Gênero e sexualidade

MACHISMO

"Não posso me intimidar" diz vítima de agressão e assédio no carnaval do Rio

A Lapa, na Rio de Janeiro, foi palco de mais uma cena brutal de violência machista neste carnaval. Uma jovem que aproveitava a festa junto ao namorado foi apalpada por um desconhecido. Ao tirar satisfações, o homem covardemente a agrediu com dois socos no rosto.

quarta-feira 1º de março de 2017| Edição do dia

A bióloga Elisabeth Henschel, de 23 anos, foi mais uma vítima da violência machista neste carnaval. "Estava com o meu namorado num bar e senti um homem me apertando. Quando fui tentar tirar satisfações com ele, levei um soco no nariz. Tentei abrir os olhos, achando que ele ia agredir meu namorado, e levei outro soco." relatou a jovem ao jornal Extra.

Ela ficou bastante ferida e foi procurar ajuda em um hospital próximo. No caminho, reconheceu o homem a agrediu e pediu ajuda para alguns guardas, e foi à delegacia, onde prestou depoimento e registrou boletim de ocorrência.

Ela relatou também que ao longo do carnaval já tinha ouvido inúmeras ofensas. "Ouvi gracinhas todo o dia. Mas não posso me intimidar por isso. Nós, mulheres, temos o direito de sair com a roupa que queremos. Fiquei sabendo de outros casos de agressão contra mulheres e a homossexuais neste carnaval. Quem for agredido não deve se deixar impactar por isso." disse a jovem. Ela também relatou que está com medo de voltar ao carnaval depois da agressão sofrida e que espera que o agressor seja responsabilizado.

Um caso brutal de violência machista, entre tantos que ocorreram no carnaval, que demonstra mais uma vez o quanto o Estado não se coloca como um ponto de apoio às mulheres contra a violência. Se no carnaval o máximo que fazem é um "registro" do ocorrido, no dia a dia de milhares de mulheres vítimas de violência, não garante auxílio nem apoio para que possam sair desta situação.

Elisabeth tinha a palavra "feminist" escrita em sua fantasia. Um fato bastante simbólico, pois é realmente só a luta das mulheres que pode transformar esta sociedade machista, onde nem aproveitar uma festa com tranquilidade as mulheres podem.

No Esquerda Diário estamos publicando um Especial 8 de Março, como preparação para este que deve ser um grande dia luta no mundo inteiro, para o qual está sendo convocada uma greve internacional de mulheres. Somos parte ativa desta convocação não só às mulheres, mas chamando também os homens a se mobilizar contra a violência e contra todo o machismo que nos oprime, mantido e reforçado pela exploração capitalista.




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