Cultura

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Naufrágil: coluna indisciplinada de arte e política

Coluna semanal de arte e cultura, que trata essa semana da censura ao Teatro Oficina e ao clipe de Clarice Falcão.

Fábio Nunes

Vale do Paraíba

quinta-feira 29 de dezembro de 2016| Edição do dia

Pesado

Derrubaram a página do Teatro Oficina por causa de uns peitinho e o clip "água com açúcar" da Clarice Falcão foi censurado. Tão cortando pau, peito, cu e buceta. E as revistas e os filmes pornô? Aí são outros quinhentos, sexualidade a serviço do lucro e do patriarcado pode. Então a gente libera o Oficina e a Clarice Falcão e censura a pornografia machista? Não, as treta a gente resolve na luta de classes. A fita é a seguinte: Abaixo a censura!

Uma literatura um tanto louca

E se o momento é de caretas tentando colocar a cabeça pra fora, nada melhor que uma bela de uma pedrada. Estréia ficcional do filósofo e escritor francês George Bataille (1897-1962), "História do Olho" (1928), novela escrita em primeira pessoa, acompanha os jogos sexuais do narrador recém-saido da infância, e sua amiga, Simone, na companhia ocasional de Marcela, outra adolescente. Transgressão brutal, um peido na santa ceia que deixa a moral e os bons costumes em choque. "História do Olho" é foda sob o signo do caos.

Quem?

Tinha a Legião Urbana e o Fellini, duas bandas de rock muito influenciadas pelo som gringo dos anos 1980. Legião todo mundo conhece e Fellini só quem procura umas paradas mais alternativas. A questão é complexa: é desconhecida porque o mercado deu as costas ou porque não emplacou mesmo? Vamo ouvir essa porra de Fellini.

Cidade Alerta

Marcelo Resende é o porta-voz do feminicidio nas noites precárias.

Coroa de lata

O rei está nu. Tá todo mundo sabendo do "gorpe na praça", o foda é que a gente não consegue dar o xeque-mate.

Bossa Nem Tão Nova Assim

Naufrágil é barquinho de papel de costas para o mar, e de frente também porque o mar não tem dono.

Tá embaçado

É Sabotage, computadores fazem isso e aquilo e os artistas, bom, alguns ganham muito dinheiro e outros tentam ganhar um pouquinho para pagar pelo menos as contas. Fácil nunca foi, mas a apatia tomou conta da parada. Autocensura my brother, parada sinistra. Metem o bisturi logo na jugular do espírito que é para garantir o patrocínio. A invenção, a liberdade criativa, vão ficando com aquela camada fina de poeira.

Olho Mágico

Vendo coisas do outro mundo
Anjo com motor de avião
Anjo Ave Aviao
Pirata Grilo Seresteiro
Poeta sem sucesso
Assombração
Tem também um apartamento no tristegesimo andar
Tudo certo
Bom bonito e barato

Paz, Amor e Lençol Branco

Já escrevi um texto meio raivoso contra o Gregório Duvivier. Desta vez vou ser mais analítico. Não acho o Duvivier um bosta, pra mim ele é mais ou menos e muito contraditório, às vezes acerta e outras erra feio, na piada e na política. Tem umas sacadas muito boas para atacar alguns políticos da direita mas já fez piada considerada machista e transfobica. O que me deixa preocupado é como um artista mais ou menos tão contraditório consegue ser querido por amplos setores da esquerda. Tá faltando um Pier Paolo Pasolini ou o projeto é este mesmo?

Pirata da Sessão da Tarde
Tatuagem
Cabeça raspada
Chinelo de dedo
Meia até a canela
E Uma Temporada no Inferno entocada no bolso

Não é o operário ideal do Gianfrancesco Guarnieri mas também não está afundado na merda tipo os personagens do Plínio Marcos




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