Sociedade

ESTADO ASSASSINO

“Não houve acidente. A morte dos 9 jovens é fruto de uma política de repressão do Estado racista"

Na madrugada do último domingo, um baile funk em Paraisópolis foi alvo do terror promovido por uma ação coordenada da polícia militar que resultou no massacre de 9 vítimas e mais 12 pessoas que seguem hospitalizadas. Diferente da versão oficial da polícia o que houve foi um massacre e não um acidente, fruto de um política consciente de repressão por parte do Estado.

Marcello Pablito - Trabalhador do Bandejão da USP e diretor do SINTUSP

dirigente do MRT e fundador do Quilombo Vermelho

segunda-feira 2 de dezembro| Edição do dia

Não houve acidente. Os depoimentos dos moradores e os vídeos derrubam a versão oficial da polícia e da mídia de que os policiais reagiram a alguma ocorrência e entraram em confronto com troca de tiros. A mãe de um dos jovens que foi vítima da ação declarou com todas as letras: "Meu filho foi assassinado", contestando a narrativa de que as vítimas foram pisoteadas, já que as roupas do jovem não apresentavam nenhuma marca de sapatos. O que aconteceu nas ruas de Paraisópolis foi um massacre, no qual as imagens gravadas evidenciam a brutalidade da ação da polícia, que com tiros e gás lacrimogênios encurralaram e espancaram pessoas nos becos do bairro da zona sul paulistana.

Moradores de Paraisópolis já haviam denunciado que a polícia vinha impondo um cerco ao bairro e uma escalada da repressão, como represália à morte de um sargento da corporação. A ação terrorista levada a cabo no sábado foi o ponto máximo dessa retaliação da polícia direcionada a todos os moradores do bairro.

Cinco mil jovens se encontravam no local para festejar ao som do funk, a música ouvida pela juventude de todas as classes, num dos maiores bailes da região. A tentativa de criminalizar o baile funk é parte de um avanço mais geral do Estado racista de retirar da juventude periférica seus espaços de lazer e de lhe restringir ao controle social e a repressão, como vimos na prisão arbitrária do dj Rennan da Penha, e nos inúmeros projetos de criminalização do funk.

Para o Estado racista e os capitalistas, as batidas do funk -mais uma expressão cultural nascida na periferia-, só pode existir restrito a suas boates e casas noturnas, onde podem lucrar com o ritmo. Para além desse nicho do consumo, principalmente em sua origem - nos bairros periféricos- o funk não pode ser tolerado. Por isso, que o Estado racista busca de todas as formas criminalizar o ritmo e associá-lo ao tráfico de drogas, mesmo o consumo de drogas nos bailes sendo tão natural quanto em qualquer outra festa da juventude de qualquer outra classe.

Sob o discurso linha dura e reacionário bolsonarista assistimos o recrudescimento da repressão por todo o país. Os índices de letalidade policial crescem em todos os estados. Em São Paulo, que sempre abrigou uma das polícias mais assassinas, não é diferente. Sob o comando de Doria, a PM este ano assassinou um total de 414 pessoas. Essa repressão tem como alvos preferenciais a juventude negra e periférica, como a morte de Lucas, jovem de 14 anos assassinado e Santo André, é um símbolo máximo.

Mais uma vez, o Estado racista e seu braço armado tem suas mãos sujas do sangue da juventude. O assassinato desses jovens não pode passar impune. Exigimos a apuração do caso e que as investigações sejam acompanhadas e fiscalizadas rigorosamente por representantes dos direitos humanos, movimentos sociais e organismos da classe trabalhadora para que os policiais envolvidos não sejam acobertados.




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