocantes de como a população negra é tratada pelas potências capitalistas para entender que a luta contra a xenofobia e o racismo é inseparável da batalha por organizar uma grande força política anticapitalista internacional dos trabalhadores, que ataque os lucros dos capitalistas das grandes potências, responsáveis pela fome e a miséria dos países africanos e asiáticos.

Horrores da opressão imperialista

Negros pendurados, expostos para venda. Escapando da pobreza e de guerras incentivadas e criadas pelo imperialismo, milhares negros de toda África se amontoam na Líbia, sonham com a dura e perigosa travessia até a Itália. No fundo do Mediterrâneo se acumulam corpos negros, sírios, afegãos. Imigrantes que não resistiram à perigosa viagem.

A Europa, convertida em uma prisão, com campos de concentração para impedir a chegada de imigrantes, está dando dinheiro para a Líbia impedir a travessia de imigrantes. Isso tem incentivado não somente os estupros, assassinatos, tortura mas também a escravidão.

Pode te interessar: Governo Italiano teria financiado a escravidão na Líbia para conter a migração

Milícias patrocinadas pela Itália prendendo e torturando negros

Vem sendo denunciado, desde o primeiro semestre desse ano, a situação de escravidão pela qual passam os negros na Líbia. Da ONU à União Europeia, muitas foram as ONGs, governantes e líderes a se pronunciarem, as imagens são chocantes e a hipocrisia do imperialismo imensa.

A situação de emigração nos países devastados pelas guerras imperialistas expõe milhares de imigrantes que viajam até a Líbia para chegar à Europa ao risco de serem sequestrados, abusados, mortos e vendidos em mercados de escravos no país localizado ao norte da África. Essa situação foi denunciada por dirigentes ocidentais e africanos e teve grande impacto. A indignação causada certamente obrigou que inclusive os grandes imperialistas se pronunciassem, e o fizeram com tom de espanto.

Mas o imperialismo não somente sabia como incentivou essa barbárie. “Com exceção do cidadão comum, todo mundo sabia, os governantes, as organizações internacionais, os líderes políticos” relata Hamidou Anne. Alioune Tine, diretor para a África ocidental e central na Anistia Internacional, com sede em Dacar, também afirma que “A tomada de reféns, a violência, a tortura, os estupros eram normais na Líbia, e da escravidão já se fala faz tempo”.

Pode te interessar: Jogadores de futebol se manifestam contra a escravidão na Líbia

A presidente do Médicos Sem Fronteiras, Joanne Liu, questiona que “em seus esforços por conter o fluxo (migratório), os governos europeus estarão dispostos a assumir o preço do estupro, da tortura e da escravidão?” Sabemos que a resposta é “sim”, pois de nada interessa a eles que rompam com a xenofobia que assassina todos os dias milhares de imigrantes. “Não podemos dizer que não sabíamos disso” ela afirma.

Essa denúncia não é de se espantar, pois é de grande interesse para os capitalistas que essas atrocidades sigam acontecendo enquanto comandam as guerras imperialistas e racistas em todo o mundo, principalmente na África e no Oriente.

A barbárie da escravidão na Líbia é continuação da barbárie dos botes com refugiados se afogando, dos campos de concentração e das guerras imperialistas. Com o ódio dessas fotos é preciso saber mais uma vez quem são os culpados: o capitalismo e o imperialismo.

LEIA TAMBÉM
- Escravidão, racismo e capitalismo
- O racismo das idiotices "histéricas" de Cesar Benjamin, Secretário de Educação de Crivella
- Os negros vão ser os primeiros a pagar a reforma trabalhista

Fonte das fotos "Zambezi Reporters", empresa de jornalismo da Zâmbia

Marcello Pablito, dirigente do MRT, disse que: "’La racaille’ (a escória) era como o governo da França se referia aos negros e imigrantes moradores das periferias de Paris que iluminaram as ruas com o fogo dos seus protestos em 2005.
Liberdade, igualdade e fraternidade eram as bandeiras que conduziram a burguesia na revolução francesa, mas que não foram estendidas às colônias negras da França como o Haiti. Lá os negros tiveram que arrancar a sua independência e o fim da escravidão com uma das mais espetaculares façanhas da humanidade: a revolução haitiana. ’Antropologia’, feiras de ciências e armas foram o cartão de visita para a entrada da França em países como Argélia (país de origem da família de Mbappé), Mali, Marrocos, Egito onde novamente o racismo ajudava a estender a sede de lucro imperialista que tingiu de sangue, dor e sofrimento esses países de onde até hoje os negros tentam fugir desesperadamente da fome e da morte com seus barcos no Mediterrâneo. Curiosa a ironia que seja pelos pés dos descendentes da "escória" (fabricada pela exploração capitalista francesa) que este país seja conduzido ao pódio mundial do futebol. Comemorem e aproveitem por enquanto Macron e companhia, pois no que depender de nós a "escória" vai sair das favelas e da nota de rodapé dos seus jornais para tomar as fábricas, escolas e as ruas e incendiar o racismo e a exploração que edificaram as riquezas do país de Bonaparte!
"




Tópicos relacionados

Imigração   /    Europa   /    Negr@s

Comentários

Comentar