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Naufrágil: coluna indisciplinada de arte e política

Bate papo com o ator Marcelo Drummond - Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. Drummond encarna Dionysios na peça Bacantes, direção de Zé Celso.

Fábio Nunes

Vale do Paraíba

quinta-feira 22 de dezembro de 2016| Edição do dia

+ Invenção - Morcego
Andrea Tonacci (Roma, 1944 - São Paulo, 16 de dezembro de 2016). Italiano radicado no Brasil, Tonacci é um dos principais cineastas do chamado "cinema marginal" e dirigiu filmes como "Bang Bang"(1971), uma pedrada inventiva. Piração total. Bem do jeito que tá difícil de sair ultimamente. Daí a gente pensa, caralho, morre um cineasta foda, morre trabalhador todo dia no mundo todo, morre até o imorrivel e o Temer tá aí. Firme e forte?

E por uma arte menos adaptadinha que ninguém é o "Homem de Ferro" né gente.

A vida passa depressa demais
Carga e descarga de arroz. Rapaziada carregando saca de 60 kg nas costas. Segundo relato de trabalhador, tem muito rato no galpão. A empresa joga o veneno e os peão depois tem que recolher os rato morto. Enterra? Não, o patrão vende para o zoológico. Será?

Hotel de Estrelas
Seu nome é Gal Costa e ela explodiu tudo no final dos anos 1960 e começo dos 70. Os álbuns tropicalistas de 68 e 69, "Legal" (1970) e "Fa-tal: Gal a Todo Vapor" (1971) são da pesada. Sem palavras. Mas, teve o Ato Institucional n 5 (AI-5) em 68, a censura, o terror, a imposição forte das gravadoras nos anos 80, o neoliberalismo na década de 90 e o negócio ficou estranho para os tropicalistas. Uns morreram, tipo o poeta e compositor Torquato Neto que deu fuga em 72, outros foram conscientemente esquecidos, José Agrippino de Paula, autor da epopéia-pop "PanAmérica", marco da Tropicália, morreu em condições bastante precárias, e teve aquela turminha mais obediente ao mercado que depois virou estrela da Rede Globo e hoje aparecem como autoridades da MPB. Gal? Caetano? Gil? Vocês estão aí?

Telinha
Paula Fernandes no programa da filha do Silvio Santos é dose leão.

Alô.
Quem refresca cu de pato é lagoa, já dizia Glauber Rocha. Tá todo mundo pelado mas parece que a tristeza embaçou o espírito. Sei lá. Caveira my friend. Bom nunca tá, mas já teve momento mais animado, apesar da bad. Se a canoa não virar...

Já que é Natal
Roberto Carlos: simplesmente o rei do plágio e o cantor do amor burguês.

Bate papo com o ator Marcelo Drummond - Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. Drummond encarna Dionysios na peça Bacantes, direção de Zé Celso.

Fabio Nunes - O Oficina hoje.

Marcelo Drummond - O Oficina passou por muitas fases, da juventude trabalhista de pequenos burgueses que sofreram o golpe de 64, tropicalistas que tiveram o AI-5, "desbundados" foram exilados, anarquistas coroados antropófagos de Bacantes. Não é exatamente um grupo de teatro, já foi, agora é uma associação, são grupos e muitos artistas de vários lugares diferentes, alguns estão há muito tempo, coisa de 15-20 anos trabalhando junto e fazendo um projeto de teatro nada convencional, contra a corrente não que a gente queira, mas acaba sendo com muita gente, mais do que o comum, com o tempo de horas de ensaios fora do normal e esteticamente não tem nada a ver com o drama vigente das novelas. O elenco tem várias gerações, de Vera Barreto Leite e Zé Celso ao Iniciante Leon de Oliveira. Um coletivo que sempre se modifica, apesar do núcleo de artistas, de acordo com a necessidade da peça. Tem o patrocínio de manutenção da Petrobras e como todos os outros sobrevive participando de editais, lei Rouanet, Cachês e bilheteria.

Fabio Nunes - Por que Bacantes?

Marcelo Drummond - Euripedes (dramaturgo grego) escreveu Bacantes na Macedônia, já velho, é sua última peça e que retorna as origens do teatro, transcreveu os cantos de um "terreiro" de Bacantes, que ainda faziam o rito pra Dionisio, originalmente um deus da fertilidade, da agricultura, do campo e não das cidades, onde estavam os deuses olímpicos, tanto que é o último deus a ir pro Olimpo. Bacantes é a última das tragédias gregas e a que volta a origem do teatro. Conto isso pra chegarmos ao agora. Avançamos no Brasil mas o conservadorismo também é como a cabeça de Penteu que precisa ser arrancada pra nascer uma nova visão, menos destruidora da vida. É como um trabalho de Xamã.

Fábio Nunes - Arte e crise econômica/política.

Marcelo Drummond - Vou me deter ao teatro porque acho necessário nesses momentos, porque é no dia ao vivo e pode/deve ser um momento de reflexão coletiva. Vivemos um momento mais coletivo é difícil sobreviver sozinho, a troca entre artistas está muito maior agora. Apesar de divergentes os grupos se mobilizam tentando encontrar uma alternativa diante da cultura como grande negócio que movimenta milhões em patrocínio e bilheteria e com isso movimenta o público da cidade. Quantos ingressos, que os preços variam de 20 até 150 reais (ou mais) são vendidos por ano em São Paulo? Não se sabe mas é grana. Quantas pessoas trabalham pra isso? Não se sabe mas é um bocado de gente.




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